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Brasileiros sentem orgulho da Amazônia, mas 65% desconhecem a região

Pesquisa da ASSOBIO revela contradições na relação da população com a floresta e aponta potencial bilionário da bioeconomia ainda inexplorado; Resultados serão lançados na Semana do Clima de NY

Para a maioria, a floresta permanece associada ao "misticismo e, paradoxalmente, à 'destruição ambiental' (Leandro Fonseca/Exame)

Para a maioria, a floresta permanece associada ao "misticismo e, paradoxalmente, à 'destruição ambiental' (Leandro Fonseca/Exame)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 17 de setembro de 2025 às 08h00.

O que você sabe sobre a Amazônia? Uma pesquisa realizada pela ASSOBIO em parceria com a FutureBrand revelou que quase dois terços dos brasileiros (65%) ainda mantêm uma relação distante e desconectada com a floresta, sem nunca a ter visitado e criando uma imagem apenas pelo que vê na mídia.

Paradoxalmente, 34% acreditam conhecer a bioeconomia amazônica, modelo produtivo sustentável que pode destravar R$ 45 bilhões ao PIB brasileiro a partir das cadeias de sociobiodiversidade. No entanto, os dados mostram que a compreensão é superficial, geralmente limitada a associações genéricas com sustentabilidade ou reciclagem.

A análise foi financiada pelo Fundo Vale e ouviu pessoas de diferentes regiões do país para mapear percepções, conhecimentos e comportamentos de consumo relacionados à maior floresta tropical do mundo.

Os resultados serão apresentados oficialmente no dia 22 de setembro, durante a Semana do Clima de Nova York e a menos de 60 dias da COP30, grande conferência do clima que acontecerá em solo amazônico, na capital do Pará.

Bioeconomia, potencial bilionário e ainda inexplorado

Paulo Reis, presidente da ASSOBIO, acredita que a bioeconomia é o caminho para aproximar a [grifar]floresta da vida dos brasileiros, articulando negócios sustentáveis que já estão em curso.

A COP30 será uma oportunidade e vitrine única para aproximar as pessoas do bioma, essencial para o equilíbrio do clima global e berço de soluções verdes. 

Neste sentido, há números promissores: 83% dos entrevistados acreditam que consumir produtos amazônicos apoia comunidades locais, e 82% concordam que é possível aliar desenvolvimento sem destruir a floresta.

Outro dado aponta para um potencial crescimento: 42% demonstram total interesse no consumo destes produtos, especialmente nas categorias de alimentação (84%) e cosméticos (80%). Para os consumidores, estes carregam atributos de naturalidade, originalidade e benefícios à saúde.

A confiança, porém, depende de certificações: 84% as consideram fundamentais para assegurar origem e responsabilidade ambiental.

Floresta desperta admiração, mas permanece "mítica"

Os resultados mostram uma relação contraditória: enquanto 47% dos entrevistados sentem admiração pela Amazônia e 39% demonstram orgulho, a região é percebida como um território "mítico" e inacessível, congelado no tempo e "distante da realidade urbana brasileira".

Apenas 35% dos brasileiros reconhecem que a região abriga grandes cidades urbanizadas, revelando o quanto estereótipos ainda moldam o imaginário nacional. Para a maioria, a floresta permanece associada ao "misticismo e, paradoxalmente, à destruição ambiental".

Segundo Paulo, a ideia da pesquisa foi justamente quebrar e enfrentar o desconhecimento estrutural. 

Já Marcia Soares, gerente de Amazônia e Parcerias do Fundo Vale, afirmou que "os resultados evidenciam a necessidade de ampliar o entendimento, superando estereótipos e reconhecendo a importância da bioeconomia como um modelo de desenvolvimento que conecta conservação com inovação".

Consumo consciente

Um dos destaques apontou para uma contradição no comportamento dos consumidores: embora 81% declarem economizar água e energia e 74% separem lixo para reciclagem, apenas 15% consideram a sustentabilidade um tema de real interesse no cotidiano. 

"Há orgulho e admiração no discurso, mas o consumo ainda obedece lógicas tradicionais de preço, marca e conveniência", destacou Estela Brunhara, diretora de Behavior Consumer da FutureBrand São Paulo.

No que se refere aos produtos amazônicos, 60% afirmam consumi-los com frequência, mas as principais barreiras são preço elevado e a dificuldade de acesso. Já entre os que não consomem, 54% não encontram os produtos onde vivem e 34% não sabem identificá-los.

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