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Nova unidade em Goiânia é erguida do zero em terreno cedido pelo governo de Goiás e deve ficar pronta até o final de 2026 (Divulgação)
Repórter de ESG
Publicado em 14 de agosto de 2026 às 06h00.
Última atualização em 14 de agosto de 2026 às 18h41.
Nove casas de apoio, 17 espaços e o dobro de famílias atendidas por ano. Esse é o plano de expansão da Casa Ronald McDonald no Brasil até 2030, revelado em primeira mão à EXAME.
A aposta já começa a sair do papel em Goiânia, onde a organização ergue a maior unidade da rede na América Latina e a primeira construída do zero de forma 100% sustentável.
A organização integra a rede global Ronald McDonald, presente em 62 países, e atua há 27 anos no país oferecendo hospedagem, alimentação e transporte a famílias que precisam se deslocar de suas cidades de origem para tratar filhos com doenças graves.
Historicamente, o apoio era destinado ao câncer infanto-juvenil, e, desde um reposicionamento em maio deste ano, passou a incluir outras condições de alta complexidade, como cardiologia, neurologia e nefrologia.
A mudança também alterou a identidade da marca, que deixou de se apresentar como instituto e passou a adotar o nome Casa Ronald McDonald Brasil, seguindo um padrão global do movimento de impacto social.
O público-alvo é quem enfrenta meses ou anos de tratamento longe de casa, sem condições de arcar com os custos de estadia e deslocamento.
Atualmente, a ONG opera seis casas e 11 espaços no país, atendendo cerca de 9 mil famílias por ano.
"Nosso sonho é que nenhuma família deixe de fazer o tratamento porque não tem suporte", diz Mariana Gomes, gerente de Parcerias Estratégicas e Relacionamento da Casa Ronald McDonald Brasil, em entrevista à EXAME.
É essa missão que sustenta a expansão de 2026 e a mesma lógica por trás do investimento mais ambicioso em mais de duas décadas de presença no Brasil: uma casa de 2 mil m² erguida do zero ao lado do Hospital Cora, em Goiânia, com inauguração prevista até o fim do ano.
Sob critérios de sustentabilidade, a unidade nasce com madeira engenheirada, telhado verde, reaproveitamento de água, energia solar e um projeto de climatização pensado para reduzir a dependência de ar-condicionado.
Segundo a gerente de parcerias estratégicas e relacionamento, as demais casas da rede foram adaptadas em estruturas já existentes, enquanto a nova está em construção em um terreno cedido pelo governo de Goiás, o que permitiu o projeto nascer do zero.
A executiva destaca que as outras duas previstas para este ano ainda não têm data definida, mas a organização já mapeia São Paulo como prioridade, dado o volume de hospitais de tratamento oncológico e de alta complexidade concentrado na capital.
A escolha de Goiânia também não foi aleatória. Segundo Mariana, havia uma migração relevante de pacientes goianos para tratamento em outros estados, sobretudo no Sudeste.
"O ideal é que a pessoa doente não precisa sair da sua região. A gente sempre vai acompanhando muito de perto a questão da demanda, a necessidade do hospital", explica. A nova unidade vai atender famílias em tratamento no Hospital Cora, inaugurado no ano passado.
A construção e a manutenção da unidade de Goiânia dependem, em boa parte, da 38ª edição do McDia Feliz, marcada para 22 de agosto e que se consolida a principal ponte de arrecadação da Casa Ronald McDonald, que tem como maior patrocinadora a MBRF.
Neste ano, a campanha vai apoiar 69 projetos em 49 instituições em todas as regiões do país, cobrindo desde diagnóstico precoce e capacitação de profissionais de saúde até hospedagem, aquisição de equipamentos hospitalares e suporte às famílias durante o tratamento.
O McDonald's é o maior parceiro da campanha, mobilizando franqueados e colaboradores durante o ano inteiro para movimentar recursos em um único dia.
A venda do ticket do Big Mac custa R$ 21, com desconto de 50% em marcas parceiras e pode ser antecipada até a data pelo site oficial, ou feita no dia, no balcão, pelo aplicativo ou pelo iFood.
Entre os parceiros de venda estão Nubank, Shopee, Ri Happy, Inter, Sympla, Shopping Livelo e Vivo Valoriza. Em 2025, a campanha arrecadou R$ 24,3 milhões.
No caso de Goiânia, essa lógica se intensifica: tudo que for arrecado pelo McDia Feliz no estado de Goiás é destinada especificamente à nova casa, tanto para concluir a obra quanto para sustentar a operação depois de pronta.
A sustentabilidade também se conecta a uma agenda mais ampla do McDonald's: a rede mantém a plataforma Receita do Futuro, dedicada a iniciativas ambientais da rede.
"A casa de Goiânia vai ser o grande case, porque vai nascer sustentável e vai nos ajudar a expandir essas práticas para as demais que já existem", projeta Mariana.
O modelo remonta a 1974, na Filadélfia, nos EUA, quando uma médica hospitalar identificou que famílias abandonavam tratamentos porque não conseguiam se manter perto do hospital durante meses de internação.
Ela passou a hospedar essas pessoas em sua própria casa e em residências próximas, até que um franqueado local do McDonald's, que a conhecia, propôs uma campanha para arrecadar recursos e viabilizar uma casa de apoio permanente. A ideia partiu de uma promoção de milkshakes, sem qualquer relação com os produtos hoje associados à marca, como o Big Mac.
Com o dinheiro arrecadado, a médica fundou a primeira casa e batizou-a de Ronald McDonald House, em homenagem ao franqueado.
Mais de cinco décadas depois, a organização está presente em 62 países, com 380 casas e sete delas, em breve, no Brasil.