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Presidência brasileira da COP30 se reúne com ministro da Turquia: foco dos roadmaps é reunir ideias que irão consolidar as metas diplomáticas em ações antes da COP31 (Yasin Akgul/AFP/Getty Images)
Repórter de ESG
Publicado em 2 de março de 2026 às 08h00.
A presidência brasileira da COP30 acaba de abrir uma consulta global para coletar contribuições que irão orientar os dois "roadmaps" ou mapas do caminho sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis e fim do desmatamento até 2030, com foco em transformar compromissos em ações concretas.
A iniciativa marca o início da fase operacional da grande promessa da conferência climática em Belém, após os temas sensíveis ficarem de fora do acordo final da UNFCC e se tornarem um dos nós mais difíceis para o Brasil desatar na diplomacia global.
Em dezembro, o presidente Lula assinou um decreto determinando que os ministérios de Minas e Energia, Fazenda, Meio Ambiente e Casa Civil apresentassem, em 60 dias, diretrizes para uma “transição energética justa e planejada”, tema que será levado para a conferência sobre fósseis na Colômbia, em abril.
No entanto, o prazo venceu no último 7 de fevereiro , sem que nenhum documento fosse apresentado, pública ou extraoficialmente.
Na carta publicada pela Convenção do Clima da ONU (UNFCC) em 28 de fevereiro, os roadmaps servirão como guias práticos, capazes de orientar políticas públicas, estratégias empresariais e ações da sociedade civil.
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A presidência brasileira liderada pelo embaixador André Corrêa do Lago reforça que o objetivo é contar com um processo justo e que os roteiros devem ajudar a identificar soluções adaptáveis às diferentes realidades nacionais e locais.
“Embora estas iniciativas não derivem de um mandato negociado e sejam conduzidas sob minha responsabilidade, estou convencido de que devem ser perseguidas de maneira inclusiva, participativa e transparente", afirma a carta.
Transição de combustíveis fósseis
O primeiro roadmap busca apoiar países na transição energética de forma justa, ordenada e equitativa, considerando diferentes níveis de dependência de fósseis e estágio de desenvolvimento. O documento deve abordar:
Barreiras físicas, econômicas, financeiras, institucionais, tecnológicas e sociais.
Oportunidades e alavancas para acelerar a implementação da transição.
Experiências, boas práticas e lições aprendidas em diferentes países, regiões ou setores.
Temas como riscos climáticos, oferta e demanda de energia, políticas públicas, inovação tecnológica, diversificação econômica e gestão da transição.
Desmatamento e degradação florestal
O segundo tem como meta interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030. Entre os conteúdos esperados estão:
Identificação de barreiras físicas, econômicas, institucionais, sociais e tecnológicas.
Alavancas para acelerar políticas de conservação e restauração.
Experiências e políticas bem-sucedidas que podem ser replicadas.
Integração de direitos e conhecimentos de povos indígenas e comunidades locais.
Temas como restauração florestal, manejo sustentável, bioeconomia, agroflorestas, cooperação internacional e financiamento climático.
Governos, observadores internacionais, empresas, ONGs, universidades e outros interessados podem enviar suas contribuições até 31 de março de 2026.
A iniciativa é descrita dentro do mote de “mutirão global”, reunindo ideias que irão consolidar as metas diplomáticas em ações aplicáveis antes da COP31, que será realizada na Turquia em novembro.
Na prática, a consulta global é a oportunidade de participar diretamente da construção de roadmaps que vão moldar políticas, investimentos e estratégias para o fim dos fósseis e do desmatamento no mundo.