Redação Exame
Publicado em 25 de abril de 2026 às 10h36.
Última atualização em 25 de abril de 2026 às 10h37.
A demissão do secretário da Marinha dos Estados Unidos, John Phelan, nesta semana, é o episódio mais recente de uma série de exonerações de altos oficiais militares promovidas pelo presidente Donald Trump em seu segundo mandato.
A reformulação da cúpula da Defesa americana chama atenção pelo volume e pelo momento em que acontece. Mudanças dessa magnitude são incomuns na história recente dos EUA, especialmente durante um cenário de conflito no Oriente Médio e da guerra contra o Irã, quando a demanda operacional das Forças Armadas costuma exigir estabilidade no comando.
Embora algumas saídas tenham ocorrido sem justificativa oficial, outras foram associadas a disputas internas, divergências políticas e críticas ao que aliados de Trump classificaram como excesso de políticas de diversidade na gestão anterior.
A seguir, os principais nomes afastados por Trump e por seu secretário de Defesa, Pete Hegseth.
Guerra no Irã impulsiona dólar e reduz apostas em corte de juros nos EUAJohn Phelan, à direita na imagem (Reprodução/Redes Sociais)
Secretário da Marinha dos EUA, John Phelan foi demitido após meses de atritos com a cúpula do Pentágono.
Segundo autoridades ouvidas pelo Wall Street Journal, a tensão aumentou quando ele apresentou diretamente a Trump a proposta de um novo navio de guerra, sem passar por Hegseth, seu superior direto. O gesto irritou a liderança militar e aprofundou o desgaste político.
Doador da campanha republicana, Phelan não tinha experiência militar nem histórico de liderança civil na Marinha antes de ser indicado ao cargo.
Randy George saiu em meio à escalada no Oriente Médio (U.S. Army photo by Sgt. 1st Class Michael Sword)
Chefe do Estado-Maior do Exército, Randy George foi demitido em 2 de abril por Hegseth, sem explicação oficial.
Segundo dois oficiais americanos, a decisão esteve ligada a tensões entre o secretário de Defesa e o secretário do Exército, Daniel Driscoll.
A exoneração ocorreu enquanto os EUA reforçavam sua presença militar no Oriente Médio, em meio à guerra entre EUA, Israel e Irã.
Na mesma leva, também foram dispensados o general David Hodne, responsável pelo Comando de Transformação e Treinamento do Exército, e o major-general William Green, chefe do Corpo de Capelães.
Timothy Haugh foi dispensado na demissão em massa na segurança nacional (Reprodução/Redes Sociais)
General e diretor da Agência de Segurança Nacional (NSA), Timothy Haugh foi demitido por Trump em 3 de abril de 2025.
A exoneração fez parte de uma onda de dispensas que atingiu mais de uma dúzia de funcionários do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, segundo fontes ligadas ao governo.
Nenhum motivo oficial foi apresentado.
Empresas MAGA têm forte influência política, mas estão derretendo na bolsaCharles Q. Brown foi indicado por Joe Biden (Reprodução/Redes Sociais)
Chefe do Estado-Maior Conjunto e principal conselheiro militar uniformizado do presidente, o general da Força Aérea Charles Q. Brown foi demitido em 21 de fevereiro de 2025.
Indicado por Joe Biden, Brown era o segundo oficial negro a ocupar o posto mais alto da hierarquia militar americana e tinha mandato previsto até setembro de 2027.
Sua saída ocorreu um dia depois de Trump criticar nomeações ligadas, segundo ele, a "questões de diversidade" no governo anterior.
Na mesma reformulação, outros cinco almirantes e generais também foram afastados.
Lisa Franchetti foi a primeira mulher no comando da Marinha (Tom Williams/CQ-Roll Call, Inc/Getty Images)
A almirante Lisa Franchetti, chefe de operações navais, também foi demitida junto com Brown.
Ela foi a primeira mulher a liderar um ramo das Forças Armadas dos EUA, comandando a Marinha americana.
Sua saída reforçou a mudança de direção promovida por Trump na liderança militar.
'O mundo virou um cassino', diz Trump, sobre mercado de previsõesJeffrey Kruse foi demitido em agosto de 2025 (Divulgação/Air Force USA)
Tenente-general e chefe da principal agência de inteligência do Pentágono, Jeffrey Kruse foi demitido por Hegseth em 22 de agosto de 2025.
Na mesma decisão, também foram ordenadas as remoções do chefe da Reserva da Marinha e do comandante do Comando de Guerra Naval Especial.
Assim como em outros casos, não houve justificativa oficial.
Linda Fagan foi a primeira mulher a liderar a Guarda Costeira (Getty Images)
Comandante da Guarda Costeira, Linda Fagan foi demitida em 21 de janeiro de 2025, no primeiro dia completo do segundo mandato de Trump.
Primeira mulher a liderar a força, Fagan foi alvo de críticas por seu foco considerado "excessivo" em políticas de diversidade, equidade e inclusão, segundo um oficial ouvido sob condição de anonimato.
Ela comandava a Guarda Costeira desde 2022 e tinha uma longa trajetória internacional, com passagens por operações na Antártica, África, Ásia e Europa.
*Com informações da Reuters