ESG

Depois da governança, startup Atlas quer ser ESG com atuação ambiental

Empresa que leva melhores práticas de governança para companhias se tornou neutra ao compensar o dobro de emissões de carbono

Eduardo Carone, CEO da Atlas Governance: empresa quer ir além do G do ESG e mira ações ambientais (Ricardo Matsukawa/Divulgação)

Eduardo Carone, CEO da Atlas Governance: empresa quer ir além do G do ESG e mira ações ambientais (Ricardo Matsukawa/Divulgação)

A startup Atlas Governance tem como missão ajudar empresas a digitalizar seus processos de governança corporativa. E tem feito isso para gigantes como Cyrela, Eletrobrás e Sabesp com a ajuda de uma plataforma digital que acabou se tornando também a maior da América Latina no tema.

A aposta na melhoria dos processos de governança em grandes companhias é uma das premissas do ESG (sigla em inglês que define critérios ambientais, sociais e de governança), e também faz da Atlas uma startup adaptada à nova era corporativa e dos investimentos.

Fundada em 2016 pelo executivo Eduardo Carone, a Atlas Governance surgiu a partir de um problema pessoal. Com problemas jurídicos envolvendo a empresa na qual era conselheiro, o executivo teve seus bens confiscados. Em busca de informações contratuais sobre o seguro empresarial que prevê situações como essa, Carone percebeu que a empresa havia deixado passar batido a assinatura dos papéis com a seguradora.

Foi então que percebeu que muitas informações relevantes acabam caindo num imenso buraco negro após as reuniões de conselhos administrativos pela ausência de processos e de uma plataforma capaz de reunir atas, por exemplo. “São processos que precisam de transparência, e a tecnologia é a principal solução para isso. Não havia muitas soluções no mercado e então criamos o primeiro software de digitalização da governança”, diz Carone, presidente da empresa.

Na prática, a Atlas digitaliza as reuniões de conselhos desde o planejamento, criando calendários digitais e enviando convites para todos os envolvidos nos eventos e também na preparação e distribuição de materiais que serão utilizados na reunião, como documentos para deliberação  —  processo que também pode ser feito totalmente online, com registros de data e hora para cada um dos votos. Em um último momento, a startup também reúne uma ata final com todos os assuntos discutidos no encontro.

No final de 2018, a empresa recebeu um aporte de 1,5 milhão de reais de investidores-anjo como Leonardo Pereira, ex-presidente da CVM no Brasil e Paulo Camargo, presidente do McDonald 's no Brasil. Em janeiro deste ano, a startup anunciou ter recebido um aporte de 5,6 milhões de reais em rodada com investidores-anjo que a avaliou em 58 milhões de reais.

Atualmente a empresa conta com uma carteira de 250 clientes, que inclui empresas de capital aberto, capital fechado, estatais, cooperativas e também organizações do terceiro setor. Segundo Carone, cerca de 15% da bolsa brasileira hoje já utiliza a solução da Atlas. “Todas as pessoas importantes e que são responsáveis pela tomada de decisões nas empresas brasileiras hoje são nossos clientes”, diz.

A empresa também iniciou um processo de internacionalização a partir de um projeto com a CCR, empresa de concessões rodoviárias, e hoje está presente em países como México, Colômbia, Peru, Chile e Argentina.

 

A jornada ambiental

O que começou como uma tentativa exclusiva de oferecer ao mercado uma solução ainda não existente acabou se tornando uma missão social. Segundo Carone, a Atlas encontrou seu propósito durante seus primeiros anos de existência: unir a ineficiência nos processos de governança empresariais ao ESG. “Vemos hoje a governança como um meio indispensável para se chegar às outras letras do ESG e adotarem, inclusive, melhores práticas ambientais”.

Segundo Carone, a Atlas hoje serve como um meio para que grandes empresas possam ter um ponto de partida ao decidirem se tornar social e ambientalmente responsáveis. “Temas como diversidade, inclusão e impactos climáticos são discutidos nos conselhos e comitês. Por isso, vemos a Atlas como uma grande viabilizadora do ESG no país e nas organizações  — hoje latino-americanas e amanhã, do mundo”, diz.

O primeiro passo para colocar o discurso em prática partiu de uma mudança interna. A empresa passou a incorporar em sua estratégia ações voltadas à redução dos impactos climáticos. Recentemente, a startup afirmou que se tornou “carbono neutro”, o que significa que passou a não apenas compensar todas as emissões de gases poluentes emitidos pela sua operação, mas também neutralizar uma quantidade ainda maior.

Em 2020, a Atlas realizou seu primeiro inventário de emissões de gases do efeito estufa e, a partir disso, neutralizou o dobro do emitido no ano e recebeu o selo “Carbon Fre”, concedido pela Iniciativa Verde. As compensações foram feitas através de um projeto de reflorestamento na Mata Atlântica e também com a compra de créditos de carbono da Biofílica, que administra projetos de conservação ambiental na Amazônia.

Do ponto de vista social, a startup está elaborando seu primeiro censo, com o intuito de entender como a empresa está hoje em relação à diversidade e inclusão. A partir dos resultados, a intenção é criar novas metas internas que ampliem a representatividade racial e de gênero na companhia. “Achamos que isso não é apenas uma obrigação moral e ética das empresas, mas também um diferencial para as que desejam ser mais produtivas e competitivas“, diz.

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