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O inverno mais rigoroso também teve seu papel, ampliando a necessidade de aquecimento residencial (Thomas Barwick/Getty Images)
Repórter de ESG
Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 07h15.
A expansão acelerada de data centers e operações de mineração de criptomoedas contribuiu para reverter a trajetória de queda nas emissões de gases de efeito estufa dos Estados Unidos, segundo dados divulgados esta semana pelo Rhodium Group.
Após dois anos consecutivos de queda, as emissões subiram 2,4% no último ano, crescendo mais rapidamente que o PIB e encerrando a relação entre poluição e crescimento econômico.
O aumento expressivo no consumo de eletricidade, impulsionado principalmente por data centers e pela mineração de criptomoedas, elevou as emissões do setor elétrico em 3,8%. Essa demanda adicional forçou o sistema energético americano a recorrer a fontes mais poluentes para suprir as necessidades.
A consequência foi dramática: a geração de energia a carvão disparou 13% em comparação com 2024, marcando apenas a segunda vez na última década que o uso desse combustível fóssil cresceu nos Estados Unidos. O aumento reflete tanto a pressão dos novos consumidores intensivos de energia quanto os preços elevados do gás natural, que tornaram o carvão relativamente mais atrativo.
O relatório do Rhodium Group evidencia como a infraestrutura digital moderna está se tornando um obstáculo crescente para as metas climáticas. Data centers, essenciais para serviços de nuvem, inteligência artificial e processamento de dados em larga escala, consomem quantidades massivas de eletricidade para operação e resfriamento de servidores.
Somam-se a isso as operações de mineração de criptomoedas, que exigem poder computacional intensivo e funcionamento ininterrupto, pressionando ainda mais a rede elétrica. Juntos, esses setores representam uma fatia crescente da demanda energética nacional.
O inverno mais rigoroso também teve seu papel, ampliando a necessidade de aquecimento residencial. As emissões do setor de edificações subiram 56 milhões de toneladas métricas, um salto de 6,8%. Já os setores industrial e de petróleo e gás registraram crescimento em escala mais modesta.
Michael Gaffney, analista do Rhodium Group e coautor do estudo, destaca que os resultados reforçam a urgência de expandir fontes limpas de energia. Com data centers e demandas tecnológicas continuando a crescer, para reverter a alta das emissões será fundamental "precisamos ver uma implantação contínua e robusta de recursos renováveis e baterias no setor elétrico", disse em entrevista a Bloomberg.
O risco, segundo Gaffney, é que nos próximos um ou dois anos a situação piore. Se a demanda elétrica de data centers continuar em expansão e a rede responder ativando mais geradores a combustíveis fósseis já existentes, em vez de novas instalações de energia limpa, as emissões podem acelerar ainda mais.
No cenário mundial, as projeções indicam que as emissões de dióxido de carbono devem alcançar níveis recordes em 2025. O aumento verificado nos Estados Unidos teve participação relevante nesse quadro, segundo a Climate Trace, organização sem fins lucrativos apoiada pelo ex-vice-presidente Al Gore.
Desde o retorno do presidente Donald Trump à Casa Branca em janeiro do ano passado, a administração cancelou incentivos tributários para energia limpa e veículos elétricos, tentou barrar projetos de energia renovável e incentivou a extração de combustíveis fósseis. Contudo, analistas ponderam que essas medidas ainda não produziram efeitos substanciais sobre as emissões de 2025.
Os autores também alertam que o acompanhamento das emissões futuras se tornará mais complexo. O governo federal descontinuou a coleta de determinados dados relacionados às mudanças climáticas, dificultando a compreensão do segundo maior emissor de gases de efeito estufa do planeta.