ESG

Oferecimento:

LOGO SITE YPÊ
LOGO SITE COPASA
LOGO SITE COCA COLA FEMSA
LOGO SITE AFYA
LOGO SITE PEPSICO

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

Sem árvores, cidades seriam duas vezes mais quentes, diz estudo global

Pesquisa da The Nature Conservancy analisou 9 mil cidades e mostra que a cobertura arbórea mitiga quase metade do efeito de ilha de calor — mas se concentra onde menos faz falta

A cobertura arbórea atual e futura será capaz de mitigar apenas entre 9% e 10% do aumento de temperatura projetado pelas mudanças climáticas até 2050 (Leandro Fonseca/Exame)

A cobertura arbórea atual e futura será capaz de mitigar apenas entre 9% e 10% do aumento de temperatura projetado pelas mudanças climáticas até 2050 (Leandro Fonseca/Exame)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 16 de maio de 2026 às 07h58.

O ar-condicionado mais eficiente das cidades não está nos edifícios. Está nas calçadas — ou melhor, no que cresce dentro delas.

Um estudo inédito publicado na revista Nature Communications, liderado pela The Nature Conservancy (TNC), revelou que as árvores urbanas são responsáveis por mitigar quase metade do efeito de ilha de calor nas cidades: sem elas, as temperaturas nas áreas urbanas seriam duas vezes mais altas do que são hoje.

A pesquisa analisou dados de quase 9.000 grandes cidades ao redor do mundo, que juntas abrigam cerca de 3,6 bilhões de pessoas. O resultado é que a cobertura arbórea atual neutraliza aproximadamente 48,6% do chamado efeito de ilha de calor urbana — fenômeno que ocorre quando superfícies artificiais como asfalto, concreto e estacionamentos absorvem e liberam calor, fazendo com que áreas urbanas aqueçam muito mais do que as regiões rurais ao redor.

Mais de 200 milhões de moradores urbanos no mundo vivem em bairros onde as árvores já reduzem a temperatura do ar em pelo menos 0,5°C. O número parece pequeno isolado, mas quando extrapolado para milhares de cidades e bilhões de pessoas — em um cenário de temperaturas globais cada vez mais extremas — representa uma diferença concreta entre conforto e risco à saúde.

O resfriamento está no lugar errado

O estudo traz um dado que deveria preocupar gestores públicos e empresas com compromissos ESG: o efeito refrescante das árvores está concentrado justamente onde a necessidade é menor. Países de alta renda, climas úmidos e bairros suburbanos concentram a maior parte da cobertura arbórea urbana — enquanto as comunidades mais vulneráveis, em regiões densamente povoadas e de baixa renda, ficam com menos sombra e mais calor.

"É cada vez mais comum vermos diferenças gritantes de temperatura entre bairros da mesma cidade, causadas pela quantidade desigual de cobertura arbórea", afirmou Johnny Quispe, diretor de programas urbanos da TNC. "Os impactos do calor extremo costumam afetar as comunidades mais vulneráveis. Investir em arborização urbana resulta em ruas mais frescas, ar mais limpo e comunidades mais resilientes para todos."

Lançamento da Meta usa IA para monitorar saúde de árvores e florestas; veja imagens

O que isso significa para 2050

A pesquisa também traz um alerta sobre os limites dessa solução natural. A cobertura arbórea atual e futura será capaz de mitigar apenas entre 9% e 10% do aumento de temperatura projetado pelas mudanças climáticas até 2050. Mesmo no cenário de plantio mais ambicioso possível, esse percentual sobe para cerca de 20% — o que significa que 80% do aquecimento previsto não será compensado por árvores.

"Embora expandir a cobertura arbórea seja essencial para a adaptação ao aumento das temperaturas, nosso estudo sugere que as árvores por si só não serão suficientes", disse Rob McDonald, cientista-chefe global da TNC. "A humanidade precisará usar múltiplas estratégias para se adaptar a um mundo mais quente, e precisamos desesperadamente reduzir a poluição por gases de efeito estufa para evitar temperaturas catastróficas."

Acompanhe tudo sobre:Mudanças climáticasFlorestasReflorestamento

Mais de ESG

As 10 maiores usinas eólicas do Brasil — e por que o Nordeste domina o ranking

Solos: startup transforma resíduos em R$ 10 milhões em renda para catadores

Após série de atrasos, Brasil terá primeiro leilão de baterias em dezembro de 2026

Fafá de Belém lança Fórum Varanda da Amazônia 2026 com foco nas mulheres: 'Somos todas Beléns'