Porto Sudeste está pronto, mas ainda depende de licença

É dali que vai sair boa parte dos recursos para equacionar as perdas que o fundo soberano de Abu Dabi teve no País

Rio e São Paulo - As atenções do Mubadala no Brasil estão voltadas para o Porto Sudeste, no litoral do Rio.

É dali que vai sair boa parte dos recursos para equacionar as perdas que o fundo soberano de Abu Dabi teve no País, com os investimentos feitos nas empresas de Eike Batista, em 2012.

O terminal portuário está pronto, mas depende de uma licença da Marinha brasileira para ser inaugurado.

Fontes ouvidas pelo jornal O Estado de S. Paulo afirmam que esse imbróglio está prestes a ser resolvido e que o porto deve iniciar operação em julho.

O Mubadala, que com a trading holandesa Trafigura detém 65% do terminal, prefere não falar em novo prazo.

No projeto de Eike Batista, as obras do Porto Sudeste seriam iniciadas em 2009 para começar a operar em 2011.

Após sucessivos atrasos, o diretor de operações do porto, Eugenio Mamede, chegou a dizer em agosto que o terminal estava "no caminho para entrar em operação no início do último trimestre de 2014". O que também não ocorreu.

De acordo com a Impala, subsidiária da Trafigura, a última etapa é a autorização da Marinha brasileira para a liberação do canal marítimo de acesso.

"Com essa aprovação, o Porto Sudeste estará pronto para o primeiro carregamento", afirma em nota.

Com investimentos de R$ 4,2 bilhões, o empreendimento tem capacidade para escoar no primeiro ano 7 milhões de toneladas de minério de ferro até atingir a capacidade máxima de 50 milhões de toneladas.

O Sudeste é uma janela para a exportação de mineradoras da região de Serra Azul, em Minas Gerais. Por isso, o consórcio vem negociando contratos de compra de minério com pequenos e médios produtores.

Hoje, o porto tem contratos com a Usiminas e com a MMX, que ainda detém 35% do terminal portuário e está, como outras empresas fundadas por Eike Batista, em recuperação judicial.

No início do ano, segundo apurou o Estado, representantes da companhia estiveram em Abu Dabi para oferecer essa fatia ao Mubadala, sem sucesso.

Para viabilizar a operação do porto, o consórcio também está mapeando ativos no setor de mineração. A ideia é adquirir participação em uma ou mais mineradoras, ou financiar a expansão dessas companhias.

Na negociação para ficar com o porto, Mubadala e Trafigura fizeram um aporte de US$ 400 milhões e assumiram dívidas de R$ 1,3 bilhão da MMX. Segundo uma fonte, o fundo teria usado parte do crédito com o Grupo EBX para pagar a compra da sua fatia no empreendimento.

"Não há dúvidas de que eles se complicaram muito com os negócios aqui no Brasil", diz um ex-executivo da EBX. Em 2011, quando começou a se falar de Mubadala no País, os planos do fundo de Abu Dabi eram ambiciosos.

Na época, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, chegou a afirmar que o governo estava negociando com os árabes um aporte de US$ 13 bilhões, nos segmentos de mineração, alumínio, energia e logística - o que nunca ocorreu nessa proporção.

Cautela

Mesmo depois dos problemas com Eike, representantes do Mubadala declararam em entrevista por e-mail que enxergam o Brasil "como um mercado com grande potencial de crescimento a longo prazo".

Uma fonte próxima ao fundo reforça, no entanto, que, no escritório do Mubadala no Rio, o clima é de cautela.

O pouco que se conhece do fundo árabe é que seus investimentos são ortodoxos e conservadores.

Depois de terem apanhado no Brasil, eles redobraram a preocupação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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