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O modelo e os mapas do CHMv2 estão disponíveis publicamente ((Captura de tela/Meta))
Repórter de ESG
Publicado em 13 de março de 2026 às 18h03.
Última atualização em 13 de março de 2026 às 18h06.
A Meta e o World Resources Institute (WRI) anunciaram nesta semana o Canopy Height Maps v2 (CHMv2), um modelo de inteligência artificial de código aberto capaz de mapear a estrutura de florestas em escala global com precisão sem precedentes.
O sistema mede a altura das copas de árvores a partir de imagens de satélite e está disponível gratuitamente para ser utilizada por governos, pesquisadores e organizações de conservação.
No Brasil, a tecnologia já está em uso: em parceria com o ICMBio, foi aplicada na Amazônia para monitorar áreas protegidas.
O material também serviu de base para um acordo de 1,3 milhão de créditos de carbono no Cerrado firmado entre a Meta e a BTG Pactual TIG, iniciativa de reflorestamento do mesmo grupo controlador da EXAME.
Monitorar florestas em escala sempre foi um desafio: levantamentos de campo são caros e lentos, e os dados de satélite disponíveis publicamente careciam de resolução suficiente para embasar decisões de conservação e políticas climáticas.
O CHMv2 responde a esse problema ao transformar imagens de satélite em mapas detalhados da estrutura florestal — identificando a altura de cada árvore, cada clareira e cada borda de dossel, a região de transição onde a floresta abre e as dinâmicas ecológicas são mais intensas.
Os dados têm aplicação direta no monitoramento da saúde florestal, rastreamento de restauração, detecção de degradação e estimativa de estoques de carbono.
No centro do CHMv2 está o DINOv3, modelo de visão computacional da Meta treinado em um vasto e diverso conjunto de imagens de satélite. O sistema aprende a identificar padrões visuais — sombras, texturas e formatos de copa — que indicam a altura da vegetação, sem depender de milhões de exemplos manualmente rotulados.
Em relação à versão anterior, os avanços são expressivos. O índice R², que mede o quanto as previsões do modelo se aproximam de medições reais em campo, saltou de 0,53 para 0,86.
Os erros médios de mapeamento caíram 30%, e o sistema passou a representar com maior fidelidade as árvores mais altas — justamente as de maior relevância ecológica e carbônica. O conjunto de dados de treinamento também foi ampliado com amostras de maior diversidade geográfica, tornando os mapas mais confiáveis em diferentes tipos de floresta ao redor do mundo.
Visão de São Paulo permite ver a falta de vegetação na região metropolitana, mas áreas verdes no litoral e interior (Captura de tela/Meta)
No Rio de Janeiro, a falta de áreas verdes é grande na capital e na região metropolitana (Captura de tela/Meta)
Na capital do país, Brasília, o cenário é crítico: pouca ou quase nenhuma vegetação considerável por percebida pela tecnologia (Captura de tela/Meta)
No Pará, as áreas verdes são mais comuns, embora em Belém sejam minoria. A capital sofre com ilhas de calor pela falta de vegetação nas áreas urbanas (Captura de tela/Meta)
No Amazonas, a capital Manaus consegue equilibrar melhor as áreas verdes e o crescimento urbano, embora também sofra com ilhas de calor (Captura de tela/Meta)
Modelo antigo da tecnologia já permitia ver o avanço da perda de vegetação. No cenário da América Latina, percebe-se que a Amazônia é a maior concentração de vegetação notada pela inteligência artificial. A falta de cobertura florestal nas regiões litorâneas também é notável, mesmo no Chile e Uruguai (Captura de tela/Meta)
Em dezembro de 2024, após workshops com o ICMBio, a Meta passou a usar os mapas para extrapolar dados de inventário florestal e validar ações de conservação em áreas protegidas da Amazônia — regiões onde a coleta presencial de dados é logisticamente complexa e dispendiosa.
Com a maior precisão do CHMv2, a parceria ganha escala: é possível monitorar remotamente o estado de conservação de unidades de proteção integral e identificar sinais precoces de degradação.
Em setembro de 2024, a Meta firmou um acordo de 1,3 milhão de créditos de carbono com a BTG Pactual TIG. A tecnologia de mapeamento foi usada para avaliar o potencial inicial do projeto, estimando o estoque de carbono armazenado na vegetação nativa.
O Cerrado perde área continuamente para o avanço agropecuário, e ferramentas de mapeamento de alta resolução são consideradas essenciais para dar credibilidade a projetos de conservação e ao mercado de carbono na região.
Fora do Brasil, o CHMv2 já encontra terreno fértil. No Reino Unido, a agência Forest Research usa os mapas para monitorar e gerir florestas em escala nacional.
Na União Europeia, o Joint Research Centre da Comissão Europeia utilizou a versão anterior em seu mapeamento global de cobertura florestal e pretende incorporar o CHMv2 à iniciativa de plantio de 3 bilhões de árvores até 2030.
Nos Estados Unidos, os dados integram ferramentas de planejamento urbano adotadas por cidades como Atlanta, Baltimore e Nova Orleans no programa Cities for Smart Surfaces, voltado ao resfriamento de áreas metropolitanas por meio de arborização e outras intervenções.
A Meta e o WRI indicam que o desenvolvimento continua. As prioridades incluem melhorar a precisão em regiões com poucos dados históricos, corrigir distorções causadas pelo ângulo de visada dos satélites e ampliar a cobertura temporal — permitindo rastrear mudanças florestais ao longo do tempo.
"O DINOv3 fortalece nossa capacidade de medir a estrutura florestal em paisagens diversas, tornando o monitoramento de restauração mais consistente e escalável", afirmou John Brandt, líder de ciência de dados do WRI.
O modelo e os mapas do CHMv2 estão disponíveis publicamente. O acesso pode ser feito a partir deste site.