Economia

IPCA sobe 0,33% em dezembro e fecha 2025 em 4,26%, dentro da meta

O resultado ficou em linha com a expectativa do mercado financeiro, que esperava uma alta entre 0,30% e 0,35%

Inflação: transporte por aplicativo teve alta em dezembro (Germano Lüders/Exame)

Inflação: transporte por aplicativo teve alta em dezembro (Germano Lüders/Exame)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 09h04.

Última atualização em 9 de janeiro de 2026 às 09h24.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador oficial da inflação no Brasil, fechou o mês de dezembro em alta, com 0,33%, uma aceleração de 0,15 ponto percentual em comparação ao índice de 0,18% registrado em novembro.

Com o resultado, a inflação fechou 2025 em 4,26%, dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Na comparação com 2024, o IPCA recuou 0,57 ponto percentual. Este também foi o menor acumulado para o ano desde 2018 (3,75%).

A meta é de inflação de 3% ao ano, com tolerância para 1,5 ponto percentual para mais ou menos — 1,5% a 4,5%.

O resultado ficou em linha com a expectativa do mercado financeiro, que esperava uma alta entre 0,30% e 0,35%. 

Por que o IPCA subiu em dezembro?

Em dezembro, apenas o grupo Habitação apresentou variação negativa no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com recuo de 0,33%. Os demais grupos de produtos e serviços registraram alta, com destaque para Transportes, que teve a maior variação mensal, de 0,74%, e o maior impacto individual no índice, com 0,15 ponto percentual (p.p.).

Dentro de Transportes, o aumento foi puxado pela alta de 13,79% no transporte por aplicativo e de 12,61% nas passagens aéreas, esta última com impacto de 0,08 p.p., o maior entre os itens pesquisados.

Os combustíveis, que haviam recuado 0,32% em novembro, voltaram a subir, com variação de 0,45%. O etanol teve a maior alta (2,83%), seguido pelo gás veicular (0,22%) e gasolina (0,18%), enquanto o óleo diesel caiu 0,27%.

A queda de 2,63% no item ônibus urbano foi influenciada por medidas locais de gratuidade em domingos e feriados em cidades como Belém (5,64%), Brasília (1,84%), São Paulo (-6,06%) e Belo Horizonte (-12,87%).

Também houve redução de tarifa em Curitiba (-0,74%). No metrô, a alta de 4,11% reflete o aumento em Brasília (1,84%) e São Paulo (7,22%), mesma tendência observada no trem (3,77%) e no item integração de transporte público (1,01%), que incorporaram gratuidade nos dias de aplicação do Enem e no Natal.

Eletrônicos e carnes voltam a subir; energia elétrica pressiona habitação

Artigos de residência registraram alta de 0,64%, após queda de 1,00% em novembro. Itens como TV, som e informática subiram 1,97%, e os eletroeletrônicos, 0,81%.

No grupo Saúde e cuidados pessoais, o avanço foi de 0,52%, com impacto relevante dos planos de saúde (0,49%) e dos produtos de higiene pessoal (0,52%).

Despesas pessoais desaceleraram, saindo de 0,77% em novembro para 0,36% em dezembro. Destacam-se as altas em cabeleireiro e barbeiro (1,28%) e empregado doméstico (0,48%), além da queda de 3,10% nos preços de hospedagem, que haviam subido 4,09% no mês anterior.

Em Alimentação e bebidas, a alta foi de 0,27% em dezembro. A alimentação no domicílio interrompeu seis meses de queda e subiu 0,14%.

Itens como cebola (12,01%), batata-inglesa (7,65%) e carnes (1,48%) pressionaram a inflação no mês. Entre as carnes, o contrafilé subiu 2,39%, a alcatra 1,99% e a costela 1,89%. Nas frutas (1,26%), o mamão (7,85%) e a banana-prata (4,32%) foram os principais responsáveis pela alta.

Entre as quedas, os destaques foram leite longa vida (-6,42%), tomate (-3,95%) e arroz (-2,04%). A alimentação fora do domicílio teve alta de 0,60%, acima da variação de novembro (0,46%), puxada pelo lanche (1,50%) e pela refeição (0,23%).

O grupo Habitação, único em queda no mês, passou de 0,52% em novembro para -0,33% em dezembro.

O principal fator foi a redução de 2,41% na energia elétrica residencial, que exerceu o maior impacto negativo individual (-0,10 p.p.).

A mudança de bandeira tarifária — de vermelha patamar 1, com cobrança de R$ 4,46 por 100 kWh, para a amarela, com adicional de R$ 1,885 — influenciou diretamente a retração.

Ainda assim, houve reajustes positivos em concessionárias: 21,95% em Porto Alegre (impacto de 3,90%) e 10,48% em Rio Branco (3,80%).

Outros componentes de Habitação também pressionaram. A taxa de água e esgoto subiu 0,96% após reajustes em cidades como Rio de Janeiro (9,13%), Curitiba (1,28%) e Fortaleza (1,81%). Já o gás encanado teve alta de 1,80%, com reajuste de 4,10% em São Paulo (3,27%) e leve queda no Rio (-0,01%).

Porto Alegre lidera alta regional; São Luís tem deflação

Entre os índices regionais, Porto Alegre teve a maior variação (0,63%) do país em dezembro, puxada pela alta de energia elétrica e transporte por aplicativo. Em contraste, São Luís apresentou a menor variação (-0,19%), com destaque para as quedas na energia elétrica (-4,83%) e nas frutas (-6,01%).

Qual foi o resultado do IPCA de dezembro de 2025?

  • IPCA de dezembro: 0,33%
  • IPCA no ano: 4,26%
  • IPCA nos 12 meses: 4,26%

Grupo que mais subiram em dezembro

GrupoVariação (%)Impacto (p.p.)
NovembroDezembroNovembroDezembro
Índice Geral0,180,330,180,33
Alimentação e bebidas-0,010,270,000,06
Habitação0,52-0,330,08-0,05
Artigos de residência-1,000,64-0,030,02
Vestuário0,490,450,020,02
Transportes0,220,740,040,15
Saúde e cuidados pessoais-0,040,520,000,07
Despesas pessoais0,770,360,080,04
Educação0,010,080,000,00
Comunicação-0,200,37-0,010,02
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços
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