Economia

Varejo é contra mudança das regras de devolução dos cheques

A medida é um “duro golpe” sobretudo para o pequeno comerciante, mais vulnerável à ação de estelionatários e pessoas de má-fé, dizem lojistas

Lojas em São Paulo: Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas pede revisão de medidas para cheques (Divulgação)

Lojas em São Paulo: Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas pede revisão de medidas para cheques (Divulgação)

DR

Da Redação

Publicado em 18 de maio de 2011 às 23h55.

Brasília – A decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de que a devolução de cheques deve priorizar todos os outros motivos que ensejem o seu não pagamento, antes da justificativa “por falta de fundos”, causou “profunda preocupação” no comércio varejista, afirmou hoje (18) o presidente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas, Roque Pellizzaro Júnior.

Segundo ele, a medida é um “duro golpe” para o lojista, sobretudo para o pequeno comerciante, mais vulnerável à ação de estelionatários e pessoas de má-fé. No seu entender, o comprador mal-intencionado pode errar propositadamente o preenchimento do cheque e ficar livre de responder pelo crime de estelionato. “Jogaram a responsabilidade toda em cima do lojista”, disse.

No fim da tarde, ele enviou carta ao presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, na qual expressa preocupação com a mudança das regras de devolução de cheques e oposição à sua liquidação, nos termos da Resolução 3.972 do CMN, regulamentada pela Circular 3.535 do BC na última segunda-feira (16).

O presidente da CNDL diz também que a alteração já em vigor constitui sério risco para a sociedade, diante da possibilidade de se “institucionalizar a prática do estelionato” pelo cheque sem fundo, mas rasurado ou mal preenchido para forçar uma devolução amena, sem maiores consequências, e o emitente não ir para o cadastro de maus pagadores.

Pellizzaro ressalta que a resolução do CMN contempla avanços significativos no controle e na aferição da autenticidade do cheque, mas, infelizmente, inclui também a mudança nas regras de devolução. Decisão que, “apesar da boa intenção, sinaliza na prática problemas sérios para o pequeno lojista”, disse. Por isso, ele pede a reconsideração da medida em carta subscrita também pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC-Brasil).

Acompanhe tudo sobre:ComércioVarejoreformasCheque especialRegulamentação

Mais de Economia

Aéreas vão gastar US$ 100 bi a mais com combustível e lucro cai pela metade, diz Iata

Corte de voos segue em análise, especialmente em rotas no interior, diz CEO da Azul

Passagens aéreas devem seguir mais caras pelo resto do ano, diz CEO da Latam

Brasil perdeu quase 10% das rotas aéreas e situação poderá piorar, diz entidade