Cristiano Ronaldo: ídolo se aposenta da seleção de Portugal após 23 anos (ROBERTO SCHMIDT / AFP)
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Publicado em 5 de novembro de 2026 às 14h19.
Última atualização em 5 de novembro de 2026 às 15h02.
A aposentadoria de Cristiano Ronaldo na seleção portuguesa levanta dúvidas sobre seu valor comercial. Apesar da perda de uma importante plataforma de exposição internacional, especialistas indicam que sua marca já está consolidada além do futebol, com contratos publicitários, investimentos e audiência digital sustentando seu valor. A decisão não deve causar ruptura com o mercado, mas pode alterar a relação entre sua imagem e eventos de seleções.
A aposentadoria de Cristiano Ronaldo da Seleção Portuguesa, anunciada nesta quinta-feira, 5, levanta uma questão que vai além do futebol: o atacante perde valor comercial ao deixar de representar seu país? Aos 41 anos, o jogador encerra uma trajetória de 23 anos pela equipe nacional, mas continua sendo um dos atletas mais influentes do mundo.
A resposta não é necessariamente positiva. Embora a participação em competições internacionais represente uma importante vitrine para a imagem de Ronaldo, sua marca pessoal já ultrapassou os limites do futebol. Contratos publicitários, investimentos, negócios e uma audiência global nas redes sociais ajudam a sustentar seu valor independentemente das convocações para Portugal.
Em setembro, a Forbes estimou o patrimônio líquido do jogador em US$ 1,2 bilhão. A publicação também aponta que o contrato com o Al-Nassr, da Arábia Saudita, rende mais de US$ 200 milhões por ano ao português, que se tornou o primeiro atleta em atividade a ultrapassar US$ 2 bilhões em ganhos acumulados dentro e fora de campo, antes de impostos e taxas de agentes.
Um estudo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM), divulgado em fevereiro de 2025, avaliou a marca pessoal de Cristiano Ronaldo em 850 milhões de euros (cerca de R$ 5,2 bilhões). O levantamento apontou crescimento de 325% em relação a 2020 e considerou 28 variáveis distribuídas em seis dimensões: receitas, mídia, redes sociais, conquistas esportivas, influência social e impacto.
A estimativa não representa o patrimônio pessoal do jogador nem o valor que ele receberia em uma eventual negociação. Trata-se de uma avaliação da força comercial e da reputação da marca CR7.
A dimensão dessa influência também aparece nos números das redes sociais. Segundo a Forbes, Ronaldo reúne quase um bilhão de seguidores no Instagram, Facebook e X. O jogador mantém acordos com marcas como Nike, Binance, Herbalife, Lego e Panini, além de desenvolver negócios próprios.
Durante a Copa do Mundo de 2026, um estudo da agência NOSSA Sports e da plataforma Felton calculou que 29 publicações de Ronaldo geraram 85,2 milhões de euros em valor econômico de audiência. No mesmo período, as 565 publicações da seleção portuguesa somaram 68,1 milhões de euros.
O indicador utilizado, chamado True Audience Value (TAV), considera o envolvimento do público com os conteúdos, como comentários e interações. Os valores não representam receitas efetivamente recebidas pelo atleta, mas ajudam a dimensionar sua capacidade de mobilização digital.
A aposentadoria internacional retira de Ronaldo uma plataforma importante de exposição. Jogos de seleções, Eurocopas, Copas do Mundo e outros torneios colocam o atleta diante de audiências que vão além dos torcedores de seu clube. A ausência nessas competições pode reduzir oportunidades de associação da imagem do jogador a grandes eventos esportivos.
Entretanto, a avaliação de especialistas é que o impacto sobre a marca pessoal tende a ser limitado. Em entrevista ao portal Notícias ao Minuto, Daniel Sá, diretor-executivo do IPAM, afirmou que o valor comercial de Ronaldo já não depende há vários anos de seu desempenho como jogador.
Na avaliação do especialista, o português construiu uma imagem que também está associada às atividades como investidor, influenciador e figura pública. Por isso, a aposentadoria da seleção não deve representar uma ruptura com o mercado publicitário ou com os negócios que levam sua marca.
Isso não significa que a presença de Portugal tenha sido irrelevante para sua trajetória comercial. Ao longo de 23 anos, a seleção ajudou a consolidar Ronaldo como um dos principais rostos do futebol mundial. A conquista da Eurocopa de 2016 e os dois títulos da Liga das Nações, em 2019 e 2025, também reforçaram sua associação com o país.
A diferença é que, atualmente, a marca CR7 não está restrita à carreira internacional. Mesmo sem defender Portugal, o atacante continua atuando pelo Al-Nassr, mantém contratos publicitários e possui uma audiência digital própria, capaz de atrair marcas de diferentes setores.
A principal mudança está na relação entre sua imagem e o calendário de seleções. Ronaldo deixa de participar de campanhas, transmissões e ações comerciais diretamente vinculadas às competições de Portugal. Também não terá novas oportunidades de ampliar seus números históricos pela equipe nacional, pela qual encerra a carreira com 234 partidas e 146 gols.
Por outro lado, a decisão não representa o fim da carreira profissional. O português continua em atividade no Al-Nassr e pode concentrar sua exposição em competições de clubes, publicidade e projetos empresariais.