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Representantes de povos indígenas e moradores de comunidade buscam maior voz no debate climático
Agência de Notícias
Publicado em 13 de setembro de 2026 às 06h00.
Representantes dos povos indígenas e moradores de comunidades do Brasil reivindicaram seu lugar no debate climático e pediram reflexão sobre "por que o mundo precisa ter tanto" e perceber tudo como um produto de consumo.
"Precisamos de novos modos de habitar o mundo além de acumular", cobrou Leandro Karai Mirim, líder indígena guarani e comunicador do Museu das Culturas Indígenas de São Paulo durante sua participação no IV Fórum Latino-Americano de Economia Verde (FLEV), organizado pela Agência EFE na capital paulista.
"A América Latina é um território indígena, e queremos calma e tranquilidade. O caminho tem que ser tranquilizar e pausar em vez de cada vez querer mais, essa seria uma saída bem transformadora", apontou o jovem líder guarani.
Nesse sentido, ele pediu que os recursos naturais não sejam encarados como "um bem material", mas algo superior que "explica toda a concepção da Terra".
"A árvore tem que ter o mesmo direito que um ser humano", opinou.
Gilson Rodrigues, fundador do G10 Favelas, grupo que reúne líderes das dez maiores comunidades do Brasil, pediu também um novo olhar sobre elas, vistas historicamente como espaços "marginais, violentos e pobres", mas que também têm soluções para responder à emergência climática.
Ele listou as diversas iniciativas climáticas que estão sendo colocadas em prática a partir de Paraisópolis, na capital paulista, como revitalizar moradias por dentro e por fora e criar boulevards verdes e pequenas hortas.
"Precisamos desses espaços verdes, melhora a vida das pessoas e ativa o turismo para a região", disse.
Por sua vez, Rodrigo Perpétuo, secretário-executivo da organização de Governos Locais pela Sustentabilidade (ICLEI) para a América do Sul, defendeu o papel estratégico da sociedade civil para enfrentar a emergência climática, a perda de biodiversidade e a crise ética.
"Se não houver protagonismo dos povos indígenas, dos acadêmicos e do setor privado, a resposta será um castelo de cartas que não vai aguentar", alertou.
Ele aposta em incentivar "o capitalismo consciente" e adaptar as cidades, onde cerca de 70% da humanidade viverá até 2050, segundo estimativas das Nações Unidas.
Para isso, segundo ele, são necessários programas públicos robustos em habitação e infraestrutura e o apoio dos bancos de desenvolvimento para "trazer de volta a natureza para a equação".
A quarta edição do FLEV reuniu, no dia 3 de setembro, autoridades, especialistas e representantes de empresas e organizações multilaterais.
O evento contou com o patrocínio da ApexBrasil e do WWF-Brasil, e o apoio de AYA Earth Partners, Imaflora e Observatório do Clima. EFE