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Secretário do Tesouro dos EUA sugere que Europa descarte represálias por Groenlândia

Em Davos, Scott Bessent defendeu desregulamentação, a força da economia americana e citou o papel estratégico da Groenlândia

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 14h29.

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O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, recomendou que a União Europeia evite retaliações após declarações do presidente Donald Trump sobre o interesse em anexar a Groenlândia. A afirmação foi feita nesta terça-feira, 24, durante o Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça.

Segundo Bessent, a Groenlândia é estratégica para os Estados Unidos por abrigar parte do sistema de defesa antimísseis conhecido como Golden Dome, em tradução livre, “Cúpula Dourada”, projetado para conter ataques com mísseis intercontinentais. Ele sugeriu que a União Europeia "respire fundo" e permita que a situação se resolva sem adotar medidas de resposta imediatas.

Em sua fala, o secretário reforçou o compromisso dos Estados Unidos em avançar com o acordo comercial com a União Europeia, embora tenha classificado o bloco como o "epicentro do grande emaranhado regulatório". Bessent defendeu um processo de desregulamentação inspirado na política econômica adotada pelo governo Trump nos EUA, apontando "resultados muito positivos", sem especificar dados comparativos.

Fortalecimento dos EUA

Bessent também destacou que a economia dos Estados Unidos apresenta sinais de aceleração e mencionou a expectativa do governo de reduzir o déficit fiscal para 3% do Produto Interno Bruto (PIB) antes do fim do atual mandato presidencial. A projeção foi usada como evidência de fortalecimento econômico, segundo o secretário.

No plano institucional, o secretário minimizou a possibilidade de reversão das diretrizes econômicas da Casa Branca, mesmo com a atuação do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell, que anunciou intenção de acionar a Suprema Corte para preservar a autonomia da instituição diante de pressões do Executivo.

Desafios na política externa

Outro ponto abordado por Bessent foi a atuação dos Estados Unidos na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), afirmando que a aliança militar "nunca esteve tão segura como agora", atribuindo o momento ao papel desempenhado por Trump.

Ao comentar temas de política externa, o secretário afirmou que os Estados Unidos não desejam repetir um caso como o de Diego Garcia – território britânico no oceano Índico que, segundo decisão da Corte Internacional de Justiça, deveria ter sido devolvido à soberania de Maurício em 2019. A referência serviu para rebater críticas sobre intenções expansionistas.

Em relação à Ásia, Bessent lamentou a escalada de tensões entre China e Japão, descrevendo o cenário como uma "escaramuça" entre duas das maiores economias do continente. Apesar da aliança próxima com Tóquio, o secretário alegou que os Estados Unidos são "imunes às ameaças da China" no campo econômico.

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