'O mundo é uma escola sem paredes', diz CEO: por que viajar virou estratégia para quem quer empreender (Kosamtu/Getty Images)
Repórter
Publicado em 22 de abril de 2026 às 15h19.
Última atualização em 22 de abril de 2026 às 16h51.
Para quem pensa em empreender, viajar deixou de ser apenas uma experiência cultural, e passou a ser uma ferramenta estratégica. Mais do que carimbar passaportes, a vivência internacional amplia repertório, revela tendências e ajuda a enxergar oportunidades que ainda não chegaram ao Brasil.
“Costumo dizer que o mundo é uma escola sem paredes”, afirma Celso Garcia, fundador e CEO do Grupo CI, em entrevista exclusiva ao podcast De frente com CEO, da EXAME.
À frente do grupo responsável pela marca CI Intercâmbio, Garcia atua no setor desde 1988, já visitou mais de 60 países e, ao longo dessa trajetória, acumulou uma visão privilegiada sobre os mercados e destinos mais relevantes para quem quer empreender.
Entre os destinos mais buscados, o Canadá lidera quando o assunto é educação e desenvolvimento profissional.
“O Canadá hoje é o destino número um”, diz Garcia.
O país combina:
Para empreendedores, isso significa contato com um mercado dinâmico, multicultural e aberto a novos negócios.
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Para quem atua, ou pretende atuar, no setor de tecnologia, os Estados Unidos seguem como principal referência global.
“Se você vai para uma parte de tecnologia, eu acho que os Estados Unidos ainda é um dos países que você precisa visitar”, afirma o CEO.
O país concentra:
Mesmo com a ascensão de novos polos, continua sendo o principal ambiente para negócios de alto crescimento.
Se há um país que tem chamado atenção de quem pensa no longo prazo, é a China.
“Considerando que no último ranking das melhores universidades do mundo, 6 universidades chinesas foram destaques, precisamos repensar a ida para esse país asiático”, diz Garcia, que comenta que esse país ainda não é um dos primeiros que as pessoas buscam conhecer na vida.
Com escala massiva e inovação acelerada, o país vem redefinindo padrões globais, especialmente em setores como:
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Menos óbvios, mas cada vez mais estratégicos, Finlândia e Estônia aparecem como destinos-chave para quem busca inovação com qualidade de vida.
A Finlândia, por exemplo, enfrenta escassez de mão de obra e busca atrair talentos estrangeiros, inclusive empreendedores de startups.
“A Finlândia hoje necessita cerca de 60 mil pessoas por ano para trabalhar”, afirma Garcia.
Já a Estônia ganhou destaque global ao digitalizar praticamente todos os serviços públicos, criando um dos ecossistemas mais avançados do mundo.
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Países como Irlanda, Austrália e Nova Zelândia têm atraído brasileiros pela combinação entre estudo e trabalho.
“Os países estão ávidos por pessoas qualificadas”, afirma o executivo.
Segundo ele, esses mercados oferecem um caminho estruturado para quem quer desenvolver carreira, e, no futuro, empreender.
Apesar do apelo internacional, Garcia faz um contraponto: conhecer o mundo é importante, mas empreender no Brasil ainda faz sentido, e muito.
“Se eu tivesse que voltar no tempo, decidir de novo, eu teria empreendido no Brasil novamente”, afirma. “Em qualquer área que você olhar, dá para melhorar”.
O principal diferencial do país, segundo o executivo, está justamente nos desafios estruturais, que abrem espaço para inovação e novos negócios.
“Por mais difícil que seja empreender no Brasil, eu acho que é um país que tem muita oportunidade”, diz.
Segundo ele, o papel do empreendedor é identificar essas lacunas, muitas vezes invisíveis para quem está dentro da rotina.
Em resumo, o empresário afirma que viajar não garante sucesso, mas amplia repertório. E, no mundo dos negócios, repertório é vantagem competitiva.
“Empreender é identificar oportunidades, e o mundo inteiro está cheio delas.”