Invest

'Quero Anbima mais compatível com realidade do mercado', diz novo presidente da entidade

Roberto Paris, do Bradesco, assumiu o novo cargo nesta segunda-feira, 18

Anbima: Roberto Paris, do Bradesco, é o novo presidente (Anbima/Divulgação)

Anbima: Roberto Paris, do Bradesco, é o novo presidente (Anbima/Divulgação)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 18 de maio de 2026 às 13h19.

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) quer tornar sua atuação mais ágil e assertiva na autorregulação do mercado financeiro, em meio às discussões recentes sobre transparência na distribuição de produtos, é o que falou o novo presidente da entidade, Roberto Paris, em coletiva de imprensa na sua posse.

“Temos trabalhado para aperfeiçoar regras e ritos para sermos mais tempestivos nas respostas quando identificamos determinadas situações”, disse, enfatizando, no entanto, que esse processo tem que ser feito sem “extrapolar os limites do papel da autorregulação.”

A agenda inclui ampliar a transparência sobre produtos financeiros, principalmente para investidores de varejo, incluindo CDBs. “Está em estudo uma iniciativa de autorregulação, uma nova regra para sugerir aos associados [sobre instrumentos bancários]”, afirmou.

Ele continua: “Nossa preocupação é sempre que o investidor tenha conhecimento e plena ciência de que aquele perfil de investidor é compatível com o investimento que está sendo oferecido.”

Mercado mais complexo e juros elevados

A Anbima pretende analisar se “cabe ou não” uma revisão mais ampla de seu arcabouço regulatório para adaptar a supervisão a um mercado mais complexo e tecnológico.

“Quero que a Anbima esteja mais compatível com a nova realidade do mercado”, pontuou o executivo, citando o avanço de novas tecnologias, ativos digitais e mudanças na estrutura de distribuição financeira.

Segundo Paris, o ambiente de juros altos afetou diferentes segmentos da indústria financeira, mas não interrompeu o crescimento do setor. “Os juros altos não impediram o desenvolvimento do mercado de capitais”, destacou.

Ao comentar os episódios recentes envolvendo falta de transparência, o executivo afirmou que os problemas não comprometem o mercado brasileiro como um todo. “Não pode parecer que todo o mercado de capitais foi impactado por problemas pontuais”, apontou.

Segundo ele, o mercado brasileiro é “muito grande” e, apesar dos acontecimentos recentes, “evoluiu de uma forma bastante saudável”. Atualmente, há R$ 11 trilhões de ativos sob gestão.

“O objetivo é fazer com que o investidor fique mais protegido e tenha mais consciência do que ele está comprando”, disse. “A autorregulação é o meio, não o fim. O fim é o investidor”, concluiu.

Acompanhe tudo sobre:Anbima

Mais de Invest

B3 respira: fluxo estrangeiro interrompe sequência de saídas recentes

Petrobras compra fatia de bloco da Equinor na Bacia de Campos

Ibovespa acompanha queda global das bolsas com inflação dos EUA

BYD mira liderança global e quer superar Toyota em cinco anos