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No entanto, apenas 18% das empresas oferecem capacitação para o uso da ferramenta em toda a organização (Getty Images)
Repórter de ESG
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 17h42.
Como o ESG vai entrar na prioridade das empresas em 2026? Uma pesquisa da consultoria KPMG aponta que as companhias esperam unir tecnologias, metas robustas e mais atenção à governança nessa equação.
Segundo o estudo "KPMG 2025 Global Energy, Natural Resources and Chemicals", 82% dos executivos dos setores de energia, recursos naturais e produtos químicos enxergam na inteligência artificial um potencial significativo para reduzir emissões de gases de efeito estufa e otimizar o uso de energia em tempo real, gerando economia de custos. Para 74% dos líderes, a ferramenta também pode aprimorar a análise de riscos climáticos e modelar cenários futuros com maior precisão.
Ainda assim, 79% dos CEOs apoiam o uso da IA especificamente para aprimorar dados e divulgações relacionados à sustentabilidade — um ponto crítico considerando que a governança continua sendo o ponto crítico: apenas 26% se sentem muito confiantes nas práticas de ESG (meio ambiente, social e governança) implementadas em suas organizações.
O levantamento revelou que eventos climáticos e desastres ambientais emergiram como desafios-chave na definição da estratégia para 27% dos CEOs desses setores — proporção maior do que em qualquer outro segmento pesquisado. Enquanto 62% afirmam estar confiantes em atingir as metas de zero emissões líquidas até 2030, apenas 38% integram totalmente as estratégias ESG nas decisões de capital. Mais da metade dos executivos admite que a implementação desses fatores ainda fica aquém das expectativas das partes interessadas.
"Os resultados deste ano mostraram que grandes mudanças estão em andamento. Os CEOs estão repensando a abordagem para a transição energética e retreinando equipes para acompanhar a ascensão da IA", analisa Manuel Fernandes, sócio líder do setor de energia e recursos naturais da KPMG no Brasil e na América do Sul.
A implementação efetiva da inteligência artificial nas estratégias ESG passa necessariamente pela formação de equipes capacitadas. De acordo com o estudo, 40% dos CEOs estão respondendo com urgência, intensificando estratégias de talentos que incluem requalificação e aprimoramento de funções impactadas pela IA, além de adaptar o treinamento para preencher lacunas geracionais (31%).
No entanto, apenas 18% das empresas oferecem capacitação para o uso da ferramenta em toda a organização. Para superar essa barreira, 72% dos executivos estão focados em reter e retreinar profissionais de alto potencial. A lacuna de habilidades continua sendo o maior obstáculo para 43% dos CEOs, seguido pela concorrência com empresas de tecnologia que oferecem salários mais elevados (22%).
"Os CEOs reconhecem que a sustentabilidade não é apenas um elemento essencial na estratégia, mas se tornou inegociável para a forma como as empresas operam. Com isso, o apelo por governança e supervisão mais fortes será mais importante do que nunca"
Apesar dos desafios, o setor demonstra confiança no futuro: 84% dos CEOs estão otimistas sobre o crescimento a médio prazo — acima dos 72% registrados em 2024. A IA generativa figura entre as principais áreas de investimento para 65% dos executivos, embora barreiras como segurança cibernética, questões éticas e fragmentação de dados continuem sendo obstáculos significativos à adoção plena da tecnologia.