Esporte

Circuito feminino de tênis atinge igualdade na premiação e reduz calendário obrigatório

Torneios tradicionais como o Aberto da Itália, Cincinnati e Canadá se unem a Indian Wells, Miami e Pequim na paridade financeira, num pacote de mudanças no calendário que também realoca o encerramento da temporada devido a conflitos geopolíticos no Oriente Médio.

WTA igualou valores pagos nos Masters 1000 para as jogadoras; apenas Grand Slams tinham premiações igualitárias. (André Ferreira / FFT) (André Ferreira / FFT/Divulgação)

WTA igualou valores pagos nos Masters 1000 para as jogadoras; apenas Grand Slams tinham premiações igualitárias. (André Ferreira / FFT) (André Ferreira / FFT/Divulgação)

Fernando Olivieri
Fernando Olivieri

Redator na Exame

Publicado em 2 de outubro de 2026 às 20h40.

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RESUMO | A WTA anunciou que todos os torneios combinados de nível WTA 1000 e ATP Masters 1000 pagarão premiações iguais a partir de 2027, cumprindo promessa histórica, enquanto o circuito reduz a obrigatoriedade de torneios para o top 50 e muda a sede do WTA Finals para Charlotte.


O tênis feminino internacional deu um passo rumo à equidade financeira. A WTA Tour anunciou oficialmente que todos os seus maiores eventos combinados — os torneios de nível WTA 1000 realizados em conjunto com os ATP Masters 1000 — pagarão premiações totalmente iguais para homens e mulheres a partir da temporada de 2027, cumprindo o compromisso assumido publicamente pela entidade em 2023.

Segundo o The Athletic, com a medida, torneios históricos como o Aberto da Itália (Roma), o Cincinnati Open e o Canadian Open adequam-se ao padrão já adotado por Indian Wells, Miami e o torneio de Pequim (este último de nível ATP 500, mas WTA 1000). A paridade aproxima a base regular do circuito dos quatro torneios do Grand Slam, que garantem premiações idênticas desde 2007.

Flexibilização de calendário e alívio para as atletas

Além da equiparação salarial, a WTA cedeu a demandas cruciais das principais tenistas do mundo. A partir da próxima temporada, a exigência de obrigatoriedade será reduzida:

  • Menos eventos WTA 500: Jogadoras do top 50 do ranking mundial passarão a ter a obrigação de disputar quatro torneios WTA 500 por ano, uma redução em relação à cota anterior de seis eventos.
  • Flexibilidade de pontuação: As atletas também passarão a contar com a prerrogativa de substituir seu pior resultado em um torneio WTA 1000 por uma campanha de maior destaque em eventos de nível WTA 500 ou WTA 250 na composição do ranking mundial.

A tenista norte-americana Jessica Pegula, número 3 do mundo e presidente do Conselho de Arquitetura do Circuito convocado para avaliar as mudanças, celebrou o alívio: "Como jogadoras, passamos a maior parte do ano na estrada, então ter mais flexibilidade em nossos calendários e compromissos faz uma diferença real".

O calendário de 2027 e mudanças no WTA Finals

A divulgação do calendário de 2027 também trouxe novidades geográficas e reestruturações estratégicas. O tradicional giro de fevereiro no Oriente Médio (Emirados Árabes Unidos e Catar) foi mantido mesmo diante dos impactos regionais decorrentes do conflito no Irã. Em contrapartida, o Filipinas sediará pela primeira vez um evento principal da WTA Tour em Manila, substituindo a licença do torneio de Chennai, na Índia.

De acordo com o The Athletic, o ponto de maior destaque na reta final da temporada diz respeito ao WTA Finals, torneio de encerramento do circuito. A competição mudará sua sede para Charlotte, Carolina do Norte (EUA), por meio de um acordo de três anos. A mudança ocorre após o encerramento antecipado do contrato com a Federação Saudita de Tênis para sediar o evento em Riade — parceria que ofereceu em 2025 o maior prêmio da história para uma campeã esportiva (US$ 5,2 milhões / cerca de R$ 28,6 milhões para Elena Rybakina) —, com a premiação global estipulada em US$ 10 milhões (cerca de R$ 55 milhões) para a primeira edição em solo norte-americano.

A longa marcha pela igualdade

A luta pela paridade financeira no tênis profissional exigiu mais de três décadas de ativismo intenso até ser plenamente adotada pelos quatro principais torneios do circuito mundial. Conforme o histórico oficial do US Open, o movimento pioneiro teve início nos Estados Unidos na década de 1970 e só encontrou seu desfecho definitivo na Europa em 2007. O marco inicial ocorreu no US Open de 1973, que se tornou o primeiro Grand Slam da história a equiparar os prêmios entre homens e mulheres, impulsionado pela pressão liderada pela lendária Billie Jean King.

O processo seguiu um ritmo lento de adesão nas décadas seguintes. O Australian Open implementou parcerias temporárias de igualdade entre 1985 e 1986, além de 1991 a 1995, mas firmou a equiparação em todas as rodadas de maneira definitiva apenas em 2001. A virada histórica definitiva ocorreu em 2007, ano em que os dois torneios europeus se renderam à equidade. Roland Garros igualou os pagamentos para todas as fases após pressionar com prêmios parciais para campeões no ano anterior, enquanto Wimbledon — tradicionalmente o palco mais resistente da modalidade — cedeu às pressões encabeçadas por nomes como Venus Williams e também adotou a premiação igualitária em todas as rodadas.

As premiações e o cenário financeiro dos Grand Slams em 2026

Atualmente, o circuito de Grand Slams movimenta cifras bilionárias e consolida o US Open como o torneio mais lucrativo do planeta. Na temporada de 2026, os valores distribuídos pelas quatro maiores competições do mundo refletem a disputa global por investimentos e o gigantismo comercial do esporte, mantendo as moedas originais conforme os registros oficiais:

  • US Open: O torneio estadunidense lidera o topo financeiro ao pagar aos campeões das chaves de simples a quantia de US$ 5.500.000 (cerca de R$ 30,3 milhões), compondo uma bolsa total de prêmios de aproximadamente US$ 90.000.000 (cerca de R$ 495,9 milhões).
  • Wimbledon: O tradicional Major britânico premia cada campeão de simples com £ 3.600.000 (cerca de R$ 26,9 milhões), distribuindo uma bolsa total de £ 64.200.000 (cerca de R$ 479,7 milhões).
  • Roland Garros: O campeonato disputado no saibro parisiense destina € 2.800.000 (cerca de R$ 17,2 milhões) aos vencedores de simples, com uma premiação global de € 61.723.000 (cerca de R$ 379,4 milhões).
  • Australian Open: O Grand Slam de Melbourne premia seus campeões individuais com AU$ 4.150.000 (cerca de R$ 15,3 milhões), alcançando a maior bolsa bruta global da temporada, avaliada em AU$ 111.500.000 (cerca de R$ 412,5 milhões).

O que a WTA determinou para os torneios em 2027?

A entidade garantiu que todos os eventos conjuntos WTA 1000 e ATP Masters 1000 pagarão premiações exatamente iguais para homens e mulheres.

Quais torneios entram na nova regra de igualdade?

Competições tradicionais como o Aberto da Itália, o Cincinnati Open e o Canadian Open passam a integrar o grupo que já contava com Indian Wells, Miami e Pequim.

Como mudam as obrigatoriedades de calendário para o top 50?

O número de torneios WTA 500 obrigatórios por ano caiu de seis para quatro, e as atletas poderão substituir resultados ruins em 1000 por pontuações em eventos menores.

Onde será realizado o WTA Finals em 2027?

O torneio de encerramento da temporada mudará para Charlotte, na Carolina do Norte (EUA), com uma premiação global prevista de US$ 10 milhões (cerca de R$ 55 milhões).

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