Ciência

Viagem no espaço? Estudo revela que bactérias podem sobreviver a asteroides

Estudo mostra que microrganismos podem sobreviver à pressão extrema de impactos de asteroides e serem lançados ao espaço

Esta bactéria sobreviveu 3 anos no espaço (e pode viajar para Marte) (Bernt Ove Moss / EyeEm/Getty Images)

Esta bactéria sobreviveu 3 anos no espaço (e pode viajar para Marte) (Bernt Ove Moss / EyeEm/Getty Images)

Publicado em 4 de março de 2026 às 06h01.

Um experimento científico demonstrou que bactérias extremamente resistentes podem sobreviver à pressão intensa gerada por um impacto de asteroide. Essa etapa é considerada essencial para a hipótese de que microrganismos podem viajar entre planetas presos a fragmentos de rocha espacial.

A pesquisa, publicada na revista PNAS Nexus, simulou em laboratório as forças envolvidas quando um asteroide atinge a superfície de um planeta e lança detritos para o espaço. O resultado fortalece a teoria da litopanspermia, segundo a qual a vida pode se espalhar pelo Sistema Solar por meio de meteoritos e estilhaços ejetados após colisões cósmicas.

Teste simulou ejeção de rochas ao espaço

Para reproduzir as condições de um impacto planetário, cientistas comprimiram bactérias entre placas de aço e dispararam um projétil a cerca de 480 km/h contra o conjunto. A colisão gerou pressões de até 3 gigapascais (GPa) — aproximadamente 30 vezes superiores à pressão registrada no ponto mais profundo dos oceanos da Terra.

A espécie escolhida foi a Deinococcus radiodurans, bactéria conhecida pela resistência à radiação, frio extremo e ambientes com pouco oxigênio — características semelhantes às condições do espaço ou de Marte primitivo.

Os resultados indicaram alta taxa de sobrevivência em:

  • 1,4 GPa, quase 100% das bactérias permaneceram viáveis.
  • 2,4 GPa, cerca de 60% sobreviveram.

Esses números superam testes anteriores com microrganismos menos resistentes, nos quais a sobrevivência era mínima.

Sobrevivência ligada ao reparo do DNA

Análises genéticas mostraram aumento na atividade de genes relacionados ao reparo do DNA e à manutenção da estrutura celular após o impacto. A parede celular espessa da bactéria também pode ter contribuído para suportar o estresse mecânico extremo.

Essas características biológicas sugerem que certos microrganismos poderiam resistir à fase inicial de uma possível jornada interplanetária — a ejeção violenta causada por um asteroide.

O que isso significa para a origem da vida?

A descoberta tem implicações importantes para a astrobiologia e para estudos sobre a origem da vida na Terra e em Marte. Caso fragmentos rochosos ejetados de um planeta transportem microrganismos viáveis, a vida poderia se dispersar dentro de um mesmo sistema planetário.

O experimento avaliou apenas a resistência ao impacto inicial. Ainda será necessário investigar se esses micróbios suportariam longos períodos de exposição à radiação cósmica e à reentrada atmosférica.

Mesmo assim, o estudo sugere que a vida pode ser mais resiliente a eventos extremos do que se imaginava, ampliando o debate sobre vida extraterrestre e contaminação planetária.

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