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Educação pública: metas de longo prazo exigem compromissos de longo prazo

"O país dispõe hoje de mais dados, tecnologias e instrumentos de avaliação do que em qualquer outro momento da história recente", diz Fernando Monteiro, fundador da Evoluir Educação

Educação de qualidade é o motor que sustenta o desenvolvimento econômico, fortalece territórios e amplia a cidadania (Maskot/Divulgação)

Educação de qualidade é o motor que sustenta o desenvolvimento econômico, fortalece territórios e amplia a cidadania (Maskot/Divulgação)

Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 11h48.

Por Fernando Monteiro, fundador e diretor-executivo da Evoluir Educação*

Os dados mais recentes do Inep e do IBGE revelam um quadro paradoxal: o Brasil avançou muito em escolarização, mas ainda convive com desafios estruturais. Em 1940, menos da metade da população de 15 anos ou mais sabia ler e escrever. Em 2022, a taxa de alfabetização nesse grupo chegou a 93%, mas isso ainda significa 11,4 milhões de pessoas analfabetas. Em 2024, esse contingente continuava em 9,1
milhões, o equivalente a 5,3% da população adulta.

Entre as crianças, o Indicador Criança Alfabetizada mostra que 59,2% dos alunos do 2º ano estavam alfabetizados em 2024, o que implica que 40,8% ainda não haviam consolidado essa etapa fundamental da trajetória escolar. Em outras palavras, o país avançou, mas não o suficiente para garantir, de forma equitativa, as bases de aprendizagem de que uma sociedade democrática precisa.

A superação desse quadro passa por algo que o Brasil ainda faz pouco: compromissos de longo prazo entre poder público, sociedade civil e setor privado. Projetos de curto prazo – o que não é raro acontecer entre as ações que articulam esses atores – podem ser úteis e bem-intencionados, mas raramente atingem profundidade suficiente para consolidar práticas pedagógicas, formar professores de modo consistente e produzir resultados duradouros. A aprendizagem não acontece em ciclos curtos, e a política educacional tampouco deveria acontecer.

A experiência acumulada em municípios que investem em continuidade demonstra que, quando a articulação entre empresas, redes de ensino e organizações parceiras é estável, os avanços aparecem e permanecem. Paragominas (PA) é um exemplo emblemático. O programa Território do Saber, financiado pela mineradora Hydro e realizado pela Evoluir Educação em parceria com a Secretaria Municipal de Educação durante cinco anos, combinou alfabetização de jovens, adultos e idosos com formação intensiva de professores e companhamento pedagógico. Ao longo desse período, foi possível estruturar práticas que se enraizaram na rede municipal e ampliaram as oportunidades de aprendizagem para toda a comunidade.

Em Guarulhos, o projeto Brincando com Pipas, patrocinado pela concessionária EDP desde 2015, demonstra como a continuidade gera camadas sucessivas de impacto. Ano após ano, escolas, professores e famílias aprofundam conhecimentos sobre segurança elétrica, cidadania socioambiental e uso consciente de energia – um processo que contribui inclusive para a redução de incidentes na rede elétrica.

Já a fabricante de máquinas agrícolas John Deere, ao manter projetos educacionais em diferentes cidades por vários anos, incorporou em 2025 avaliações periódicas de leitura para estudantes de 4º e 5º ano no projeto Viva o Livro!, medida que permite enfrentar defasagens de alfabetização pós-pandemia com precisão e acompanhamento real.

Um olhar para o futuro: os desafios e avanços do ensino superior no Brasil

Esses exemplos mostram que impacto educacional é uma obra coletiva, construída no tempo e sustentada por três pilares. O setor público aporta escala, legitimidade e continuidade institucional. A sociedade civil contribui com metodologias, capacidade de execução e inovação pedagógica, sempre em diálogo com as necessidades das redes atendidas. O setor privado, por sua vez, pode garantir previsibilidade financeira, alinhamento com o desenvolvimento local e cultura de monitoramento. Quando esses três atores compartilham horizontes, metas e responsabilidades é possível transformar indicadores educacionais e, sobretudo, transformar vidas.

O país dispõe hoje de mais dados, tecnologias e instrumentos de avaliação do que em qualquer outro momento da história recente. Falta, porém, o que nenhum indicador produz sozinho: a decisão de planejar a educação com o tempo que ela exige. Protocolos plurianuais, acordos estáveis e metas pactuadas entre empresas, secretarias de educação e organizações executoras deveriam ser a
regra. O ciclo fiscal pode continuar sendo anual; o compromisso com o impacto não precisa ser.

Educação de qualidade é o motor que sustenta o desenvolvimento econômico, fortalece territórios e amplia a cidadania. Investir por vários anos em projetos de educação tem como resultado cidadãos mais preparados, comunidades mais estáveis e ambientes de negócios mais favoráveis. O Brasil tem condições de avançar rapidamente – desde que compreenda que, em educação, compromisso de longo prazo não é só recomendação técnica. É condição para transformar o país.

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