Supernova: astrônomos monitoraram a estrela durante quase três meses com telescópios espaciais e terrestres (Freepik)
Redatora
Publicado em 11 de agosto de 2026 às 08h53.
Pela primeira vez, astrônomos conseguiram acompanhar praticamente todas as etapas da morte explosiva de uma estrela gigante, desde os instantes iniciais do colapso até os meses seguintes à explosão. O registro permitiu observar fenômenos raros que normalmente passam despercebidos e oferece novas pistas sobre como algumas das estrelas mais massivas do Universo chegam ao fim de suas vidas.
Os resultados foram descritos em dois estudos publicados na revista The Astrophysical Journal Letters e mostram que estrelas gigantes podem morrer de formas mais variadas do que os cientistas imaginavam.
As observações começaram em março de 2026, quando a sonda espacial chinesa Einstein Probe detectou um breve clarão de raios X vindo da supernova SN 2026gzf.
Esse sinal foi produzido pelo chamado shock breakout, momento em que a poderosa onda de choque gerada pelo colapso do núcleo rompe a superfície da estrela.
Embora os cientistas acreditem que esse fenômeno aconteça em praticamente todas as supernovas, ele dura muito pouco tempo e quase nunca é registrado. Esta foi a primeira detecção desse tipo desde 2008.
Segundo os pesquisadores, esse clarão funciona como uma espécie de "radiografia" dos momentos finais da estrela, permitindo investigar suas camadas externas pouco antes da destruição completa.
Após a detecção inicial, uma rede internacional de telescópios passou a monitorar continuamente a explosão por quase três meses. Entre os instrumentos utilizados estavam o Observatório de Raios X Chandra, em órbita da Terra, além de diversos observatórios terrestres.
A estrela ficava a aproximadamente 500 milhões de anos-luz da Terra e possuía cerca de 30 vezes a massa do Sol, sendo comparável às estrelas mais massivas conhecidas, como Betelgeuse, que também deverá terminar sua vida como uma supernova no futuro.
Antes da explosão, ela era classificada como uma estrela Wolf-Rayet, um tipo raro de astro extremamente quente que já perdeu suas camadas externas de hidrogênio e hélio devido aos intensos ventos estelares.Os pesquisadores acreditam que o colapso da estrela tenha deixado como remanescente um buraco negro.
A explosão foi identificada como uma supernova do tipo Ic de linhas largas, caracterizada pela ejeção de material a velocidades extremamente altas — neste caso, superiores a 10% da velocidade da luz.
Apesar dessa energia impressionante, a supernova apresentou uma característica incomum.
Esse tipo de explosão costuma estar associado aos chamados surtos de raios gama, alguns dos eventos mais energéticos conhecidos no Universo. No entanto, os pesquisadores não encontraram qualquer evidência de um jato relativístico ou de uma explosão de raios gama.
Segundo a equipe, essa é a primeira supernova desse tipo observada sem esses dois fenômenos
A descoberta ajuda a responder uma das principais questões da astrofísica atual: por que algumas estrelas em colapso produzem jatos capazes de gerar explosões de raios gama, enquanto outras, aparentemente muito semelhantes, não apresentam esse comportamento.