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Por que a Apple recomprou US$ 700 bi em ações na gestão de Tim Cook

Companhia elevou o lucro por ação, visando ganhos mesmo em ciclos sem grande crescimento

Tim Cook: Apple quadruplicou o retorno para os investidores (Justin Sullivan/Getty Images)

Tim Cook: Apple quadruplicou o retorno para os investidores (Justin Sullivan/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 22 de abril de 2026 às 14h03.

A era de Tim Cook no comando da Apple, que se encerrará em setembro, deixará para o mercado financeiro um manual de como transformar inovação em uma máquina de retorno ao acionista.

O dado mais emblemático desse período é o programa de recompra de ações, que superou a marca de US$ 700 bilhões, consolidando-se como o maior da história corporativa dos Estados Unidos (EUA).

Ao reduzir o número de papéis disponíveis, a Apple conseguiu elevar o lucro por ação, visando ganhos mesmo em ciclos sem grande crescimento, conforme mostrou reportagem do Business Insider.

Afinal, quais foram as estratégias?

A publicação elencou cinco estratégias, que explicam como se deu o domínio da Apple no mercado de ações durante a era de Tim Cook, resumidas abaixo:

  1. US$ 3,7 trilhões a mais no valor de mercado: Sob o comando de Cook, a Apple se tornou a primeira empresa a romper a barreira de US$ 1 trilhão.
  2. Quase 2.000% de valorização: Enquanto o índice S&P 500, principal referência do mercado americano, avançou cerca de 500% no mesmo período, as ações da Apple subiram quase 2.000%.
  3. US$ 700 bilhões em recompras: A Apple executou o maior programa de recompra da história corporativa dos Estados Unidos, ao adquirir mais de US$ 700 bilhões em ações de circulação.
  4. Serviços de US$ 13 bi para US$ 109 bi: O segmento de serviços (App Store, iCloud, Music e Pay) saltou de US$ 13 bilhões em 2012 para US$ 109 bilhões no último ano, com margens de lucro de 74%.
  5. US$ 36 bilhões em wearables do zero: A criação de novas categorias, como Apple Watch e AirPods, deu origem a um negócio que fatura US$ 36 bilhões anuais.

Cook herdou, com a saída de Steve Jobs, uma empresa avaliada em US$ 350 bilhões em 2011 e entrega ela com um valor de mercado próximo de US$ 4 trilhões. A companhia foi a primeira do mundo a atingir a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado.

A receita do braço de serviços, por exemplo, saltou de US$ 13 bilhões em 2012 para US$ 109 bilhões no último ano. Esse segmento, que engloba Apple Music e iCloud, oferece margens de lucro de 74%.

À Bloomberg, fontes comentaram que, enquanto Jobs preferia acumular reservas de caixa, Cook optou por uma gestão de capital agressiva, devolvendo valor via dividendos e recompras.

Como fica novo futuro da gestão

Além dos serviços, o desenvolvimento do setor de "wearables" do zero é outro pilar do sucesso econômico da companhia sob a gestão de Tim Cook. O negócio de Apple Watch e AirPods gera, hoje, cerca de US$ 36 bilhões anuais. O faturamento é superior ao valor de mercado de gigantes como United Airlines.

A sucessão para o novo CEO John Ternus ocorre em um momento de solidez financeira, na avaliação de analistas que acompanham a empresa. O desafio será manter a eficiência em meio à corrida da inteligência artificial (IA) e novas pressões regulatórias globais.

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