Economia

Esqueça os eletrônicos baratos – a China como a conhecemos acabou

A barata mão de obra chinesa está chegando ao fim, e o mundo, que se acostumou a tirar proveito disso, terá que se adaptar aos novos rumos do gigante asiático

Fábrica do MacBook em Xangai: funcionários da Foxconn  tiveram reajuste salarial de 25% este ano. Custos na China não param de crescer, mas isso gera novas oportunidades (Reprodução / Apple)

Fábrica do MacBook em Xangai: funcionários da Foxconn tiveram reajuste salarial de 25% este ano. Custos na China não param de crescer, mas isso gera novas oportunidades (Reprodução / Apple)

DR

Da Redação

Publicado em 6 de julho de 2012 às 16h30.

São Paulo - Faz já alguns anos, os chineses são responsáveis por produzir bens desejados e exportados efetivamente para todo mundo. iPhones, iPads, tênis de marca e muitos outros itens saem de lá para as mãos de ávidos consumidores nos quatro cantos do globo. Para as grandes indústrias internacionais, a China é um local impossível de ignorar, com concentração de mão-de-obra barata por metro quadrado superior a qualquer outro lugar do planeta.

Mas a má-notícia para alguns é que os chineses não querem mais apenas fabricar aparelhos de todo tipo: querem tê-los. É sobre este cenário e como se adaptar a ele o livro “The End of Cheap China: Economic and Cultural Trends That Will Disrupt the World” (O Fim da China Barata - Tendências econômicas e culturais que vão abalar o mundo, em tradução livre), lançado em março deste ano nos Estados Unidos e ainda sem previsão no Brasil.

Para o autor Shaun Rein, Manager Director da empresa de consultoria e pesquisa China Market Research Group, de Shangai, o papel que o país desempenhou nas últimas décadas se encontra em plena reversão. “Em vez de ser uma força deflacionária na economia global, a China vai exportar inflação para o resto do mundo”, afirma ele, norte-americano que vive há 15 anos no país asiático, e atende clientes como Apple e DuPont.

Apenas em 2011, 21 das 31 províncias chinesas aumentaram o salário mínimo em 22%, em média. Em fevereiro deste ano, pesquisa da Câmara Americana de Comércio em Shangai revelou que para 91% dos empresários atuando no China, “custos crescentes” é a principal dificuldade enfrentada, muito a frente de pirataria, por exemplo.

Para as companhias, uma solução seria se deslocar para mercados onde a rubrica mão de obra pesa ainda menos. Mas segundo Rein, isso não acontecerá nos próximos 5 anos, pelo menos. Para o autor, a produtividade e infraestrutra chinesas não podem ser replicadas de imediato em países como Vietnã e Indonésia. Na prática, portanto, as companhias terão que se acostumar com margens mais apertadas de lucro ou repassar os custos.

“A evaporação da mão de obra barata chinesa vai abalar as cadeias de fornecimento e os hábitos de consumo ao redor do mundo. Executivos e formuladores de políticas precisam se preparar antes da curva, evoluir e aproveitar as mudanças - ou então enfrentar a extinção”, afirma o livro.

Apple e Dell são apontadas como empresas que aprenderam que devem tirar proveito também do crescente mercado consumidor chinês. De acordo com o autor, somente a classe média chinesa representa um mercado de 350 milhões de pessoas.

Usando estatísticas, anedotas e revelando o que viu após vários anos entrevistando bilionários chineses, executivos do governo - e, acredite, até prostitutas - Shaun Rein mostra também, em "The End of Cheap China", o momento de otimismo que vivem os chineses, particularmente os jovens, que visualizam carreiras profissionais mais promissoras que seus pais – cenário não de todo diferente do otimismo que cerca os brasileiros hoje.

Acompanhe tudo sobre:ÁsiaChinaMão de obra

Mais de Economia

Oriente Médio perderá US$ 4,3 bilhões em 2026 no setor aéreo, prevê Iata

Aéreas vão gastar US$ 100 bi a mais com combustível e lucro cai pela metade, diz Iata

Corte de voos segue em análise, especialmente em rotas no interior, diz CEO da Azul

Passagens aéreas devem seguir mais caras pelo resto do ano, diz CEO da Latam