Inflação: transporte por aplicativo teve alta em dezembro (Germano Lüders/Exame)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 09h04.
Última atualização em 9 de janeiro de 2026 às 09h24.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador oficial da inflação no Brasil, fechou o mês de dezembro em alta, com 0,33%, uma aceleração de 0,15 ponto percentual em comparação ao índice de 0,18% registrado em novembro.
Com o resultado, a inflação fechou 2025 em 4,26%, dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Na comparação com 2024, o IPCA recuou 0,57 ponto percentual. Este também foi o menor acumulado para o ano desde 2018 (3,75%).
A meta é de inflação de 3% ao ano, com tolerância para 1,5 ponto percentual para mais ou menos — 1,5% a 4,5%.
O resultado ficou em linha com a expectativa do mercado financeiro, que esperava uma alta entre 0,30% e 0,35%.
Em dezembro, apenas o grupo Habitação apresentou variação negativa no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com recuo de 0,33%. Os demais grupos de produtos e serviços registraram alta, com destaque para Transportes, que teve a maior variação mensal, de 0,74%, e o maior impacto individual no índice, com 0,15 ponto percentual (p.p.).
Dentro de Transportes, o aumento foi puxado pela alta de 13,79% no transporte por aplicativo e de 12,61% nas passagens aéreas, esta última com impacto de 0,08 p.p., o maior entre os itens pesquisados.
Os combustíveis, que haviam recuado 0,32% em novembro, voltaram a subir, com variação de 0,45%. O etanol teve a maior alta (2,83%), seguido pelo gás veicular (0,22%) e gasolina (0,18%), enquanto o óleo diesel caiu 0,27%.
A queda de 2,63% no item ônibus urbano foi influenciada por medidas locais de gratuidade em domingos e feriados em cidades como Belém (5,64%), Brasília (1,84%), São Paulo (-6,06%) e Belo Horizonte (-12,87%).
Também houve redução de tarifa em Curitiba (-0,74%). No metrô, a alta de 4,11% reflete o aumento em Brasília (1,84%) e São Paulo (7,22%), mesma tendência observada no trem (3,77%) e no item integração de transporte público (1,01%), que incorporaram gratuidade nos dias de aplicação do Enem e no Natal.
Artigos de residência registraram alta de 0,64%, após queda de 1,00% em novembro. Itens como TV, som e informática subiram 1,97%, e os eletroeletrônicos, 0,81%.
No grupo Saúde e cuidados pessoais, o avanço foi de 0,52%, com impacto relevante dos planos de saúde (0,49%) e dos produtos de higiene pessoal (0,52%).
Despesas pessoais desaceleraram, saindo de 0,77% em novembro para 0,36% em dezembro. Destacam-se as altas em cabeleireiro e barbeiro (1,28%) e empregado doméstico (0,48%), além da queda de 3,10% nos preços de hospedagem, que haviam subido 4,09% no mês anterior.
Em Alimentação e bebidas, a alta foi de 0,27% em dezembro. A alimentação no domicílio interrompeu seis meses de queda e subiu 0,14%.
Itens como cebola (12,01%), batata-inglesa (7,65%) e carnes (1,48%) pressionaram a inflação no mês. Entre as carnes, o contrafilé subiu 2,39%, a alcatra 1,99% e a costela 1,89%. Nas frutas (1,26%), o mamão (7,85%) e a banana-prata (4,32%) foram os principais responsáveis pela alta.
Entre as quedas, os destaques foram leite longa vida (-6,42%), tomate (-3,95%) e arroz (-2,04%). A alimentação fora do domicílio teve alta de 0,60%, acima da variação de novembro (0,46%), puxada pelo lanche (1,50%) e pela refeição (0,23%).
O grupo Habitação, único em queda no mês, passou de 0,52% em novembro para -0,33% em dezembro.
O principal fator foi a redução de 2,41% na energia elétrica residencial, que exerceu o maior impacto negativo individual (-0,10 p.p.).
A mudança de bandeira tarifária — de vermelha patamar 1, com cobrança de R$ 4,46 por 100 kWh, para a amarela, com adicional de R$ 1,885 — influenciou diretamente a retração.
Ainda assim, houve reajustes positivos em concessionárias: 21,95% em Porto Alegre (impacto de 3,90%) e 10,48% em Rio Branco (3,80%).
Outros componentes de Habitação também pressionaram. A taxa de água e esgoto subiu 0,96% após reajustes em cidades como Rio de Janeiro (9,13%), Curitiba (1,28%) e Fortaleza (1,81%). Já o gás encanado teve alta de 1,80%, com reajuste de 4,10% em São Paulo (3,27%) e leve queda no Rio (-0,01%).
Entre os índices regionais, Porto Alegre teve a maior variação (0,63%) do país em dezembro, puxada pela alta de energia elétrica e transporte por aplicativo. Em contraste, São Luís apresentou a menor variação (-0,19%), com destaque para as quedas na energia elétrica (-4,83%) e nas frutas (-6,01%).
| Grupo | Variação (%) | Impacto (p.p.) | ||
|---|---|---|---|---|
| Novembro | Dezembro | Novembro | Dezembro | |
| Índice Geral | 0,18 | 0,33 | 0,18 | 0,33 |
| Alimentação e bebidas | -0,01 | 0,27 | 0,00 | 0,06 |
| Habitação | 0,52 | -0,33 | 0,08 | -0,05 |
| Artigos de residência | -1,00 | 0,64 | -0,03 | 0,02 |
| Vestuário | 0,49 | 0,45 | 0,02 | 0,02 |
| Transportes | 0,22 | 0,74 | 0,04 | 0,15 |
| Saúde e cuidados pessoais | -0,04 | 0,52 | 0,00 | 0,07 |
| Despesas pessoais | 0,77 | 0,36 | 0,08 | 0,04 |
| Educação | 0,01 | 0,08 | 0,00 | 0,00 |
| Comunicação | -0,20 | 0,37 | -0,01 | 0,02 |
| Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Índices de Preços | ||||