Economia

Ata do Copom: BC deve continuar com cautela e manter juros a 15%

Apesar da queda nas expectativas de inflação em prazos mais curtos, o comitê alerta que elas seguem desancoradas; EUA também pesa na decisão

Publicado em 11 de novembro de 2025 às 08h17.

Os diretores do Banco Central (BC) afirmaram nesta terça-feira, 11, na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que a taxa de juros deve continuar nos 15% nas próximas reuniões com o cenário externo ainda incerto e o doméstico em trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, mas com um mercado de trabalho ainda dinâmico.

"Na medida em que o cenário tem se delineado conforme esperado, o Comitê dá prosseguimento ao estágio em que opta por manter a taxa inalterada por período bastante prolongado, mas já com maior convicção de que a taxa corrente é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta", diz a ata.

O documento reconhece haver moderação gradual da atividade em curso, certa diminuição da inflação corrente e alguma redução nas expectativas de inflação.

"No entanto, o Comitê seguirá vigilante e não hesitará em retomar o ciclo de alta se julgar apropriado. Reafirmou-se o firme compromisso com o mandato do Banco Central de levar a inflação à meta", afirmam os diretores em outro trecho da ata.

Segundo o BC, “o ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais”.

Por aqui, a inflação apresentou arrefecimento recente, mas continua acima da meta. As expectativas medidas pela pesquisa Focus permanecem elevadas: 4,5% para 2025 e 4,2% para 2026. “O cenário prospectivo de inflação segue desafiador em diversas dimensões”, diz o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom).

O Comitê também destacou os efeitos da política fiscal.

“Uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta”, afirma o texto.

O Copom demonstrou preocupação com o “esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal”, o que pode elevar a taxa neutra de juros e reduzir a eficácia da política monetária.

Política monetária deverá seguir restritiva por mais tempo

Apesar da queda nas expectativas de inflação em prazos mais curtos, o comitê alerta que elas seguem desancoradas. “A desancoragem das expectativas de inflação é um fator de desconforto comum a todos os membros do Comitê e deve ser combatida”, diz o documento. Para o Copom, esse ambiente exige uma política monetária mais restritiva e por mais tempo.

A combinação de um câmbio mais apreciado e commodities em baixa também ajudou a conter a inflação de bens industrializados e alimentos, segundo o BC.

Já os serviços continuam pressionados, refletindo a resiliência do mercado de trabalho. “Mantém-se a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda e que requer uma política monetária contracionista por um período bastante prolongado”, afirma o comitê.

Projeções continuam acima da meta no horizonte relevante

As projeções do cenário de referência indicam inflação de 4,6% em 2025 e 3,6% em 2026. Para o segundo trimestre de 2027, horizonte considerado relevante para a política monetária, a inflação projetada é de 3,3%.

O Copom também apontou riscos de alta para a inflação, como a persistência da desancoragem das expectativas, a resiliência dos serviços e possíveis impactos de políticas econômicas sobre a taxa de câmbio. Entre os riscos de baixa, foram citadas eventuais desacelerações mais intensas da atividade doméstica ou global e queda nos preços das commodities.

“Os vetores inflacionários seguem adversos, como resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho, expectativas de inflação desancoradas e projeções de inflação elevadas”, diz o comunicado.

Por isso, o comitê reafirmou o compromisso com uma política monetária suficientemente contracionista.

A decisão de manter a Selic no mesmo patamar na última reunião, segundo a ata, foi unânime. “O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% ano a ano, e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, diz o documento.

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