João Fonseca: maturidade e potência (Dimitar Dilkoff/AFP)
Editor de Casual e Especiais
Publicado em 1 de junho de 2026 às 06h00.
“Maturidade”. Foi dessa forma que o tenista João Fonseca descreveu o que ele e adversários como o sérvio Dino Prizmic e o tcheco Jakub Mensik, ambos de 20 anos, têm em comum. “Todos podem lidar bem com a pressão, entendem como agir nos pontos importantes.”
A declaração foi dada em uma das coletivas de imprensa desta edição de Roland Garros, torneio que tem em João Fonseca um dos grandes destaques neste ano.
A esta altura, não seria preciso lembrar que o tenista carioca venceu o próprio Prizmic, o sérvio Novak Djokovic, o tenista mais vencedor da história, e o norueguês Casper Ruud, ex-número dois do ranking da ATP, para chegar às quartas-de-final do Grand Slam francês. O Brasil inteiro já sabe disso.
Nessa mesma entrevista, Fonseca lembrou ainda do espanhol Rafael Jodar, de 19 anos, que também está nas quartas-de-final de Roland Garros, e Martin Laudaluce, de 20 anos, que perdeu justamente de Jodar na rodada anterior, como exemplos de jovens tenistas de destaque hoje no circuito.
De fato, se tem algo que Fonseca mostrou na terra batida de Roland Garros, a despeito dos críticos que o consideram supervalorizado, é como ele conseguiu lidar bem com a pressão. Contra Djokovic, talvez o tenista com o maior controle mental que já pisou numa quadra, o brasileiro fechou o jogo com três aces, um deles salvando break point.
Naquela partida na Philippe-Chatrier, o que se via era um Djokovic reclamando constantemente dos pontos perdidos, enquanto Fonseca demonstrava uma concentração fora do comum para os seus 19 anos. O brasileiro tem até incitado menos a torcida nas comemorações, talvez para evitar os excessos nas arquibancadas do Miami Open deste ano. Outro sinal de amadurecimento.
Como Fonseca, Jodar enfrenta a pressão partindo para o ataque, mesmo em desvantagem, como fez contra Laudaluce depois de perder os dois primeiros sets na terceira rodada. Também em Roland Garros, Mensik precisou superar as câimbras para vencer o argentino Mariano Navone com seu potente jogo de saque e direita, em quase cinco horas de jogo. Sem ficar intimidado, sem demonstrar respeito em demasia pelo oponente.
Essa turma que mal completou 20 anos chegou cedo demais no circuito. Perto deles, Jannik Sinner, Carlos Alcaraz, Ben Shelton e Jack Draper, na faixa de 23, 24 anos, parecem veteranos. Sem falar de Alexander Zverev Danill e Medvedev, de 29 e 30 anos, respectivamente.
Pouco a pouco, esses jovens vão galgando posições dentro do top 30, o que já lhes confere posições de cabeça de chave nos torneios de Grand Slam.
A intensidade é outro ponto em comum a essa novíssima geração, com exceção talvez do americano Learner Tien, de 20 anos, de estilo mais defensivo. Os fundamentos mais exigidos deles são o forehand e o serviço. O backhand e a devolução são os pontos de potencial de evolução.
Não por acaso, até agora 28 jogos em Roland Garros já foram disputados em cinco sets. O recorde em todo o torneio é de 32, em 1992. Ou seja, há boas chances desta edição do torneio francês superar essa marca. Somente na terceira rodada, 9 das 16 partidas da chave masculina foram decididas no quinto set, o maior índice de um Grand Slam.
O risco para quem joga com tanta potência é o de lesões. Alcaraz está fora desde o ATP de Barcelona por inflamação no punho e não tem data para voltar. Em 2024, perdeu os torneios de Monte Carlo e Roma por problemas no antebraço.
Sinner perdeu um jogo praticamente ganho contra o argentino Juan Manuel Cerúndolo por exaustão. Entre as gerações passadas, Rafael Nadal, o que batia na bola com maior força, abusando do top spin, sofreu seguidas lesões no pé e no joelho. Resta acompanharmos como vai evoluir essa emergente geração. E, claro, torcer para Fonseca contra Mensik, pelas quartas-de-final de Roland Garros, na próxima terça-feira, 2 de junho.