The Plastic Detox: documentário da Netflix traz reflexões sobre o excesso de plástico e como ele pode afetar a saúde (Reprodução/Netflix)
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Publicado em 17 de março de 2026 às 09h45.
Em The Plastic Detox, documentário que estreia na Netflix nesta segunda-feira, 16, seis casais com infertilidade sem causa aparente passam três meses tentando reduzir o plástico do dia a dia para avaliar se isso pode influenciar a chance deles terem um bebê.
A rotina dos participantes é analisada pela epidemiologista Shanna Swan, de 89 anos, que há décadas se dedica aos estudos dos efeitos de compostos ambientais no organismo humano e leciona na faculdade de medicina ambiental na Escola de Medicina Icahn do Monte Sinai, em Nova York.
Ao longo do documentário, Swan identifica fontes de plástico na casa dos casais, sugere substituições e analisa indicadores biológicos, como a presença de alguns químicos na urina e parâmetros ligados à fertilidade.
Três dos cinco casais do experimento tiveram bebês. Ainda assim, a própria pesquisadora reconhece que o experimento tem limitações, começando pelo número pequeno de participantes e a falta de um grupo de controle, o que impede conclusões científicas mais robustas.
Swan afirmou que o desafio não tinha intenção de criar falsas expectativas e nem assustar as pessoas, mas sim educá-las sobre a questão do plástico. "Isso também é algo a que precisamos prestar atenção", afirmou.
O documentário estreia nesta segunda, mas as prévias e trailers já deixaram uma pergunta no ar: afinal, é possível eliminar totalmente o plástico da nossa vida?
Quem, assim como os casais do documentário, está disposto a reduzir o plástico por questões de saúde, deve entender o que exatamente está sendo evitado. Isso porque existem dois tipos principais de exposição, como explica Matthew Campen, professor de ciências farmacêuticas da Universidade do Novo México, ao New York Times: microplásticos e plastificantes.
Os microplásticos são partículas microscópicas liberadas pelo desgaste de objetos plásticos maiores, como sacolas descartáveis ou roupas feitas de tecidos sintéticos. Nos últimos anos, foram detectadas diferentes partes do corpo humano, incluindo sangue, cérebro, coração e até no cordão umbilical.
Parte dessa exposição vem de itens comuns do dia a dia: utensílios de cozinha, recipientes para armazenar alimentos, garrafas reutilizáveis e roupas feitas de tecidos sintéticos. Escovas de dentes, por exemplo, costumam ter cerdas de nylon — um tipo de plástico — que podem liberar pequenas partículas com o atrito da escovação.
Já os plastificantes são substâncias químicas adicionadas ao material para alterar suas propriedades — por exemplo, deixá-lo mais rígido ou mais flexível. Entre os plastificantes mais conhecidos estão os bisfenóis (como o BPA) e os ftalatos, presentes em itens como garrafas reutilizáveis, embalagens e brinquedos.
Segundo pesquisadores, são esses que despertam mais preocupação quando o assunto é saúde, pois são considerados desreguladores endócrinos devido à sua capacidade de interferir no funcionamento dos hormônios. Esses compostos também estão associados a doenças cardiovasculares e alterações no desenvolvimento neurológico.
Hoje, é possível dizer que a resposta é não — pelo menos não completamente. O material está profundamente incorporado à vida moderna: em embalagens de alimentos, roupas, móveis, utensílios domésticos, eletrônicos, veículos e até equipamentos médicos.
Por isso, eliminar totalmente o plástico da rotina hoje parece, no momento, inviável. O caminho mais realista, segundo especialistas ouvidos pelo New York Times, é reduzir o uso sempre que possível. Algumas dicas são:
Essas medidas não eliminam completamente o contato com plástico, é claro, mas ajudam a diminuir a exposição a algumas das substâncias associadas a riscos à saúde. Até porque, ações individuais têm limites, uma vez que a reprodução em larga escala também depende de regulação e mudanças na produção industrial.
Dr. Campen lembra de quando os cientistas perceberam os malefícios do chumbo — presente nas tintas e na gasolina — para a saúde e, a partir daí, houve uma mudança na fabricação desses produtos. "Não existe solução mágica", acrescentou.