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Apresentado por BRAZIL HOUSE 2026

Entenda por que a transição energética passa pela Amazônia

Em Davos, especialistas e executivos discutem como conciliar minerais críticos, floresta em pé e desenvolvimento social na região

Robert Muggah	Co-founder, Anderson Baranov, Tasso Azevedo, Grazielle Parenti, e Carlos Nobre: juntos para debater as soluções para a Amazônia (BRAZIL HOUSE 2026/Divulgação)

Robert Muggah Co-founder, Anderson Baranov, Tasso Azevedo, Grazielle Parenti, e Carlos Nobre: juntos para debater as soluções para a Amazônia (BRAZIL HOUSE 2026/Divulgação)

EXAME Solutions
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Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 14h08.

A relação entre Amazônia e transição energética entrou de vez na agenda econômica global. Em painel realizado na Brazil House, em Davos, o foco esteve nos caminhos para alinhar demanda por minerais críticos, preservação ambiental e inclusão social.

O painel “Soluções para a Floresta Amazônica: mineração responsável, bioeconomia e crescimento inclusivo” foi aberto pelo climatologista Carlos Nobre, que contextualizou o peso estratégico da região após a COP30, realizada pela primeira vez em território amazônico.

Para o cientista, levar a conferência à Amazônia teve um valor simbólico e político inegável, ainda que os resultados tenham ficado aquém da urgência climática. “Se retirássemos a Amazônia do planeta, a temperatura global subiria cerca de 0,25°C. Não existe estratégia climática viável sem essa floresta”, afirmou.

Grazielle Parenti, VP de Sustentabilidade da Vale: para a executiva, questão não é se a mineração deve existir, mas qual mineração o Brasil quer construir (BRAZIL HOUSE 2026/Divulgação)

O legado da mineração em debate

Representando a Vale, a vice-presidente executiva de Sustentabilidade Grazielle Parenti colocou a mineração no centro de uma discussão mais ampla sobre legado. “Tudo o que vemos na economia vem da agricultura ou da mineração. Quando falamos de descarbonização, de inteligência artificial ou de transição energética, estamos falando de minerais”, disse. A questão, segundo ela, não é se a mineração deve existir, mas qual mineração o Brasil quer construir.

Parenti trouxe exemplos internacionais para provocar a reflexão sobre planejamento de longo prazo. “A pergunta que precisamos responder é: que legado vamos deixar? Não apenas em dinheiro, mas em desenvolvimento territorial, social e econômico, pensando nos próximos 100 anos”, afirmou.

Em outro momento, a executiva foi direta ao tratar do papel corporativo na Amazônia: “O Brasil tem muita regulação. O desafio não é cumprir a lei, mas decidir até onde queremos ir em termos de responsabilidade, de compliance, de filantropia e de articulação com governos e outras empresas”, disse Parenti.

Ela destacou ainda a atuação da Vale em Carajás, no Pará, onde 97% da área sob influência da operação permanece protegida em parceria com o ICMBio. “Para proteger a floresta, primeiro precisamos entendê-la. É por isso que investimos em ciência, no Instituto Tecnológico Vale, em Belém, com pesquisadores, mestres e doutores estudando biodiversidade, espécies e genética. Falar de floresta é fácil; conhecê-la profundamente é o verdadeiro desafio”, afirmou.

Amazônia: centro do clima e da água

Fundador do MapBiomas, o cientista Tasso Azevedo reforçou que a Amazônia não é apenas um ativo ambiental, mas um pilar do equilíbrio climático e hídrico da América do Sul. “A pergunta central é: de quanta floresta precisamos? Não pode ser menos de 80%”, alertou. Segundo ele, mesmo mantendo esse patamar, já há regiões com queda na evapotranspiração e na disponibilidade de água, o que afeta diretamente agricultura e geração de energia.

Azevedo destacou o aparente paradoxo entre mineração e preservação. “É contraintuitivo, mas a mineração ocupa uma parcela muito pequena do território e é fundamental para a transição energética. O problema central está na mineração ilegal, especialmente do ouro, que gera impactos ambientais e sociais desproporcionais”, afirmou.

O cientista Tasso Azevedo, do MapBiomas: para ele, problema central está na mineração ilegal, especialmente do ouro (BRAZIL HOUSE 2026/Divulgação)

O olhar da indústria

Para Anderson Baranov, CEO da Norsk Hydro, a COP30 deixou um legado importante ao colocar pessoas no centro do debate. “A infraestrutura de Belém mudou, mas o mais importante foi ver indígenas, quilombolas e a sociedade civil participando ativamente. Clima é fundamental, mas as pessoas também são”, disse.

Baranov destacou os investimentos da companhia em descarbonização. “Desde 2022, investimos bilhões para reduzir as emissões das operações, com energia solar, eólica e uma matriz cada vez mais limpa. Somos grandes consumidores de energia e temos responsabilidade sobre o sistema”, afirmou.

Ele citou ainda iniciativas de economia circular, como o uso dos resíduos do caroço de açaí como biomassa para geração de energia térmica nas operações da Hydro, substituindo combustíveis fósseis e reduzindo emissões. A solução, desenvolvida em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), transforma um passivo ambiental em fonte renovável de energia e renda na Amazônia.

Robert Muggah, cofundador do Instituto Igarapé: alerta para conflitos, informalidade e crime organizado na região amazônica (BRAZIL HOUSE 2026/Divulgação)

Pressões, ilegalidade e governança

O pesquisador Robert Muggah, cofundador do Instituto Igarapé, trouxe um alerta sobre as pressões crescentes na região. “A Amazônia está se tornando uma nova fronteira econômica, mas também uma fronteira de conflitos, informalidade e crime organizado”, disse.

Segundo ele, a mineração ilegal — especialmente de ouro — está profundamente conectada a redes criminosas transnacionais, o que representa não apenas um risco ambiental, mas também reputacional para todo o setor.

Muggah defendeu mais transparência, rastreabilidade e governança. “Colocar as pessoas no centro, garantir participação real de comunidades indígenas e locais e fortalecer o Estado são condições básicas para qualquer modelo sustentável”, afirmou.

Ao longo do painel, ficou claro que não existe solução simples para a Amazônia. Mineração, bioeconomia, conservação e desenvolvimento social precisam caminhar juntos, em um território marcado por desigualdades históricas, riqueza natural e pressões globais crescentes. Como resumiu Carlos Nobre ao encerrar a discussão, “sem uma Amazônia viva, a transição energética não será possível.”

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