Atividade física: dados científicos mostram que pequenas doses de exercício frequente já reduzem a mortalidade e combatem o sedentarismo (kieferpix/Thinkstock)
Redatora
Publicado em 1 de fevereiro de 2026 às 06h00.
A prática regular de atividade física, mesmo em pequenas quantidades, pode gerar ganhos relevantes para a saúde e a longevidade. Dados científicos publicados na revista científica Nature indicam que exercitar-se pouco e com frequência já reduz o risco de morte por diversas causas e ajuda a proteger contra doenças cardiovasculares, como a doença arterial coronariana.
Durante décadas, as recomendações oficiais defendiam 150 minutos semanais de atividade moderada ou 75 minutos de exercício vigoroso, diretrizes formuladas a partir dos anos 1980. Essas orientações, porém, eram baseadas principalmente em autorrelatos, método que costuma superestimar o tempo real de esforço.
Com o avanço de relógios inteligentes e dispositivos vestíveis, pesquisadores passaram a medir a atividade física com maior precisão. Os resultados mostram que menos exercício do que se imaginava já traz benefícios expressivos ao organismo.
Os dados mais recentes revelam que curtos períodos de esforço são suficientes para gerar impacto positivo na saúde. Os estudos mostram que:
Esses períodos curtos não exigem treinos estruturados. A ciência indica que atividades do cotidiano funcionam como estímulos eficazes ao corpo, como subir escadas, carregar compras pesadas e realizar tarefas domésticas mais intensas.
Essas ações são descritas como “lanches de exercício”, que ajudam a alcançar os benefícios mesmo fora de academias.
Apesar dos ganhos associados a pequenas doses de atividade, os estudos também chamam atenção para os efeitos do comportamento sedentário. Em média, as pessoas passam cerca de 9 horas por dia sentadas, o que está ligado a impactos negativos para a saúde cardiovascular e metabólica.
Para compensar totalmente esse tempo de inatividade, seriam necessários entre 60 e 75 minutos diários de atividade moderada, um volume difícil de manter de forma consistente. Por isso, os pesquisadores destacam a importância de quebrar os longos períodos sentado.
Atitudes simples ajudam a reduzir esses efeitos, como levantar-se para preparar um café, alongar o corpo ao longo do dia e realizar pequenas tarefas domésticas.
Mesmo movimentos leves contribuem para melhorar a circulação e diminuir os efeitos do sedentarismo.
Segundo os cientistas, o benefício mais impactante para a saúde acontece quando uma pessoa deixa o sedentarismo absoluto e passa a se movimentar, ainda que por pouco tempo.
A transição do “nenhum exercício” para “alguma atividade” gera efeitos mais relevantes do que aumentar a intensidade entre indivíduos já ativos.