Ciência

'Porta do inferno': entenda o que é a cratera que queima há 50 anos

Chamas da Cratera de Darvaza, no deserto de Karakum, são atração turística e desafio ambiental no Turcomenistão

Porta do Inferno: cratera de gás no Turcomenistão fascina turistas e cientistas com suas chamas eternas. (Wikimedia Commons)

Porta do Inferno: cratera de gás no Turcomenistão fascina turistas e cientistas com suas chamas eternas. (Wikimedia Commons)

Publicado em 28 de julho de 2025 às 09h44.

A “Porta do Inferno” é uma impressionante cratera de gás situada no deserto de Karakum, no norte do Turcomenistão.

Oficialmente chamada de Cratera de Darvaza, possui cerca de 70 metros de largura e 30 metros de profundidade. Seu brilho alaranjado, visível a quilômetros de distância, tornou-se um dos ícones mais misteriosos da Ásia Central.

Origem e mistérios cercam a cratera

A versão mais difundida conta que, nos anos 1970, engenheiros soviéticos perfuravam a área em busca de petróleo e gás natural quando o solo desmoronou, liberando grandes quantidades de metano.

Para evitar que o gás tóxico se espalhasse, decidiram incendiar o buraco, acreditando que o combustível se esgotaria em poucas semanas. Mais de 50 anos depois, as chamas ainda ardem ininterruptamente.

Porém, a origem exata do incêndio é controversa. Alguns pesquisadores defendem que o fogo começou nos anos 1980 ou que tenha sido provocado por acidente, como um relâmpago.

A falta de registros soviéticos oficiais alimenta o mito e reforça o fascínio em torno da "Porta do Inferno".

Ciência e turismo no "fogo eterno"

As temperaturas no interior da cratera variam de 400°C a 1.000°C, criando um ambiente extremo e surreal. Em 2013, o explorador George Kourounis, com apoio da National Geographic, desceu até o fundo do local para coletar amostras de solo e investigar microorganismos capazes de sobreviver em condições tão adversas.

Além do interesse científico, a cratera atrai milhares de turistas todos os anos. Expedições partem de Ashgabat, capital do Turcomenistão, levando visitantes para apreciar as chamas especialmente ao anoitecer, quando o brilho se intensifica.

Impactos ambientais e futuro incerto

O governo do Turcomenistão já cogitou apagar as chamas da cratera por conta da poluição e do desperdício de gás natural. No entanto, as tentativas foram infrutíferas. Hoje, diante do seu enorme apelo turístico, a estratégia oficial tem sido deixar que o fogo consuma naturalmente o gás restante.

A “Porta do Inferno” segue como símbolo nacional e uma das paisagens mais singulares do planeta. Seu nome foi dado pela população local, inspirada pelo espetáculo das chamas e por antigas lendas sobre portais místicos para outros mundos.

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