Mercado Pago habilita operações com criptomoedas no Brasil

Clientes poderão comprar três ativos digitais a partir de investimento inicial de R$ 1; taxa será de 2% por operação
 (Mercado Livre/Blog 360meridianos)
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Agência O Globo

Publicado em 02/12/2021 às 17:05.

Última atualização em 02/12/2021 às 19:00.

O Mercado Pago, braço financeiro do Mercado Livre, deu mais um passo na oferta de serviços financeiros aos brasileiros. A carteira digital começou a oferecer a possibilidade de compra e venda de três criptomoedas, para seus usuários.

A novidade já está disponível para alguns usuários e, segundo os representantes da empresa, chegará aos 20 milhões de clientes da plataforma até o final do ano.

"O Mercado Livre veio democratizar o comércio e o Mercado Pago está democratizando os serviços financeiros. Hoje damos um passo muito importante porque as criptomoedas são uma revolução no mercado financeiro", disse Oswaldo Gimenez, presidente do Mercado Pago.

Neste início de operação, estarão disponíveis para compra, venda e custódia três criptmoedas: bitcoin, ether e USDP. Quem comprar os ativos não poderá gastá-los em produtos no Mercado Livre ou transferir para outras carteiras digitais, por enquanto. Será cobrada uma taxa única e de 2% sobre cada transação de compra ou venda e em reais.

Na operação de venda e compra de criptomoedas, o Mercado Pago fechou uma parceria com a empresa americana Paxos, plataforma custodiante, que já tem registro na Securities and Exchange Commission (SEC), órgão que regula e fiscaliza o mercado de capitais dos EUA.

O Mercado Pago ainda não tem expectativa de quantos brasileiros devem investir em criptomoedas através de seu aplicativo, mas lembra que no terceiro trimestre deste ano cerca de 20 milhões de brasileiros fizeram algum tipo de compra na empresa, o que sinaliza um base consistente de potenciais clientes.

Educação financeira

A empresa também vai oferecer conteúdo de educação financeira sobre como funciona o mercado de criptomoedas, como operar este mercado e outras dúvidas.

"É mais um caminho para fazer investimentos em novos ativos. O Mercado Pago já oferece uma conta remunerada que rende 100% do CDI. Temos de ter mais produtos de investimentos para complementar nossa oferta", disse Túlio Oliveira, vice-presidente do Mercado Pago no Brasil.

A empresa decidiu começar a operação pelo Brasil porque é o maior mercado onde opera. Depois vai levar essa oferta a outros países da América Latina.

Embora não se denomine um banco digital, mas sim uma fintech, o Mercado Pago caminha na direção de oferecer cada vez serviços financeiros. Além da conta remunerada, a empresa também já tem oferta de crédito, além de permitir operações com Pix, por exemplo.

É um movimento seguido por outras fitenchs que começaram com a oferta de marketplaces e depois passaram a oferecer produtos financeiros. Na contramão, os bancos também invadem a praia dessas fintechs e estão criando seus marketplaces próprios.

"Há um cruzamento no caminho de bancos e empresas de varejo. Os bancos estão criando seus próprios marketplaces e as empresas de comércio eletrônico cada vez mais oferecem serviços financeiros. Com a digitalização das operações nas compras e de serviços financeiros, além do open banking, que compartilha dados bancários, essa estratégia vem crescendo", diz Luiz Miguel Santacreu, especialista em sistema financeiro e analista da agência de classificação de risco Austin Rating.

No Brasil, empresas de varejo como o Magalu estão cada vez mais ofertando produtos financeiros, enquanto bancos tradicionais, como Bradesco, criaram marketplaces, lembra Santacreu.

Trata-se de uma tendência que se vê também no exterior. O Ant Group, fintech financeira do grupo chinês de comércio online Alibaba, atua num modelo de negócios semelhante ao Mercado Livre e Mercado Pago.

Santacreu observa que as criptomoedas são um ativo da "moda" no mercado finenceiro e têm atraído a atenção de muita gente, inclusive no Brasil, por isso as fintechs estão começando a oferecer este produto. Segundo dados obtidos pelo Mercado Pago, há mais brasileiros operando com as chamadas moedas digitais (39%) do que com ações em Bolsa (29%).