Subvariantes BA.4 e BA.5 da ômicron geram temores de nova onda de covid-19

No Brasil, a proporção de casos prováveis das sublinhagens passaram de 10,4% para 44% em quatro semanas
BA.4 e BA.5: No Brasil, a proporção de casos prováveis das subvariantes BA.4 e BA.5 da Ômicron passaram de 10,4% para 44% em quatro semanas (MR.Cole_Photographer/Getty Images)
BA.4 e BA.5: No Brasil, a proporção de casos prováveis das subvariantes BA.4 e BA.5 da Ômicron passaram de 10,4% para 44% em quatro semanas (MR.Cole_Photographer/Getty Images)
Por Agência O GloboPublicado em 12/06/2022 13:15 | Última atualização em 12/06/2022 13:05Tempo de Leitura: 4 min de leitura

Duas novas subvariantes da família Ômicron parecem ser as culpadas — juntamente com o relaxamento das medidas de controle sanitário — pelo aumento das infecções por coronavírus em vários países. Dominantes na África do Sul e em Portugal, as mutações BA.4 e BA.5 causam incerteza diante da iminência de uma nova onda de Covid-19 nos próximos meses.

No Brasil, a proporção de casos prováveis das subvariantes BA.4 e BA.5 da Ômicron passaram de 10,4% para 44% em quatro semanas, reflexo da rápida disseminação do vírus, mostra análise do Instituto Todos pela Saúde (ITpS) feita com dados da Dasa e DB Molecular.

Veja o que se sabe até o momento das Subvariantes BA.4 e BA.5 da ômicron

Onde as subvariantes BA.4 e BA.5 da ômicron estão presentes?

Identificadas no início de abril por pesquisadores em Botsuana e África do Sul, essas novas subvariantes da Ômicron provavelmente surgiram entre meados de dezembro e início de janeiro. Depois de se tornarem predominantes entre os novos casos na África do Sul e em Portugal, agora lideram as novas ondas da pandemia.

Na África do Sul, "onde BA.4 e BA.5 foram detectados pela primeira vez, sendo BA.5 a mais presente no momento, o pico da pandemia terminou em meados de maio e seu impacto foi moderado. BA.5 é a predominante em Portugal, país onde a incidência está aumentando, embora em níveis mais baixos, por enquanto, do que durante a onda anterior", explicou a Agência Francesa de Saúde Pública na sexta-feira.

O aumento de infecções também ameaça outros países. Segundo o ITpS, foi visto nas últimas semanas que a prevalência de casos prováveis das subvariantes BA.4 e BA.5 da Ômicron vem aumentando de forma rápida no Brasil, fato que explica o recente e forte aumento na positividade de testes. A análise aponta que há casos prováveis da BA.4 e BA.5 em pelo menos 118 municípios de 12 estados, além do Distrito Federal.

Na Europa, casos de BA.4 e BA.5 também são cada vez mais frequentes na França, devendo superar a BA.2, majoritária desde o início do ano. A agência de saúde francesa confirmou a aceleração de casos em seus últimos números semanais, bem como o aumento dessas duas subvariantes.

A situação é semelhante à vivida na Alemanha e no Reino Unido. Segundo vários especialistas, o fim das medidas de controle sanitário favorece esse aumento de infecções.

As subvariantes BA.4 e BA.5 da ômicron são mais contagiosas?

As duas subvariantes parecem se espalhar ainda mais rápido do que as mutações anteriores da Ômicron.

— A BA.4 e a BA.5 podem se espalhar mais rápido que a BA.2 devido a uma dupla vantagem: seu fator de contágio e a queda na proteção imunológica — explica Mircea Sofonea, professor da Universidade de Montpellier, na França. — Portanto, a BA.4 e a BA.5 desencadeiam uma onda mais rápida do que a BA.2 fez.

As subvariantes BA.4 e BA.5 da ômicron são mais perigosas?

Até agora, não há sinais de alerta de que a BA.4 e a BA.5 sejam mais graves do que as subvariantes anteriores da Ômicron, dizem vários cientistas. Mas, "ainda é cedo para saber", esclarece Mircea Sofonea, professor da Universidade de Montpellier, na França.

No entanto, o que se viu na África do Sul e em Portugal faz alguns especialistas pensarem que os riscos de hospitalização e morte são menores.

“Na África do Sul, a onda de BA.4 e 5 não se traduziu em mais hospitalizações e mortes, porque havia mais imunidade na população", escreveu, no Twitter, Tulio de Oliveira, virologista da Universidade de Kwazulu-Natal, na África do Sul, onde a variante Ômicron foi detectada em novembro de 2021. — Mas não sabemos os efeitos a longo prazo.

A presença de BA.2 em um país "poderia dar maior proteção contra BA.4 e BA.5", já que "são geneticamente próximos", disse a Agência Francesa de Saúde Pública em maio. Embora isso seja algo que ainda não foi confirmado.

De qualquer forma, a proteção imunológica diminui com o tempo.

— Embora a proteção proporcionada pela infecção por Ômicron ou pela terceira dose da vacina continue sendo importante cinco meses depois, especialmente contra as formas graves, ela diminui contra qualquer infecção — destacou Sofonea.

Vários países, incluindo o Brasil, já recomendam uma quarta dose para as pessoas mais vulneráveis. E, embora não seja obrigatório, vários especialistas continuam recomendando o uso de máscaras em diferentes situações, e ventilar os espaços.

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