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Sustentabilidade, urgência que não é uma prioridade

Encontros como o ESG Summit Europe têm reforçado a necessidade de diálogo em todas as dimensões da sustentabilidade e estratégias alinhadas com a complexidade dos desafios que enfrentamos

ONARA OLIVEIRA DE LIMA (Histórias de Sucesso/Reprodução)

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Publicado em 2 de novembro de 2024 às 06h30.

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Por Onara Lima*

Após dias intensos participando do ESG Summit Europe, que aconteceu em Madrid, no início de outubro, o foco esteve na perspectiva prática de como conectar o olhar global com o Brasil, com equilíbrio e a realidade que nos cerca. Neste sentido, um tema fortemente debatido, que nos afeta diretamente, foram as commodities e sua representatividade comercial no mundo, num cenário de Brasil marcado por desafios e oportunidades.

Em relação às commodities, somos um grande produtor e exportador, com uma economia de base primária e uma enorme diversidade geográfica, que tem implicações diretas das questões climáticas, e a necessidade de uma economia que tenha capacidade de inserir o olhar regenerativo em seus processos, inovação e tecnologia, sem esquecer das questões regulatórias de cada país. Bem como, estar atentos ao potencial das Soluções Baseadas na Natureza (NBS).

A armadilha do carbono

Como focar apenas nas emissões/crédito de carbono é enganoso e não resolverá os maiores desafios da sustentabilidade, trouxeram outros debates quanto a amplitude do tema e seus pilares ESG, em um mundo onde a sustentabilidade já não é um tema de nicho confinado aos departamentos de responsabilidade socioambiental corporativa.

É uma conversa que todos “parecem ter”. Entretanto, isso não significa que de fato impactos, riscos e oportunidades foram compreendidos com a capacidade de inserir na estratégia, levando em consideração o fundamento do negócio, conectando desde os decisores políticos às empresas, dos consumidores aos empregados, investidores e sociedade. Pois é necessário estabelecer uma boa matriz de stakeholders e como demonstrar o valor que o seu negócio é capaz de gerar.

O desafio é mensurar o real valor percebido e as expectativas entre multi-stakeholder.

Os verdadeiros desafios da sustentabilidade abrangem questões nada triviais de serem solucionadas, e não existirá uma bala de prata, pois estamos falando de questões complexas e interligadas. Vivemos num mundo que enfrenta o consumo excessivo, a perda acelerada da biodiversidade, a escassez de água, o desperdício de alimentos e a fome, o curto-prazismo, estamos falando de uma lista não exaustiva.

Embora estas questões contribuam para as emissões de carbono de várias maneiras, são problemas que não serão resolvidos apenas com o combate às emissões. A relevância da educação e informação expandida neste contexto, será um caminho obrigatório e, para construir um futuro verdadeiramente sustentável, é fundamental expandirmos a narrativa. As pessoas devem ser informadas sobre todo o espectro de crises ambientais, especialmente aquelas que recebem menos atenção.

A pergunta é como estamos encarando essas realidades, que não são um problema do futuro, como a escassez de água, já um enorme problema global que afeta milhões de pessoas, mas não recebe nem de perto o mesmo nível de atenção que as emissões de carbono. Da mesma forma, os resíduos e o consumo excessivo de recursos são desafios planetários que afetam tudo, desde os ecossistemas à saúde humana, veja o exemplo da COP16 focada em biodiversidade, tema que precisa ser tratado com a máxima relevância.

Não podemos continuar com esse olhar “míope”, e deixar que esses temas continuem sendo subestimados nos principais diálogos sobre sustentabilidade, devemos pressionar e contribuir para ampliar esta conversa. Ao promover o diálogo em torno de todas as dimensões da sustentabilidade, podemos garantir que a atenção pública, as estratégias organizacionais e os esforços profissionais estejam alinhados com a complexidade dos desafios que enfrentamos.

Não poderia encerrar esse artigo, sem compartilhar um ponto que me impressionou positivamente no ESG Summit Europe 2024: a capacidade de proporcionar debates pragmáticos, com um alto nível de transparência e capacidade de pensar como economia global, para além de seus próprios negócios ou setores representados nos painéis ou palestras.

Nomes reconhecidos como John Elkington, que reforçou o quanto o tema sustentabilidade é evolutivo e que precisa ser pauta estratégica para além da gestão de riscos, conectar a demanda de mercado e oportunidades. E com a seguinte provocação:  o valor do sistema está em quando as empresas atendem às necessidades sociais e ambientais de uma forma holística, sem impedir o progresso em direção a um futuro economicamente próspero.

Ainda foram destacados temas como a necessidade de mais transparência e qualidade nos dados reportados pelas empresas. Para potencializar as tendências humanas, estratégias eficazes de sustentabilidade devem considerar como os seres humanos são influenciados e encaram temas evolutivos que nos desafiam, sem trabalhar contra algo que já é um fato.

A compreensão pragmática e funcional da necessidade de repensar o jeito de fazer negócios de forma estrutural, envolve para além das políticas públicas, a capacidade de internalizar os chamados “riscos intangíveis” ou as “externalidades” para a matriz de riscos e estratégia do negócio, com olhar setorial, visão macro global para antecipar tendências quanto ao comportamento da demanda, em especial, o mercado de capitais.

Temos musculatura e estamos preparados para encarar a maratona e seus obstáculos que nos levará ao futuro?

*Onara Lima é founder e diretora da ESG Advisory

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