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“X” na garrafa? Campanha aposta na logística reversa contra falsificação de bebidas

Com grandes eventos no horizonte e após a crise do metanol, setor quer ampliar a segurança do consumidor e fortalecer a economia circular do vidro

A campanha "Bebida Legal, Garrafa Segura" coloca um gesto simples no centro da estratégia: riscar a garrafa de vidro antes de descartá-la com um "X" nos estabelecimentos que comercializam  (Getty Images)

A campanha "Bebida Legal, Garrafa Segura" coloca um gesto simples no centro da estratégia: riscar a garrafa de vidro antes de descartá-la com um "X" nos estabelecimentos que comercializam (Getty Images)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 14h00.

Última atualização em 25 de fevereiro de 2026 às 13h53.

A crise do metanol acabou? O Ministério da Saúde diz que a situação está controlada, mas a insegurança com a falsificação de bebidas ainda assombra os brasileiros.

E 2026 não vai deixar o tema esfriar. Após o carnaval mobilizar milhões de foliões em diversas cidades, a agenda de grandes eventos está a todo vapor e o Brasil ainda se prepara para receber a tão esperada Copa do Mundo.

As celebrações significam consumo em escala de bebidas alcoólicas, seja em estabelecimentos como bares e restaurantes ou até nas ruas, o que amplia o risco de irregularidades e contaminação. 

É nesse cenário que a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) acaba de lançar a campanha nacional "Bebida Legal, Garrafa Segura" e coloca um gesto simples no centro da estratégia: riscar a garrafa de vidro antes de descartá-la com um "X".

O objetivo? Promover a logística reversa e garantir a segurança do consumidor, visto que a raiz do problema está justamente na falta de gestão de embalagens pós-consumo e não destinação correta para a reciclagem. 

Na prática, cada parceiro da Abrabe passa a receber um kit com uma caneta cortadora, luvas anticorte, óculos de segurança e manual de aplicação.

"Quando o ponto de venda descaracteriza a garrafa não-retornável, desmotiva o falsificador a reutilizá-la. É uma ação preventiva, simples, rápida e de alto impacto, ao alcance de todos os comerciantes de bebidas", afirma Cristiane Foja, presidente da Abrabe.

Para a executiva, a realidade do mercado ilegal exige que todos os elos da cadeia colaborem com a logística reversa. Entre 2024 e 2025, os casos investigados com apoio da organização saltaram de 77 para 318 e mais de 9.500 autoridades foram capacitadas para identificar ilegalidades no setor. 

Após ser descaracterizada nos estabelecimentos, a garrafa segue para cooperativas de catadores como sempre deveria ser, passa por uma triagem e depois é reciclada.

A ação está integrada ao programa Glass Is Good, criado pela Abrabe há 15 anos e pioneiro na economia circular do vidro no Brasil. O programa atua com garrafas de bebidas alcoólicas recolhidas em bares, restaurantes e grandes eventos e hoje está presente em 24 estados, com 21 cooperativas e 63 parceiros logísticos.

"O vidro é um material 100% reciclável e rastreável, e seu uso fortalece o combate à ilegalidade e falsificação", reforça Cristiane.

Entenda: o gargalo está na garrafa

Quando um consumidor esvazia uma garrafa de vodka, uísque ou gin em um estabelecimento, aquela embalagem de uso único deveria ser enviada para reciclagem. Vidro descaracterizado não tem valor para falsificadores — é apenas matéria-prima para novos produtos.

O problema está na garrafa intacta que escapa desse fluxo. Muitos estabelecimentos vendem as mesmas vazias com rótulos e tampas originais para intermediários. A falha na cadeia facilita que essas embalagens cheguem às mãos de quem adultera bebidas e as revende no mercado clandestino.

Para combater o problema, a rastreabilidade da cadeia é essencial, garante o CEO da Green Mining, Rodrigo Oliveira. A startup acredita que a solução está em transformar o que já funciona em casos isolados numa política nacional de gestão de embalagens. Entre as recomendações, estão:

  • Obrigatoriedade de descaracterização: lei que determine a quebra imediata de garrafas não retornáveis em pontos de grande consumo, como bares, restaurantes e distribuidores, assegurando destinação direta à reciclagem;
  • Rastreabilidade como padrão: sistemas digitais que registrem o ciclo completo da embalagem, da coleta à reciclagem, criando transparência e responsabilidade compartilhada entre todos os elos da cadeia;
  • Valorização do catador: remuneração justa baseada em valores praticados pela indústria, eliminando intermediários que lucram com a opacidade e incentivando adesão ao modelo formal;
  • Proibição de comercialização irregular: restrição legal à venda de grandes volumes de garrafas inteiras sem comprovação de destinação, cortando o fornecimento para falsificadores;
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