Fed: uma incerteza chamada Trump

Nesta quarta-feira, a presidente do banco central americano Federal Reserve, Janet Yellen, e seus colegas definem a taxa de juros do país na primeira reunião do ano. O cenário é ainda mais imprevisível do que o de 2016. No ano passado, as incertezas que levaram o Fed a adiar a alta de juros estavam a milhares de quilômetros de distância – com o Brexit e a instabilidade da economia chinesa. Em 2017 a incerteza mora ao lado. O presidente Donald Trump e suas políticas imprevisíveis devem ser os grandes responsáveis pela decisão do Fed de manter os juros do país inalterados nesta reunião.

Em dezembro, o banco central sinalizou três altas de juros ao longo de 2017, atualmente entre 0,5% e 0,75%. Se Trump cortar impostos para empresas e aumentar os gastos com infraestrutura, como prometeu, mais altas seriam necessárias para controlar a inflação. Mesmo assim, especialistas acreditam que uma elevação de juros só virá depois de junho. A visão é de que as medidas imigratórias de Trump e uma briga com o México sobre quem pagará o muro da fronteira devem trazer incertezas sobre o comércio e as empresas americanas.

Teoricamente, o cenário atual seria perfeito para uma elevação de juros. A inflação fechou o ano em 1,6% (a meta do Fed é 2%) e a taxa de desemprego está em seu menor patamar desde a crise de 2008. Mas, para o economista ganhador do prêmio Nobel e colunista de EXAME Hoje Paul Krugman, as coisas devem piorar. “O desemprego provavelmente crescerá ao longo dos próximos quatro anos, no mínimo porque ele começou este governo em baixa”, afirma.

O trabalho de Yellen fica cada dia mais difícil. Para o Brasil, a notícia não é das piores: com os juros ainda baixos nos Estados Unidos e a liquidez do mercado, mais investidores devem alocar o dinheiro no país, que ainda tem juros de 13%. Enquanto as coisas por aqui não melhoram, toda ajuda é bem-vinda.

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