Economia

Lula defende parceria com a Bolívia na produção de gás, no agronegócio e em exportações

Em seu discurso, o presidente brasileiro reiterou a intenção de avançar em um projeto “tripartite” envolvendo Brasil, Bolívia e Paraguai, para garantir acesso fluvial ao Oceano Atlântico

Lula: presidente brasileiro durante almoço oferecido ao Presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Rodrigo Paz, no Palácio do Itamaraty.  (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)

Lula: presidente brasileiro durante almoço oferecido ao Presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Rodrigo Paz, no Palácio do Itamaraty. (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 16 de março de 2026 às 17h42.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta segunda-feira, 16, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, em visita oficial realizada no Palácio do Planalto. No encontro, ele defendeu a parceria comercial do Brasil com o país vizinho em diversos setores, especialmente na cooperação energética, esportações e segurança pública.

Durante a reunião, o chefe do Executivo destacou que o Brasil é atualmente o segundo maior parceiro comercial da Bolívia. Também lembrou que os dois países dividem a oitava maior fronteira terrestre do planeta, com 3.400 quilômetros de extensão.

Essa faixa conecta os estados brasileiros do Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul aos departamentos bolivianos de Pando, Beni e Santa Cruz.

Produção e importação de gás da Bolívia

Lula declarou que o governo brasileiro avalia ampliar a produção de gás natural na Bolívia e elevar o volume importado pelo Brasil, em um cenário no qual a cooperação energética é um dos eixos centrais da relação bilateral entre os dois países.

Em declaração à imprensa, o presidente brasileiro afirmou que o cenário internacional atual, marcado por conflitos que afetam a segurança no fornecimento de combustíveis, reforça o papel da Bolívia como fornecedor do insumo.

“Em um contexto internacional marcado por conflitos que ameaçam a provisão segura de combustíveis, a Bolívia permanece como uma fonte segura e mantém a condição de maior fornecedor de gás natural para o Brasil”, disse Lula em declaração à imprensa.

Lula relatou que discutiu com Paz a possibilidade de ampliar investimentos no setor energético, com foco na elevação do volume exportado para o mercado brasileiro.

Segundo o presidente, a Petrobras participa há décadas da estrutura energética boliviana e contribuiu para consolidar o que classificou como uma das principais experiências de integração energética da América Latina. No passado, a estatal chegou a responder por 60% da produção de gás natural do país vizinho, participação que atualmente corresponde a cerca de 25% do total produzido na Bolívia.

“O Gasoduto Brasil–Bolívia serviu muito ao crescimento da indústria brasileira e do setor de hidrocarbonetos boliviano. Hoje, ele pode ser aproveitado para uma integração mais ampla dos mercados de gás do Cone Sul. Também poderá contribuir para abastecer a fábrica de fertilizantes que o governo boliviano considera instalar em Puerto Quijaro”, explicou Lula.

Parceria no agronegócio

Em seu discurso, Lula também defendeu o fortalecimento da cooperação bilateral em setores ligados ao agronegócio, incluindo alimentos, lácteos, material genético, sementes, frutas, algodão, cana-de-açúcar e soja.

O presidente mencionou ainda a ampliação da colaboração em biotecnologia, com participação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Mas, Lula disse que, em breve, a parceria comercial com o vizinho latino-americano pode sentir os efeitos da Sistema Brasileiro de Crédito à Exportação. Segundo ele, o apoio do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) com financiamento de exportações cria margem para competitividade regional e criação de novos empregos.

"Há muitas oportunidades no setor de alimentos, lácteos, material genético, sementes, frutas, algodão, cana-de-açúcar e soja, além de aprofundar a cooperação em biotecnologia, com o apoio da Embrapa", disse Lula.

E acrescentou: "Outra medida que vai surtir efeito no curto prazo é a criação do Sistema Brasileiro de Crédito à Exportação, aprovado na semana passada pelo Congresso Nacional. A partir de agora o BNDES dispõe de instrumentos mais modernos de financiamento às exportações de bens e serviços, abrindo espaço para maior atuação e competitividade internacional das empresas brasileiras e para a geração de empregos".

Projeto de acordo 'tripartite'

O presidente brasileiro reiterou a intenção do governo federal de avançar em um projeto “tripartite” envolvendo Brasil, Bolívia e Paraguai, com o objetivo de garantir acesso fluvial ao Oceano Atlântico.

“Com esse propósito, o Brasil apresentou ano passado projeto de acordo tripartite, com a Bolívia e o Paraguai, para aumento da navegabilidade da hidrovia do rio Paraguai, que inclui a dragagem, sinalização e balizamento do Canal Tamengo, que conecta a Lagoa de Cáceres a Corumbá”, completou.

De acordo com a proposta, uma rota partiria do litoral brasileiro banhado pelo Oceano Atlântico, cruzaria o território nacional e atravessaria a fronteira com o Paraguai. O trajeto seguiria então pela Argentina e, posteriormente, pelo Chile até alcançar o Oceano Pacífico.

Combate ao crime organizado

Segundo o Planalto, também foi firmado um acordo voltado ao reforço da cooperação entre Brasil e Bolívia no enfrentamento ao crime organizado transnacional. O entendimento estabelece ações conjuntas contra práticas como tráfico de pessoas, narcotráfico, lavagem de dinheiro, tráfico de armas, mineração ilegal, crimes cibernéticos e crimes ambientais.

“O acordo que assinamos hoje renova nosso compromisso com o combate ao crime organizado nos dois lados da fronteira. Ele prevê maior coordenação para prevenir e punir o tráfico de drogas e de pessoas, contrabando, roubos de veículos, lavagem de dinheiro, mineração ilegal e crimes ambientais. Ao mesmo tempo, é fundamental facilitar a mobilidade das pessoas”, destacou o presidente Lula.

*Com informações da Agência Brasil.

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