Economia

Economia da China desacelera: investimento cai 6,7% e desemprego sobe para 5,2%

Dados de julho mostram piora no consumo, investimento e indústria e aumentam pressão por estímulos

China: dados de julho reforçam preocupações com a desaceleração da economia. (Leandro Fonseca /Exame)

China: dados de julho reforçam preocupações com a desaceleração da economia. (Leandro Fonseca /Exame)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 17 de agosto de 2026 às 08h18.

Priorizar nos meus resultados Google

Os sinais de fraqueza da economia chinesa se espalharam em julho, colocando mais pressão sobre Pequim para reforçar o apoio à atividade no segundo semestre. O investimento urbano aprofundou a queda, o consumo quase parou de crescer e a produção industrial desacelerou, enquanto o desemprego subiu.

Para o professor de economia da Universidade Tsinghua, Li Daokui, ouvido pelo canal americano, a intensidade da retração dos investimentos é "sem precedentes". Ele considera essa queda dos investimentos e o elevado desemprego entre jovens os maiores obstáculos para a China atingir suas metas de crescimento.

O investimento em ativos fixos urbanos, que inclui imóveis e infraestrutura, recuou 6,7% nos primeiros sete meses do ano, na comparação com igual período de 2025. A retração superou a queda de 6% projetada em pesquisa da Reuters e foi maior que a de 5,7% registrada no primeiro semestre.

Já a produção industrial e as exportações ligadas ao ciclo global de investimentos em inteligência artificial (IA) vinham ajudando a compensar a fraqueza do consumo e do investimento privado. Os números de julho, contudo, sugerem que esse suporte pode estar perdendo força, segundo a CNBC.

Consumo e crédito perdem força

A produção industrial cresceu 4,5% em julho, abaixo dos 4,8% esperados e dos 5,3% de junho. A atividade fabril e a construção perderam impulso no mês, depois de o índice oficial de gerentes de compras da indústria manufatureira ter registrado contração pela primeira vez desde fevereiro.

As vendas no varejo também cresceram 0,6% em julho na base anual, abaixo da expectativa de 1,5% em pesquisa da Reuters e do avanço de 1% de junho. O Goldman Sachs vê que o programa de subsídios para troca de produtos, que antecipou parte das compras, passou a pesar sobre o ritmo das vendas.

Neste cenário, a inflação ao consumidor desacelerou para 0,5% em julho, menor nível em seis meses, enquanto o núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, avançou 0,9%.

O crédito também mostrou sinais de deterioração. Os novos empréstimos bancários concedidos em julho tiveram a maior queda mensal já registrada, conforme o Barclays. Os empréstimos às famílias, incluindo hipotecas, diminuíram depois de uma breve recuperação em junho.

Mercado de trabalho preocupa

Enquanto isso, a taxa oficial de desemprego urbano passou de 5% em junho para 5,2% em julho. Uma pesquisa privada, porém, aponta uma taxa ampla de desemprego ainda maior, de 10,2% no mês.

A pesquisa inclui pessoas que estão sem trabalho há até dois anos e deixaram de ser contabilizadas no levantamento oficial da força de trabalho. Mais da metade dos cerca de 24 milhões de desempregados de longo prazo identificados pelo estudo têm entre 16 e 24 anos.

No dado oficial mais recente, o desemprego entre jovens estava em 14,9% em junho, maior nível para o mês desde que o governo retirou estudantes universitários da amostra, há mais de dois anos.

Pressão por estímulos aumenta

O conjunto dos indicadores reforçou as expectativas de uma resposta mais forte do governo. Presidente e economista-chefe da Pinpoint Asset Management, Zhiwei Zhang vê que os dados apontam para "riscos adicionais de baixa" e aumentou sua expectativa de um corte de juros pelo Banco Popular da China.

Já o porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas, Fu Linghui, disse que as pressões geopolíticas externas e as altas temperaturas dentro da China afetaram a economia em julho, mas acredita que as exportações, novos motores de crescimento e políticas macroeconômicas devem sustentar a economia.

A economista-sênior da Oxford Economics, Sheana Yue, também espera que a aceleração dos gastos fiscais ajude a atividade. Ela, porém, prevê apenas uma recuperação modesta no segundo semestre e mantém a projeção de crescimento da China em 4,8%.

*Com informações da CNBC

Acompanhe tudo sobre:ChinaInvest MercadosJuros

Mais de Economia

PIB do Brasil cresce 0,5% no 2º trimestre de 2026, puxado pela agropecuária

Orçamento de 2027 prevê aporte de R$ 6 bilhões para os Correios

Governo anuncia salário mínimo de R$ 1.741 para 2027

Governo prevê superávit primário de R$ 18,6 bi para 2027