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Volkswagen vinculará bônus de executivos no comando às metas ESG

A Volkswagen quer atrelar bônus de executivos do alto escalão às metas ambientais, sociais e de governança, cada vez mais valorizadas por investidores

Hans Dieter Poetsch, presidente do conselho da Volkswagen: Volks intensificou seus esforços ESG após o escândalo envolvendo motores a diesel há cinco anos, quando reguladores descobriram uma fraude nos testes de emissões (Bloomberg/Bloomberg)

Hans Dieter Poetsch, presidente do conselho da Volkswagen: Volks intensificou seus esforços ESG após o escândalo envolvendo motores a diesel há cinco anos, quando reguladores descobriram uma fraude nos testes de emissões (Bloomberg/Bloomberg)

LB

Leo Branco

Publicado em 18 de dezembro de 2020 às 16h45.

Com o objetivo de reforçar suas credenciais de sustentabilidade, a Volkswagen quer atrelar bônus de executivos do alto escalão às metas ambientais, sociais e de governança, ou ESG na sigla em inglês, cada vez mais valorizadas por investidores.

A Volks planeja obter a aprovação de acionistas para o sistema de remuneração atualizado durante a assembleia geral anual do próximo ano, disse o presidente do conselho da montadora, Hans Dieter Poetsch, em entrevista à Bloomberg News. A remuneração dos executivos inclui bônus, salário fixo e plano de incentivos de longo prazo vinculado ao desempenho do preço das ações.

“A integração de critérios ESG nos cálculos de bônus para nosso conselho de administração oferece incentivos concretos para buscar as metas de sustentabilidade que delineamos”, disse Poetsch. O avanço das iniciativas ESG será monitorado por meio de métricas-chave, como descarbonização interna e índices de diversidade, disse.

O anúncio ocorre quando um número crescente de empresas financeiras, de bancos a firmas de private equity, tenta reorganizar seus negócios e carteiras para um futuro amplamente livre de combustíveis fósseis.

Embora a medida siga passos semelhantes da BMW e da fabricante de autopeças Continental, as implicações dos esforços ambientais da montadora líder em vendas mundiais são enormes. A empresa tem 125 fábricas em países como Brasil e China e estima que, sozinhos, seus carros respondam por 1% das emissões globais de dióxido de carbono. O grupo se comprometeu a se tornar neutro em carbono até 2050, em uma grande revisão de estratégia focada na fabricação da maior frota de carros elétricos do setor.

A Volks incluiu metas ESG em seus objetivos estratégicos e calcula bônus usando uma série de fatores, como o desempenho operacional do grupo e, no futuro, também melhorias sob critérios ESG. O CEO da montadora, Herbert Diess, recebeu bônus de pouco mais de 3 milhões de euros (US$ 3,7 milhões) no ano passado, quase o dobro da maioria dos membros do conselho de administração.

“O mercado começa a ver o desempenho ESG como positivamente correlacionado com o desempenho financeiro e a pensar no ESG como um potencializador dos retornos de investimento, em vez de algo que exige uma troca”, disse Richard Butters, analista da Aviva Investors, em relatório no mês passado.

A Volks intensificou seus esforços ESG após o escândalo envolvendo motores a diesel há cinco anos, quando reguladores descobriram uma fraude generalizada nos testes de emissões. Larry D. Thompson, que liderou o processo do governo dos Estados Unidos contra a Enron e, em setembro, concluiu um período de supervisão da Volks como parte de um acordo judicial com o Departamento de Justiça, disse que a empresa pode representar “um sucesso de ética, integridade e conformidade de longo prazo e sustentável”.

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