Lula: presidente brasileiro durante almoço oferecido ao Presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Rodrigo Paz, no Palácio do Itamaraty. (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)
Repórter
Publicado em 16 de março de 2026 às 17h42.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta segunda-feira, 16, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, em visita oficial realizada no Palácio do Planalto. No encontro, ele defendeu a parceria comercial do Brasil com o país vizinho em diversos setores, especialmente na cooperação energética, esportações e segurança pública.
Durante a reunião, o chefe do Executivo destacou que o Brasil é atualmente o segundo maior parceiro comercial da Bolívia. Também lembrou que os dois países dividem a oitava maior fronteira terrestre do planeta, com 3.400 quilômetros de extensão.
Essa faixa conecta os estados brasileiros do Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul aos departamentos bolivianos de Pando, Beni e Santa Cruz.
O Brasil é hoje o segundo parceiro comercial da Bolívia. Mas o comércio bilateral ainda está muito aquém de seu potencial. Estamos atuando para reverter esse quadro.
Em setembro de 2025, mais de 100 empresas brasileiras estiveram na Expocruz em Santa Cruz de la Sierra, a maior… pic.twitter.com/sFDdp0Cryx
— Lula (@LulaOficial) March 16, 2026
Lula declarou que o governo brasileiro avalia ampliar a produção de gás natural na Bolívia e elevar o volume importado pelo Brasil, em um cenário no qual a cooperação energética é um dos eixos centrais da relação bilateral entre os dois países.
Em declaração à imprensa, o presidente brasileiro afirmou que o cenário internacional atual, marcado por conflitos que afetam a segurança no fornecimento de combustíveis, reforça o papel da Bolívia como fornecedor do insumo.
“Em um contexto internacional marcado por conflitos que ameaçam a provisão segura de combustíveis, a Bolívia permanece como uma fonte segura e mantém a condição de maior fornecedor de gás natural para o Brasil”, disse Lula em declaração à imprensa.
Lula relatou que discutiu com Paz a possibilidade de ampliar investimentos no setor energético, com foco na elevação do volume exportado para o mercado brasileiro.
Segundo o presidente, a Petrobras participa há décadas da estrutura energética boliviana e contribuiu para consolidar o que classificou como uma das principais experiências de integração energética da América Latina. No passado, a estatal chegou a responder por 60% da produção de gás natural do país vizinho, participação que atualmente corresponde a cerca de 25% do total produzido na Bolívia.
“O Gasoduto Brasil–Bolívia serviu muito ao crescimento da indústria brasileira e do setor de hidrocarbonetos boliviano. Hoje, ele pode ser aproveitado para uma integração mais ampla dos mercados de gás do Cone Sul. Também poderá contribuir para abastecer a fábrica de fertilizantes que o governo boliviano considera instalar em Puerto Quijaro”, explicou Lula.
Em seu discurso, Lula também defendeu o fortalecimento da cooperação bilateral em setores ligados ao agronegócio, incluindo alimentos, lácteos, material genético, sementes, frutas, algodão, cana-de-açúcar e soja.
O presidente mencionou ainda a ampliação da colaboração em biotecnologia, com participação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Mas, Lula disse que, em breve, a parceria comercial com o vizinho latino-americano pode sentir os efeitos da Sistema Brasileiro de Crédito à Exportação. Segundo ele, o apoio do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) com financiamento de exportações cria margem para competitividade regional e criação de novos empregos.
"Há muitas oportunidades no setor de alimentos, lácteos, material genético, sementes, frutas, algodão, cana-de-açúcar e soja, além de aprofundar a cooperação em biotecnologia, com o apoio da Embrapa", disse Lula.
E acrescentou: "Outra medida que vai surtir efeito no curto prazo é a criação do Sistema Brasileiro de Crédito à Exportação, aprovado na semana passada pelo Congresso Nacional. A partir de agora o BNDES dispõe de instrumentos mais modernos de financiamento às exportações de bens e serviços, abrindo espaço para maior atuação e competitividade internacional das empresas brasileiras e para a geração de empregos".
O presidente brasileiro reiterou a intenção do governo federal de avançar em um projeto “tripartite” envolvendo Brasil, Bolívia e Paraguai, com o objetivo de garantir acesso fluvial ao Oceano Atlântico.
“Com esse propósito, o Brasil apresentou ano passado projeto de acordo tripartite, com a Bolívia e o Paraguai, para aumento da navegabilidade da hidrovia do rio Paraguai, que inclui a dragagem, sinalização e balizamento do Canal Tamengo, que conecta a Lagoa de Cáceres a Corumbá”, completou.
De acordo com a proposta, uma rota partiria do litoral brasileiro banhado pelo Oceano Atlântico, cruzaria o território nacional e atravessaria a fronteira com o Paraguai. O trajeto seguiria então pela Argentina e, posteriormente, pelo Chile até alcançar o Oceano Pacífico.
Segundo o Planalto, também foi firmado um acordo voltado ao reforço da cooperação entre Brasil e Bolívia no enfrentamento ao crime organizado transnacional. O entendimento estabelece ações conjuntas contra práticas como tráfico de pessoas, narcotráfico, lavagem de dinheiro, tráfico de armas, mineração ilegal, crimes cibernéticos e crimes ambientais.
“O acordo que assinamos hoje renova nosso compromisso com o combate ao crime organizado nos dois lados da fronteira. Ele prevê maior coordenação para prevenir e punir o tráfico de drogas e de pessoas, contrabando, roubos de veículos, lavagem de dinheiro, mineração ilegal e crimes ambientais. Ao mesmo tempo, é fundamental facilitar a mobilidade das pessoas”, destacou o presidente Lula.
*Com informações da Agência Brasil.