Ciência

Este hábito diário pode aumentar o risco de câncer de estômago, aponta estudo

Pesquisa constatou que o consumo de pelo menos uma bebida adoçada com açúcar por dia está associado a um risco mais de duas vezes maior de desenvolver câncer gástrico, em comparação com o consumo muito raro dessas bebidas

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 17 de agosto de 2026 às 17h28.

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O consumo diário de bebidas adoçadas com açúcar foi associado a um risco maior de desenvolvimento de câncer gástrico entre adultos dos Estados Unidos, segundo um estudo conduzido por pesquisadores do Mass General Brigham Cancer Institute.

A relação não foi identificada entre participantes que consumiam bebidas com adoçantes artificiais. Os resultados foram publicados nesta segunda-feira, 17, na revista Gastro Hep Advances.

A análise avaliou dados de 112.284 participantes de dois estudos de acompanhamento de longo prazo: o Nurses’ Health Study, estudo voltado à saúde de profissionais de enfermagem, e o Health Professionals Follow-Up Study, pesquisa que acompanha profissionais da área da saúde. As bases reúnem informações sobre alimentação, estilo de vida e condições de saúde de adultos norte-americanos ao longo de décadas.

Durante o período analisado, 278 participantes receberam diagnóstico de câncer gástrico. Após o ajuste para outros possíveis fatores de risco, os pesquisadores identificaram uma diferença entre pessoas que consumiam bebidas açucaradas diariamente e aquelas que raramente ingeriam esses produtos.

Participantes que consumiam ao menos uma porção de bebida adoçada com açúcar por dia apresentaram risco 2,45 vezes maior de câncer gástrico em comparação com aqueles que ingeriam menos de uma porção por mês. A associação apareceu tanto entre homens quanto entre mulheres.

Entre as mulheres que integravam o Nurses’ Health Study, o consumo superior a uma bebida açucarada por dia foi associado a um risco 3,04 vezes maior de câncer gástrico em relação às participantes que raramente consumiam esse tipo de produto.

O estudo também encontrou uma associação entre uma ingestão total maior de frutose, apontada na pesquisa como o principal adoçante dessas bebidas, e uma incidência maior da doença. Já o consumo mais elevado de bebidas adoçadas artificialmente não apresentou associação com uma incidência maior de câncer gástrico após o controle de outros fatores.

O que os pesquisadores consideraram como bebida açucarada

Na pesquisa, a categoria de bebidas adoçadas com açúcar incluiu refrigerantes, ponches, limonadas e bebidas esportivas. Os pesquisadores classificaram refrigerantes de baixa caloria como bebidas adoçadas artificialmente.

Segundo Andrew T. Chan, gastroenterologista, epidemiologista e autor sênior do trabalho, este foi o primeiro estudo a identificar uma associação entre o consumo de bebidas açucaradas e câncer gástrico em uma população dos Estados Unidos. Chan também destacou que ainda existem lacunas sobre a participação da dieta no desenvolvimento da doença.

Pesquisas anteriores já haviam relacionado o consumo de bebidas açucaradas a riscos maiores de câncer colorretal, de mama e de fígado. No caso do câncer gástrico, porém, os pesquisadores afirmam que havia menos evidências disponíveis.

Aproximadamente 65% dos adultos norte-americanos relatam consumir uma ou mais bebidas adoçadas com açúcar diariamente, segundo as informações apresentadas pelos pesquisadores.

Câncer gástrico

Os pesquisadores analisaram separadamente a presença da bactéria Helicobacter pylori, ou H. pylori, cuja infecção está associada a um risco maior de câncer gástrico. Essa etapa envolveu um subgrupo de 940 participantes.

Pouco mais de um terço das pessoas desse grupo apresentou evidências de infecção pela bactéria. A análise, porém, não encontrou associação entre o consumo de bebidas adoçadas com açúcar e a presença de H. pylori.

Estudo não estabelece relação de causa e efeito

Por se tratar de um estudo observacional, a pesquisa não permite afirmar que as bebidas açucaradas sejam responsáveis pelo desenvolvimento do câncer gástrico. Outros fatores presentes entre os participantes que consumiam esses produtos com maior frequência podem ter influenciado os resultados.

Os autores também apontaram limitações relacionadas à quantidade de informações disponíveis sobre infecção por H. pylori e histórico familiar de câncer gástrico. A população analisada era predominantemente branca, o que restringiu a avaliação de possíveis diferenças entre grupos raciais e étnicos.

Por outro lado, o número de participantes e o acompanhamento por vários anos forneceram aos pesquisadores informações sobre saúde, alimentação e estilo de vida que permitiram ajustar a análise para diferentes fatores associados ao câncer gástrico.

Os pesquisadores afirmam que novos estudos serão necessários para confirmar a associação encontrada e investigar quais mecanismos poderiam explicar a relação entre bebidas adoçadas com açúcar e o risco de câncer gástrico.
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