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Super El Niño em 2026 coloca à prova a preparação do Brasil para eventos extremos

Conheça as evidências da ampliação dos impactos do fenômeno pelas mudanças climáticas

El Niño: extremos de chuva, seca e temperatura em 2024 ajudam a dimensionar os riscos de um novo evento em 2026.

El Niño: extremos de chuva, seca e temperatura em 2024 ajudam a dimensionar os riscos de um novo evento em 2026.

Publicado em 10 de setembro de 2026 às 15h00.

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O El Niño é um fenômeno climático natural, caracterizado pelo aquecimento anormal do Oceano Pacífico tropical, que influencia o clima em escala global. No Brasil, o evento aumenta a probabilidade de secas nas regiões Norte e Nordeste e favorece fortes acumulados de chuva no Sul. Em um contexto de mudanças climáticas, seus impactos tendem a ser cada vez mais severos.

A NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) indica 95% de probabilidade de um evento "muito forte” a partir do segundo semestre de 2026, com 69% de chance de se enquadrar entre os mais fortes registrados desde 1950. Nesse contexto, olhar para os eventos de 2024 não é apenas um exercício retrospectivo, mas uma oportunidade de compreender como as mudanças climáticas têm amplificado os impactos do El Niño e de orientar o planejamento para os desafios que se aproximam.

Em 2024 ocorreu um dos cinco episódios de El Niño mais intensos já registrados, com consequências devastadoras em todo o país. Ao longo do ano, registros mensais de temperaturas acima da média histórica e ondas de calor severas, com temperaturas máximas superiores a 44°C, classificaram 2024 como o ano mais quente já registrado. No extremo oposto, a região Sul do Brasil enfrentou ondas de frio e neve, com recordes de baixas temperaturas (-4,6°C).

Os índices pluviométricos também refletiram a severidade do evento. No Rio Grande do Sul, as inundações de maio de 2024 configuraram o maior desastre natural da história do estado, com acumulados de chuva de até 700 mm nos primeiros treze dias. As consequências foram devastadoras: 2,4 milhões de afetados, 183 mortes, 27 desaparecidos e cerca de 200 mil desalojados ou desabrigados. A escassez hídrica também atingiu níveis sem precedentes, sendo que 25% dos municípios brasileiros foram afetados por condições de seca severa, extrema ou excecional. No Norte e Centro-Oeste, os déficits de precipitação variaram de 200 a 400 mm em relação à média, e em Brasília foram registrados 155 dias consecutivos sem chuva, o segundo maior período da história.

Esses impactos se manifestaram de forma igualmente expressiva sob a perspectiva econômica. Ao longo de 2024, 578 municípios brasileiros registraram danos e prejuízos que somaram aproximadamente R$ 21 bilhões, distribuídos entre perdas materiais (53%), relacionadas às habitações e à infraestrutura, e perdas econômicas (47%), que afetaram os setores público e privado.

Os impactos observados em 2024 evidenciam uma nova realidade climática que potencializa fenômenos naturais, como o El Niño. Esse cenário reforça a necessidade de incorporar a gestão de riscos ao processo de tomada de decisão, com políticas públicas que integrem cenários climáticos, métricas de risco e estratégias voltadas à redução de perdas. Afinal, a resiliência climática não se constrói esquecendo o passado, mas transformando suas lições em decisões para o futuro.

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