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6x1: redução de jornada pode aumentar tarifa de ônibus, diz NTU

Entidade diz ainda que mudança poderá reduzir oferta de transporte nas cidades do país

Ônibus no centro do Rio de Janeiro (Agência Brasil)

Ônibus no centro do Rio de Janeiro (Agência Brasil)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 18 de maio de 2026 às 16h45.

Última atualização em 18 de maio de 2026 às 16h47.

A redução da escala de trabalho 6x1 ou da jornada total durante a semana poderá levar à redução da oferta de ônibus nas cidades do Brasil, por falta de profissionais disponíveis, e aumentar o valor das tarifas, defende a Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano (NTU). A entidade representa os operadores do setor.

A NTU diz que o gasto com profissionais representa 43,1% do custo total dos serviços de ônibus urbanos. Suas simulações apontam que a redução da jornada semanal para 36 horas poderá elevar os custos relacionados aos motoristas em até 33%. Uma redução para 40 horas geraria uma elevação de cerca de 15%.

"Para os passageiros, o impacto tende a ser sentido diretamente no bolso. Como o financiamento do transporte público urbano depende majoritariamente da arrecadação tarifária, o aumento dos custos operacionais inevitavelmente pressionará o valor das passagens", diz a NTU, em comunicado.

"Para estados e municípios, a alternativa para evitar reajustes elevados seria ampliar os subsídios públicos, onerando ainda mais os orçamentos já comprometidos com outras demandas sociais", prossegue a entidade.

Redução de oferta

A entidade também diz que a mudança pode aumentar a escassez de profissionais no setor, o que ameaçaria a oferta de coletivos.

"Atualmente, mais da metade das empresas operadoras relata dificuldades para contratar motoristas, enquanto a escassez de mecânicos afeta diretamente a manutenção das frotas e a regularidade das operações", diz a entidade.

"Exigir ampliação imediata das equipes, em um mercado já desabastecido de trabalhadores qualificados, pode comprometer a oferta do serviço e aumentar a pressão financeira sobre os sistemas", prossegue.

A NTU diz considerar que a redução de jornada trará perdas de renda aos trabalhadores, que então buscariam outras fontes de renda.

"Em outras áreas, o fim da jornada 6x1 pode estimular a adoção de modelos mais precários de contratação, como a informalidade e a pejotização, reduzindo garantias trabalhistas e proteção social", afirma a entidade.

"A mudança incentivaria os rodoviários a exercerem atividades complementares, além da jornada de trabalho no transporte público, para compensar a futura perda de renda. Parcela significativa dos rodoviários poderia passar a atuar como motoristas de serviços de transporte por aplicativos, por exemplo, nos horários de folga; isso resultaria em um excesso de horas trabalhadas e fadiga dos profissionais, o que colocaria em risco a segurança dos passageiros do transporte coletivo", diz.

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