Combustíveis: No grupo de Transportes, a Warren estima alta de 4,5% na gasolina e de até 12% no diesel, refletindo o avanço do petróleo no mercado internacional (Buda Mendes/Getty Images)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 9 de abril de 2026 às 17h58.
O O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador oficial da inflação no Brasil, de março deve registrar alta entre 0,70% e 0,76%, acelerando em relação a fevereiro e levando a inflação em 12 meses para perto de 4%, segundo estimativas de bancos e casas de análise.
O dado oficial será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 10.
As estimativas indicam para uma inflação mais pressionada no mês, com destaque para alimentos, combustíveis e serviços, ainda que com sinais mistos entre os grupos.
Segundo o Banco Daycoval, a inflação deve subir 0,70% em março, puxada principalmente pela alta de alimentos, passagens aéreas e combustíveis.
A instituição destaca que o conflito no Oriente Médio deve elevar os preços de energia e pressionar o índice no curto prazo.
Na mesma linha, a Warren Investimentos projeta alta de 0,76%, com aceleração da inflação em 12 meses para 4,02%. A casa aponta que alimentos no domicílio devem avançar cerca de 1,50%, com pressão relevante de itens in natura, carnes e derivados do leite.
No grupo de Transportes, a Warren estima alta de 4,5% na gasolina e de até 12% no diesel, refletindo o avanço do petróleo no mercado internacional. Já o Daycoval também projeta alta expressiva de combustíveis, reforçando o impacto do cenário externo sobre o índice.
O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), em relatório assinado por Álvaro Frasson, Arthur Mota e Victor Esteves do Amaral, estima IPCA de 0,75% no mês.
O banco destaca a aceleração de alimentos no domicílio após meses mais benignos, ao mesmo tempo em que vê algum alívio em bens industriais, especialmente em itens de higiene pessoal.
Além dos alimentos e combustíveis, a composição da inflação segue heterogênea. A Warren aponta desaceleração em educação, após os reajustes de fevereiro, e alívio em saúde e cuidados pessoais. Já vestuário deve voltar a subir, acompanhando a sazonalidade.
No caso de serviços, há consenso entre as casas de que a pressão permanece. O Daycoval ressalta que itens intensivos em trabalho, serviços cuja estrutura de custos depende principalmente de mão de obra, como cabeleireiros, restaurantes e cuidados pessoais, continuam em patamar elevado.
Já a Warren projeta serviços subjacentes, núcleo da inflação de serviços que exclui itens mais voláteis e captura tendências mais persistentes de preços, ainda altos em termos anuais. O BTG, por sua vez, aponta impacto de serviços bancários e do mercado de trabalho aquecido.
As três instituições indicam que, apesar de eventuais alívios pontuais, a inflação segue disseminada. A Warren destaca que itens mais sensíveis ao choque externo — cerca de 15% da cesta — devem acelerar de forma relevante em março.
Já o Daycoval avalia que os serviços subjacentes seguem como um dos principais desafios para o Banco Central, enquanto o BTG reforça o comportamento desfavorável desse grupo.
No horizonte mais longo, as projeções seguem acima da meta. O Daycoval estima inflação de 4,2% em 2026, a Warren projeta 4,5%, enquanto o BTG vê o índice em 4,7%, com riscos ligados ao cenário externo e ao clima.
Dados do Boletim Focus reforçam esse quadro. A expectativa para o IPCA de 2026 subiu de 4,31% para 4,36%, na quarta alta consecutiva. Para 2027, a projeção avançou para 3,85%, com estimativas de 3,60% para 2028 e 3,50% para 2029. No início do ano, antes da guerra entre Irã, Estados Unidos e Iraque, a expectativa para inflação estava próximo de 3,5%.