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A revolução verde da Fórmula 1: novos carros prometem cortar até 60% das emissões

Pela primeira vez na história da maior competição automobilística do mundo, motores usarão combustível sem origem fóssil, combinando eletrificação e maior eficiência energética

A temporada de 2026 começa neste fim de semana, em Melbourne, na Austrália

A temporada de 2026 começa neste fim de semana, em Melbourne, na Austrália

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 5 de março de 2026 às 18h30.

Última atualização em 5 de março de 2026 às 19h00.

Durante décadas, a Fórmula 1 foi um espetáculo de velocidade, mas também de alto consumo de gasolina e poluição.

Agora, a maior competição de automobilismo do mundo quer provar que desempenho e sustentabilidade podem caminhar juntos e sem perder a essência que atrai milhões de pessoas a cada edição.

A temporada de 2026 marca uma das maiores transformações históricas da categoria e começa já neste fim de semana, com o Grande Prêmio da Austrália, disputado no circuito de Albert Park, em Melbourne.

O novo regulamento passa a exigir que os carros operem com combustível 100% sustentável, sem origem fóssil, além de ampliar a eletrificação dos motores e adotar um design mais eficiente.

A expectativa é que essas mudanças permitam reduzir em até 60% as emissões de gases de efeito estufa dos veículos, um avanço significativo rumo à meta da Fórmula 1 de se tornar carbono zero em toda operação até 2030.

Na prática, os motores V6 continuarão presentes, mas deixarão de usar gasolina convencional. Em seu lugar, entra um combustível sustentável, produzido a partir de matérias-primas como resíduos agrícolas, algas ou até a captura de carbono da atmosfera.

A inovação, porém, tem custo elevado. Estimativas indicam que um [grifar]litro desse combustível pode chegar a R$ 1.550. Com o amadurecimento do mercado e produção em escala, o setor energético espera que o preço caia nos próximos anos, assim como aconteceu com painéis solares e baterias de veículos elétricos.

Mesmo assim, especialistas acreditam que o desenvolvimento desse tipo de combustível é estratégico, especialmente para setores intensivos em energia em que a eletrificação total ainda enfrenta desafios — como aviação, transporte marítimo e parte da frota automotiva.

Investir com sustentabilidade

Para chegar lá, a marca investe fortemente em tecnologia e inovação. Desde 2014, a competição utiliza unidades de potência que combinam motor a combustão e eletrificação.

Na época, a mudança chamou atenção pelo som mais silencioso dos carros, um contraste com o barulho estrondoso que o público havia se acostumado.

Neste ano, o conceito híbrido avança ainda mais e metade da potência dos carros virá da eletricidade. As baterias terão maior capacidade de armazenamento de energia e permitirão aos pilotos usar o impulso elétrico de forma estratégica.

Além de aumentar a eficiência energética, a eletrificação reduz a dependência do motor a combustão e atua em conjunto com o novo biocombustível para formar um sistema mais limpo e com menor pegada de carbono. 

Etanol ganha espaço e Brasil lidera

Os biocombustíveis também ganham protagonismo nesta nova era verde da Fórmula 1.

Desde 2022, os carros já utilizam 10% de etanol na mistura de combustível. A partir de 2026, essa participação aumenta para 20%.

E o Brasil está em posição de liderança: segundo maior produtor de etanol do mundo e líder absoluto na produção a partir da cana-de-açúcar, uma vantagem competitiva que agora se torna ativo valioso em um mundo que busca alternativas viáveis para se descarbonizar.

Para especialistas, ver o etanol brasileiro abastecer os "carros mais rápidos do planeta" é também um sinal positivo de mercado rumo à sustentabilidade. 

Carros menores, leves e mais eficientes

Outro ponto que chama a atenção é o design: a nova geração será menor, mais leve e mais ágil nas pistas. Em média, os veículos terão 10 centímetros a menos de largura, 20 centímetros a menos de comprimento e serão cerca de 30 quilos mais leves.

O regulamento também introduz aerodinâmica ativa. As asas dianteira e traseira passam a ser móveis, permitindo ajustar o fluxo de ar para melhorar a eficiência e o desempenho ao longo da corrida.

O tradicional sistema de ultrapassagem conhecido como DRS será substituído por novos modos de potência elétrica, como o Boost Mode e o Overtake Mode, que ampliam o papel da estratégia e da gestão de energia durante as disputas.

Laboratório de inovação

Um dos objetivos da Fórmula 1 é atuar como um "laboratório de inovação" para toda a indústria automotiva, visando inspirar o setor a adotar soluções mais verdes. 

Sistemas de recuperação de energia cinética, materiais de carbono ultraleves e o gerenciamento eletrônico do motor são tecnologias que nasceram nas pistas da F1 e hoje estão presentes em carros de rua.

A aposta desta nova fase é que biocombustíveis e gestão inteligente de energia sigam o mesmo caminho de menor impacto ambiental. 

Ao apostar em eletrificação, biocombustíveis e combustíveis sustentáveis, a categoria tenta acelerar soluções que podem ajudar a reduzir emissões no setor de transportes, responsável por cerca de um quarto das emissões de carbono globais.

Em um momento em que governos e empresas buscam alternativas, a competição quer mostrar que até o esporte mais rápido do mundo pode entrar na corrida pela descarbonização. 

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