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Cafezinho diário pesa no bolso e brasileiro passa a rever hábito

Aumento do preço superior a 100% no varejo em 5 anos é o principal fator de redução do consumo

O Brasil segue como o segundo maior mercado consumidor de café do mundo (atrás apenas dos EUA) e mantém a liderança no consumo per capita, com uma média de 1,4 mil xícaras por habitante ao ano. (Alexandre Rezende/NITRO/Divulgação)

O Brasil segue como o segundo maior mercado consumidor de café do mundo (atrás apenas dos EUA) e mantém a liderança no consumo per capita, com uma média de 1,4 mil xícaras por habitante ao ano. (Alexandre Rezende/NITRO/Divulgação)

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Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 14h13.

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O café, produto sagrado na rotina dos brasileiros, enfrentou um ano de retração. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o consumo interno da bebida apresentou uma queda de 2,31% entre novembro de 2024 e outubro de 2025. O volume total passou de 21,9 milhões para 21,4 milhões de sacas de 60 kg.

A principal causa do recuo é econômica. Nos últimos cinco anos, o preço da matéria-prima disparou: o café tipo conilon subiu 201%, enquanto o arábica saltou 212%. Embora o repasse para as prateleiras dos supermercados tenha sido menor (116%), o impacto foi suficiente para alterar o comportamento de compra.

Uma pesquisa da Abic revelou que 39% dos consumidores agora utilizam o preço baixo como critério principal de escolha, contra apenas 16% em 2023. De acordo com os dados recém divulgados, em um panorama geral, o consumo interno de café por região no Brasil em 2025 corresponde a 8,1% no Centro Oeste; 8,8% no Norte; 14,7% no Sul; no Nordeste, 26,8% e no Sudeste, 41,6%.

Alta dos preços

Com o aumento do preço, por exemplo, o café moído e torrado encerrou 2025 custando R$ 59,96 o quilo no varejo do Sudeste, uma alta anual de 5,8%. Apesar do fechamento, o produto enfrentou um pico de valorização em julho, quando chegou a ser comercializado por R$ 70,52.

De acordo com a Abic, o cenário atual é reflexo de uma crise que começou em 2021, devido a problemas climáticos, o que gerou queda na safra e, assim, um desequilíbrio na cadeia global de oferta e demanda. Com estoques historicamente baixos em todo o mundo, a volatilidade tomou conta do mercado.

“O crescimento da receita do setor cafeeiro brasileiro é influenciado principalmente pelo preço internacional do café, além de custos adicionais decorrentes de adversidades climáticas, redução dos estoques globais e instabilidade política. Esses fatores, somados, impactam os custos e são repassados aos consumidores, a fim de manter as margens de lucro", explica o economista Adenauer Rockenmeyer, Conselheiro do Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo (Corecon-SP).

Apesar da leve queda no volume consumido, a indústria não teve prejuízos financeiros. O faturamento do setor cresceu 25,6% em 2025, atingindo R$ 46,24 bilhões, impulsionado justamente pelo valor mais alto nas gôndolas.

Perspectiva

Para quem espera uma redução imediata nos preços, ainda não há previsão. A Abic projeta que 2026 será um ano de maior estabilidade devido à expectativa de uma safra robusta, mas quedas significativas nos preços ao consumidor devem demorar.

As reduções substanciais no varejo são esperadas apenas daqui a duas safras, tempo necessário para recompor os estoques globais. A estratégia da indústria é apostar em promoções para tentar recuperar o volume de vendas perdido no último ano.

Mesmo com a queda, o Brasil segue como o segundo maior mercado consumidor do mundo (atrás apenas dos EUA) e mantém a liderança no consumo per capita, com uma média de 1,4 mil xícaras por habitante ao ano.

“A demanda por café no Brasil apresenta comportamento inelástico em relação ao preço. Tal característica está associada ao fato de o café ser um bem de consumo habitual, com forte componente cultural, baixa substituibilidade imediata e participação relativamente pequena no orçamento das famílias, fatores que reduzem a sensibilidade do consumo a aumentos de preço", avalia Gustavo Casseb Pessoti, Conselheiro do Conselho Federal de Economia (Cofecon).

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