ESG

Patrocínio:

espro_fa64bd

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

Consumo de energia de data centers vai dobrar no Brasil e superar iluminação pública, revela MIT

EXCLUSIVO: Levantamento aponta salto de 1,7% para 3,9% da demanda nacional de eletricidade até 2029, impulsionado pela alta demanda da IA; Brasil se posiciona com diferencial competitivo

Matriz renovável do Brasil pode transformar o país em polo global de data centers sustentáveis, atraindo investimentos em IA de menor impacto

Matriz renovável do Brasil pode transformar o país em polo global de data centers sustentáveis, atraindo investimentos em IA de menor impacto

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 1 de dezembro de 2025 às 16h00.

Última atualização em 1 de dezembro de 2025 às 16h35.

A inteligência artificial promete resolver problemas complexos, mas seu avanço acelerado levanta um novo dilema: data centers consomem muita energia e água, colocando em xeque a sustentabilidade e agravando a crise climática.

Nesta corrida, bigtechs como Google, Amazon e Meta registram alta nas emissões e a Agência Internacional de Energia aponta que esta infraestrutura digital já consome 1% de todo consumo energético do planeta.

Agora, um novo levantamento da MIT Technology Review Brasil divulgado em primeira mão à EXAME revela que os data centers brasileiros consumirão mais eletricidade que toda a iluminação pública do país até 2029. 

O salto representa mais do que o dobro: de 1,7% para 3,9% do consumo nacional em apenas cinco anos – um crescimento de 130% que representa passar de 8,2 TWh para mais de 18 TWh anuais.

++ Trend ‘Ghibli’ do ChatGPT: consumo de energia equivale ao de uma cidade pequena, alerta MIT

O estudo inédito cruzou informações de diversas fontes para mapear os desafios e oportunidades dessa indústria em plena expansão e o Brasil se posiciona com diferencial competitivo e sustentável pela sua matriz predominantemente renovável. 

"Vivemos a era da economia digital. A explosão da IA e dos serviços em nuvem depende de data centers. Mas, sem infraestrutura robusta, matriz energética limpa e uso consciente de recursos, corremos o risco de trocar avanço tecnológico por degradação ambiental", destacou Hudson Mendonça, VP de Energia e Sustentabilidade da MIT Technology Review Brasil e CEO do Energy Summit.

Para o CEO, o país tem uma oportunidade única: aproveitar sua matriz não dependente de combustíveis fósseis poluentes para liderar a computação sustentável com energia limpa, eficiência hídrica e governança estratégica.

"A expansão pode fortalecer uma nova cadeia de valor verde, estimulando a criação de empregos e inovação em áreas como engenharia, TI, eficiência energética e infraestrutura limpa", acrescentou.

O impacto vai além da energia

Embora o consumo energético chame atenção, a água é outro recurso sob pressão. Em 2022, o uso direto de água pelos data centers foi estimado em cerca de 2 bilhões de litros – equivalente a 0,003% da demanda hídrica nacional.

O percentual parece modesto, mas esconde um efeito indireto: grande parte da água associada ao setor está embutida na matriz elétrica, especialmente nas centrais termelétricas e hidrelétricas que abastecem essa infraestrutura.

A refrigeração dos equipamentos é um dos principais gargalos operacionais. Por outro lado, data centers de última geração já adotam tecnologias avançadas, como resfriamento por imersão e sistemas de circuito fechado, que reduzem significativamente o consumo.

No entanto, especialistas alertam que essas soluções devem se tornar padrão rapidamente frente ao avanço exponencial da IA e alta demanda de processamento.

Regulação e planejamento são urgentes

Para que o setor cresça de forma responsável, especialistas apontam a necessidade de aprimorar a regulação e a governança.

Como recomendações, estão políticas públicas que incentivem o uso de energia limpa, a adoção de padrões de ESG rigorosos e o planejamento integrado da rede elétrica a fim de evitar a sobrecarga em regiões metropolitanas como São Paulo e Rio de Janeiro, onde os data centers tendem a se concentrar.

A janela de oportunidade é agora: planejar a infraestrutura digital antes que a explosão da IA force decisões emergenciais e insustentáveis, alerta o MIT.

Acompanhe tudo sobre:ESGSustentabilidadeMudanças climáticasClimaEnergiaEnergia renovável

Mais de ESG

Como um iceberg matou 70% dos filhotes de uma colônia de pinguins na Antártica

Os oceanos estão se tornando uma gigante 'bateria' de calor, afirma estudo

Abertas as inscrições para Melhores do ESG da EXAME

Fortuna de bilionários cresce três vezes mais rápido em 2025, aponta Oxfam