Esporte

Lenda do tênis pede boicote aos Grand Slams por causa de premiação

Enquanto os jogadores criam um conselho formal para negociar melhorias — buscando alcançar 22% das receitas em premiação até 2030 —, lendas do esporte cobram autonomia de calendário e parcerias comerciais mais justas com os quatro maiores torneios do mundo.

O ex-jogador John McEnroe em evento do circuito internacional de tênis; lenda do esporte quer jogadores boicotando os Grand Slams. (Reprodução) (Reprodução)

O ex-jogador John McEnroe em evento do circuito internacional de tênis; lenda do esporte quer jogadores boicotando os Grand Slams. (Reprodução) (Reprodução)

Fernando Olivieri
Fernando Olivieri

Redator na Exame

Publicado em 29 de setembro de 2026 às 13h58.

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RESUMO | O ex-tenista John McEnroe afirmou durante a Laver Cup que os atletas precisarão boicotar os torneios de Grand Slam para conquistar uma maior participação nas receitas, no mesmo mês em que um grupo de tenistas do top-10 encerrou a fase pública de protestos por premiações.


O lendário ex-tenista John McEnroe defendeu uma medida extrema para redefinir a relação financeira entre os atletas e a elite do esporte mundial. Durante sua participação na Laver Cup, realizada em Londres, o dono de sete títulos de Grand Slam em simples declarou que os competidores precisarão recorrer a um boicote aos torneios caso queiram obter uma fatia mais justa das receitas geradas pelos quatro maiores eventos da modalidade.

A declaração de McEnroe, de 67 anos, coincide com um momento de trégua temporária nos bastidores do circuito. Recentemente, um grupo formado por tenistas do top-10 mundial anunciou o encerramento da fase pública das manifestações por premiação — que incluíram protestos na mídia durante o Aberto da França e Wimbledon —, optando por direcionar as negociações através de um recém-criado conselho de jogadores junto aos Grand Slams.

A disputa por receitas e a demanda por parcerias

O cerne da reclamação dos atletas envolve a proporção financeira recebida em relação ao faturamento bilionário dos quatro Slams. Atualmente, a média de repasse em premiações gira em torno de 15% das receitas totais dos torneios, e o grupo de jogadores estabeleceu como meta alcançar 22% até 2030, além de exigirem maiores contribuições para fundos de aposentadoria e bem-estar.

Segundo McEnroe, a ausência dos atletas como parceiros comerciais efetivos gera uma tensão constante no circuito:

"Os jogadores devem ser parceiros nos Grand Slams" afirmou o americano a jornalistas. "O fato de não serem causa atrito — eles estão recebendo uma parcela muito pequena da receita. A única maneira de ter sucesso nisso, na minha opinião, é boicotar um ou dois deles".

Apesar da sugestão drástica, o recém-criado Conselho de Jogadores dos Grand Slams focará inicialmente em questões esportivas e de remuneração tratadas de forma individual com cada torneio. Embora nomes de peso como a tenista Aryna Sabalenka tenham mencionado a possibilidade de boicote no passado, o movimento unificado optou por apostar na via diplomática, mantendo, contudo, a prerrogativa de retomar protestos públicos caso o conselho não entregue os resultados esperados.

Controle de calendário e o desgaste físico

Além da questão financeira, McEnroe criticou a rigidez do calendário imposta pela ATP e pela WTA, que obriga os atletas a disputarem dezenas de torneios nas categorias Masters 1000, 500 e equivalentes sob pena de penalidades no ranking. Para o ex-tenista, a exigência de participação em alta frequência prejudica o rendimento e a longevidade dos competidores, um problema histórico que se agrava com a evolução física e a velocidade do jogo moderno.

"Eles deveriam jogar o que quiserem. A ideia de que você deve jogar 20 torneios e escolher os seus melhores 15 não traz o melhor dos jogadores", pontuou McEnroe, reforçando que o debate sobre a sobrecarga do calendário persiste há décadas sem uma solução definitiva por parte das entidades dirigentes.

A complexa economia do tênis: por que os jogadores recebem uma fatia menor nos Grand Slams?

Apesar dos seguidos anúncios de premiações recordes e bolsas milionárias distribuídas a cada temporada, a relação financeira entre os atletas e a elite dos torneios de Grand Slam esbarra em um paradoxo estrutural. Enquanto os quatro maiores eventos do circuito global — Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open — geram faturamentos bilionários que ultrapassam US$ 1,5 bilhão anualmente, os tenistas recebem proporcionalmente uma fatia menor de suas receitas em comparação aos demais torneios do calendário e, principalmente, às grandes ligas esportivas profissionais dos Estados Unidos, onde a divisão de lucros costuma girar em torno de 50%.

O repasse destinado aos atletas nos Grand Slams concentra-se historicamente entre 15% e 20% das receitas gerais das organizações responsáveis por cada evento. As entidades gestoras, como a Federação Francesa de Tênis (FFT), o All England Club, a USTA e a Tennis Australia, justificam os percentuais apontando obrigações financeiras que ligas tradicionais de outras modalidades não possuem. Os valores arrecadados financiam o desenvolvimento do tênis de base, subsidiam torneios menores em seus respectivos países, mantêm fundos de apoio a viagens e hospedagem dos atletas e sustentam constantes obras de modernização e infraestrutura nos complexos esportivos.

Além disso, a própria dinâmica de mercado dos Grand Slams afasta qualquer concorrência externa. Diferentemente do futebol ou de eventos como a NFL e os Jogos Olímpicos, cujas sedes e finais podem ser alternadas e disputadas por cidades e clubes interessados, a infraestrutura altamente especializada exigida por torneios de três semanas impede que outras organizações ofereçam propostas alternativas para substituir os quatro pilares históricos da modalidade.

Enquanto iniciativas jurídicas e pressões de grupos de atletas — como as demandas lideradas por tenistas do top-10 e a atuação da Professional Tennis Players’ Association (PTPA) — buscam ampliar a margem de premiação para patamares próximos a 22% até 2030, dirigentes e estrelas do esporte ponderam a complexidade de gerir um calendário global tão fragmentado. O próprio Novak Djokovic reconhece os desafios logísticos e operacionais envolvidos na negociação de cotas fixas, reforçando que o equilíbrio entre investimentos na base do esporte e a valorização financeira dos profissionais no topo continua sendo um dos maiores debates econômicos do tênis moderno.


O que John McEnroe sugeriu para os tenistas?

McEnroe afirmou que os jogadores precisarão realizar um boicote a um ou dois torneios de Grand Slam para conseguirem uma fatia maior das receitas.

Qual é a principal reivindicação financeira dos atletas?

O grupo de tenistas busca elevar a participação nos lucros dos Grand Slams de cerca de 15% para 22% em premiações até 2030.

O que aconteceu com os protestos públicos recentes?

Um grupo de jogadores do top-10 anunciou o fim dos protestos públicos em torneios após a criação de um Conselho de Jogadores dedicado a negociar melhorias com os majors.

Quais outras críticas foram levantadas no circuito?

Além da premiação, atletas e ex-jogadores cobram maior flexibilidade e autonomia no calendário de competições da ATP e da WTA para evitar o desgaste físico excessivo.

Quem venceu a edição recente da Laver Cup citada no evento?

A equipe da Europa (Team Europe) conquistou o título da Laver Cup ao derrotar o Team World por 13 a 5.

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