Economia

Haddad defende que a meta da inflação continue em 3%

Ministro diz que manteria meta de inflação em 3% e critica juro real de 9,23%, o segundo maior do mundo

Fernando Haddad:  (Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda/Flickr)

Fernando Haddad: (Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda/Flickr)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 11h43.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira, 10, que defenderia, se continuasse na pasta, que a meta de inflação seguisse em 3%.

"Eu respondo pelo o que eu fiz e que eu manteria em 3% se eu permanecesse", afirmou durante painel do CEO Conference do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME).

Em documento aprovado na última semana, o Diretório Nacional do PT defendeu a revisão da meta inflacionária com o argumento de que o controle da inflação deve ser compatibilizado com crescimento, geração de empregos, fortalecimento do investimento público e ampliação das políticas sociais.

No ano passado, o IPCA fechou em 4,26%, abaixo do intervalo de tolerância da meta, de 4,5%, mas acima da meta de 3%.

Haddad afirmou que os questionamentos do PT são legítimos e que, em uma democracia, não é possível calar um partido que "tem muitas vozes". Ele salientou, porém, que, quando se está no governo, é necessário olhar o todo.

"Agora, quando você está no governo, tem que olhar um conjunto de variáveis que, muitas vezes, gera constrangimentos reais que precisam ser observados para não causar disfuncionalidade", afirmou.

O ministro afirmou que muitas decisões são delicadas e citou que a decisão de mudar a meta de inflação de calendário para uma meta contínua já foi um desafio.

Juro real não tem razão para estar nesse patamar

Haddad afirmou que não vê razão para que o juro real do Brasil estar do jeito que está. Segundo cálculos de economistas, o juro real está em 9,23%, o segundo maior do mundo. 

O juro real é a taxa de juros ajustada pela inflação, que reflete o retorno efetivo do investimento ou o custo do crédito, descontando a perda do poder de compra da moeda.

"Não estou querendo macular a reputação da autoridade monetária. Eu entendo que, com o juro real desse nível, não é possível contrapor com nenhum nível de superávit primário", afirmou.

O ministro defendeu ainda que o déficit fiscal está caindo no Brasil, mesmo com o patamar da dívida pública em crescimento desde 2023. Haddad afirmou que o resultado fiscal de 2026 será melhor.

econom

Acompanhe tudo sobre:Fernando HaddadAjuste fiscalInflaçãoIPCA

Mais de Economia

Gasolina volta a pressionar inflação após reajuste do ICMS

Brasil está maduro para novos desenhos de programas sociais, diz Haddad

IPCA sobe 0,33% em janeiro com alta na gasolina

Boletim Focus: mercado reduz projeção do IPCA para 2026 pela 5ª vez consecutiva