Vacina produzida em Oxford pode dar “proteção dupla” contra o coronavírus

Além de anticorpos, vacina poderia permitir a criação de celulas-t que atuariam no combate à doença
Vacina: com o uso de células-tronco, nova vacina pode ser duas vezes mais efetiva no combate ao coronavírus (Dado Ruvic/Reuters)
Vacina: com o uso de células-tronco, nova vacina pode ser duas vezes mais efetiva no combate ao coronavírus (Dado Ruvic/Reuters)
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Rodrigo Loureiro

Publicado em 17/07/2020 às 14:40.

Última atualização em 27/07/2020 às 10:10.

Cientistas da Universidade de Oxford estão empolgados com os testes humanos realizados com a vacina que está sendo desenvolvida na universidade da Inglaterra. As avaliações mais recentes mostram que a terapia de imunização pode garantir uma “proteção dupla” contra a infecção do novo coronavírus.

Conforme reportado pelo Daily Telegraph, a primeira fase de testes com voluntários humanos, iniciada ainda em abril, mostrou que o composto pode gerar uma resposta imune ao corpo. Desta forma, o organismo é capaz de produzir uma maior quantidade de anticorpos e, também células-T assassinas”, que podem dizimar o vírus.

Isso é importante porque descobertas recentes mostram que os anticorpos adquiridos para enfrentar a infecção podem desaparecer com o passar do tempo, o que permitiria que as pessoas pegassem coronavírus mais de uma vez. As novas células-T que seriam criadas com a vacina, por outro lado, permaneceriam vivas por anos.

"Posso dizer que agora sabemos que a vacina de Oxford cobre as duas bases: produz uma célula-t e uma resposta de anticorpos", disse uma fonte sênior do desenvolvimento da vacina de Oxford ao The Telegraph. "É uma combinação desses dois que esperamos manter como pessoas seguras.”

Uma pesquisa recente do King's College, de Londres, e publicada na revista científica Nature mostra que os níveis de anticorpos contra a covid-19 atingem o pico três semanas após o início dos sintomas, mas depois diminuem rapidamente nas semanas seguintes. Por outro lado, conforme dados de uma pesquisa mais antiga feita em Cingapura, as células-T permanecem ativas por 17 anos.

Para David Carpenter, presidente do Comitê de Ética em Pesquisa da Berkshire e responsável pela aprovação dos testes em Oxford, os pesquisadores estão “absolutamente no caminho certo”. A expectativa é que a vacina seja produzida nos próximos meses e seja disponibilizada no Brasil em junho do ano que vem.

Apesar das previsões, Carpenter diz que, mesmo com o otimismo obtido após os resultados dos testes, “ninguém pode definir datas finais.” Segundo ele, “as coisas podem dar errado, mas a realidade é que, trabalhando com uma grande empresa farmacêutica, a vacina pode estar amplamente disponível em setembro.”