Para a Cyrela, ESG é sobre manter a empresa relevante e lucrativa

Sob a batuta de Elie Horn, um dos maiores filantropos do país, a Cyrela adota estratégia ESG que mira transformar a estética da construção urbana. Rafaella Carvalho, diretora de sustentabilidade, conta essa história ao podcast ESG de A a Z
 (Evengy Makarov/Bloomberg)
(Evengy Makarov/Bloomberg)
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Rodrigo CaetanoPublicado em 27/05/2022 às 16:14.

A construção civil é uma grande fonte de emissão de carbono. Mas, o seu impacto é bem mais amplo. Alguns são negativos, como o barulho das obras; outros, podem ser positivos, como uma arquitetura mais amigável ao convívio nas cidades. É a partir desses desafios e oportunidades que a incorporadora Cyrela desenhou sua estratégia socioambiental e de governança (ESG).

“Sustentabilidade é sobre manter a empresa relevante e lucrativa”, disse Rafaella Carvalho, diretora jurídica, de compliance e sustentabilidade da empresa, que participou do podcast ESG de A a Z. “Aproveitando nossas fortalezas, podemos gerar um impacto social muito grande.”

No ano passado, a empresa se engajou em um projeto de revisão do seu propósito – um dos pilares do ESG. “A identificação com a questão da transformação das cidades e do modo de vida das pessoas ficou muito forte”, disse Carvalho. “E sempre fazendo o bem, como defende nosso fundador.”

Elie Horn, fundador da Cyrela, é um dos maiores filantropos brasileiros. Ele foi o primeiro bilionário da América Latina a aderir ao The Giving Pledge, movimento criado por Bill Gates e Warren Buffett que convida os homens mais ricos do mundo a doar suas fortunas. Horn se comprometeu a abrir mão de 60% do seu patrimônio, estimado em cerca de 5 bilhões de reais, atualmente.

Ligação entre o instituto e os negócios da Cyrela

Essa forma de olhar para o negócio promoveu uma aproximação entre o Instituto Cyrela, braço de filantropia, e os negócios do grupo. A incorporadora passou a levar para o entorno das obras projetos encabeçados pelo instituto, em especial de educação. “Buscamos maneiras e melhorar a eficiência das nossas trocas com as comunidades”, afirma Carvalho.

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O impacto positivo é amplificado pela arquitetura dos empreendimentos, uma das fortalezas citadas pela executiva, voltada para a geração de bem-estar. A ideia é revitalizar os espaços públicos e de convivência, inclusive com a ajuda de voluntários da própria companhia. “É possível gerar uma transformação social gigantesca”, destaca Carvalho.

Nova categoria de riscos

Para monitorar os impactos das operações, a Cyrela instituiu uma nova categoria de riscos em sua matriz. Ela compreende as questões socioambientais ligadas ao negócio. Segundo Carvalho, que também é responsável pelas áreas jurídicas e de compliance, além dos impactos em si, há uma preocupação com implicações legais.

Há uma tendência, no exterior, de processos contra grandes emissores, movimento conhecido como climate litigation. “Essa tendência chegará no Brasil, a questão é quando”, diz a executivo. A Cyrela quer estar preparada.