Ciência

Gosta de café bem quente? Hábito pode triplicar risco de câncer de esôfago, diz estudo

Pesquisa com cerca de 980 mil adultos encontrou maior risco entre quem preferia bebidas quentes ou muito quentes

Bebida: estudo associa temperaturas muito elevadas a um maior risco de câncer de esôfago (Imagem gerada por IA/Divulgação)

Bebida: estudo associa temperaturas muito elevadas a um maior risco de câncer de esôfago (Imagem gerada por IA/Divulgação)

Publicado em 13 de setembro de 2026 às 06h00.

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Tomar café, chá ou outras bebidas em temperaturas muito altas pode estar associado a um risco maior de câncer de esôfago. Um estudo com cerca de 980 mil adultos no Reino Unido encontrou uma relação crescente entre a temperatura preferida da bebida e a ocorrência da doença.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Oxford e publicada na última quarta-feira, 8, na revista científica International Journal of Cancer. Os participantes faziam parte do UK Biobank e do Million Women Study e foram acompanhados por mais de dez anos.

Quem consumia bebidas quentes precisava informar se costumava tomá-las “muito quentes”, “quentes” ou “mornas”. Depois, os pesquisadores compararam essas respostas aos registros de saúde dos participantes.

Quanto mais quente a bebida, maior foi o risco observado

Em comparação com pessoas que preferiam bebidas mornas, aquelas que relataram consumir bebidas “quentes” apresentaram risco quase duas vezes maior de desenvolver carcinoma de células escamosas do esôfago. Entre os participantes que afirmaram beber líquidos “muito quentes”, o risco foi aproximadamente três vezes maior.

O carcinoma de células escamosas é um tipo de câncer que se desenvolve nas células que revestem o esôfago. Segundo Keren Papier, pesquisadora principal e epidemiologista nutricional sênior da Oxford Population Health, este é o maior estudo realizado até agora sobre o tema em uma população britânica.

Os resultados, segundo ela, reforçam evidências anteriores que relacionam o consumo de bebidas muito quentes a um risco maior desse tipo de tumor.

O problema não está no café ou no chá

Os pesquisadores destacam que o estudo não encontrou evidências de que chá ou café, especificamente, aumentem o risco de câncer de esôfago. A associação apareceu com a temperatura da bebida, independentemente do tipo consumido.

Isso significa que o possível fator de risco não seria a composição do café ou do chá, mas o contato repetido do esôfago com líquidos em temperaturas muito elevadas.

Como bebidas muito quentes podem afetar o esôfago?

O mecanismo exato ainda não está totalmente esclarecido. Uma das hipóteses é que temperaturas elevadas provoquem danos repetidos no revestimento do esôfago. Ao longo do tempo, essas lesões poderiam contribuir para alterações celulares associadas ao desenvolvimento de câncer.

A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, a IARC, classifica o consumo de bebidas acima de 65°C como “provavelmente cancerígeno” para humanos. Essa classificação se baseia em pesquisas anteriores realizadas fora do Reino Unido.

Apesar do grande número de participantes, o estudo apresenta uma limitação importante. Os pesquisadores não mediram diretamente a temperatura das bebidas consumidas. A classificação dependia da percepção dos próprios participantes, que informavam se preferiam bebidas mornas, quentes ou muito quentes.

Por isso, não é possível determinar com precisão quais temperaturas estavam associadas a cada nível de risco observado. Ainda assim, os resultados reforçam evidências anteriores de que a temperatura, e não necessariamente o tipo de bebida, pode ser relevante para o risco de carcinoma de células escamosas do esôfago.

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