Globo, Amazon e ESPN adquiriram os direitos de transmissão da Copa do Brasil até 2030. (Rafael Ribeiro/CBF) (Rafael Ribeiro/CBF)
Redator na Exame
Publicado em 10 de setembro de 2026 às 14h51.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) concluiu a venda dos direitos de transmissão da Copa do Brasil para o ciclo compreendido entre as temporadas de 2027 e 2030. Globo, Amazon e ESPN assumirão a exibição do torneio nacional. O acordo, confirmado às partes envolvidas nesta quinta-feira, estabelece um patamar de arrecadação recorde para a entidade organizadora do futebol brasileiro.
O contrato supera a marca de R$ 4 bilhões para os quatro anos de vigência. A arrecadação anual da CBF ultrapassará a quantia de R$ 1 bilhão. Esse montante posiciona a Copa do Brasil em um patamar financeiro superior ao da Copa Libertadores da América, cujos pacotes de transmissão rendem valores próximos a R$ 900 milhões anuais à Conmebol. O Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) participou da concorrência com uma oferta de R$ 150 milhões. A proposta foi recusada pela CBF, que comunicou a decisão aos executivos da emissora paulista no início desta semana, encerrando a negociação. Além do torneio eliminatório, o acordo comercial contempla os direitos da Supercopa do Brasil a partir da edição de 2028, período que marca o fim do contrato vigente da partida de abertura do calendário nacional.
A valorização dos direitos de transmissão resultou da adoção de um modelo de concorrência aberta no mercado. A CBF estruturou a oferta comercial em quatro pacotes distintos, segmentando a operação entre televisão aberta, televisão por assinatura, plataformas de streaming e exibição via YouTube. O Pacote 1 englobava exclusividade na TV aberta. Os Pacotes 2 e 3 contemplavam transmissões integradas em TV aberta, TV por assinatura, streaming e YouTube. O Pacote 4 concentrou os direitos de melhores momentos, permitindo a exibição de resumos na internet e o uso de imagens oficiais em redes sociais.
Uma alteração estrutural na logística operacional acompanha a venda dos direitos de arena. A partir de 2027, a própria CBF assumirá a produção e a geração de imagens de todas as partidas da Copa do Brasil. A mudança retira das emissoras a responsabilidade pela captação visual e centraliza o padrão de transmissão sob o controle da entidade. A confederação também implementará modificações no calendário oficial de jogos. A organização programará confrontos da competição para os finais de semana, ocupando datas aos sábados e domingos, uma medida que altera a tradição do torneio de ser disputado nos meios de semana.
A Globo adquiriu os três primeiros pacotes oferecidos pela confederação, além do pacote de melhores momentos. A empresa de mídia distribuirá os jogos em suas diferentes janelas de exibição: a televisão aberta (TV Globo), a televisão por assinatura (SporTV) e o ambiente digital (GE TV, seu braço no YouTube). O novo contrato amplia a oferta de partidas na TV aberta. A Globo exibirá 14 jogos a partir da quinta fase do torneio. No formato anterior, a emissora transmitia oito confrontos, iniciando a cobertura na fase de oitavas de final. A empresa detém os direitos da competição desde 1998, registrando índices de audiência que superam os do Campeonato Brasileiro e da Libertadores.
A ESPN garantiu os direitos de transmissão para a televisão por assinatura e para a plataforma de streaming. A operação marca o retorno do canal esportivo do grupo Disney ao torneio de mata-mata após um hiato de 11 anos. A emissora exibiu a competição ininterruptamente entre os anos de 2009 e 2016. A viabilidade financeira da proposta elaborada pela ESPN decorreu do redirecionamento de verbas antes destinadas aos direitos do Campeonato Espanhol, que foram adquiridos pela CazéTV. O anúncio formal da parceria pela ESPN ainda aguarda trâmites de governança corporativa exigidos pela matriz da Disney nos Estados Unidos.
A Amazon assegurou os direitos para a transmissão do torneio em sua plataforma de streaming. A empresa de tecnologia exibe a Copa do Brasil desde a temporada de 2022. No ciclo comercial anterior, a operação da Amazon ocorria por meio de um acordo de sublicenciamento firmado com o Grupo Globo. Com o novo processo de licitação estabelecido, a companhia norte-americana deixa a condição de sublicenciada e assina um vínculo direto com a CBF para a exibição das partidas.